Mães em tempo de pandemia

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Mãe e filha se abraçando no dia das Mães

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RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

Vivemos, há mais de um ano, tempos difíceis devido à pandemia da Covid-19, em que muitos filhos são privados de ver seus pais, pois muitos pais são do grupo de risco e as visitas e saídas de casa devem ser bem restritas.

Sabemos, também, que a linha de frente que combate a pandemia tem rosto de mulher em todo o mundo. Elas são maioria nas profissões ligadas à saúde e, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres representam 65% dos seis milhões de profissionais atuantes no segmento da saúde em nosso País. Por isso, muitas mães tiveram que se desdobrar para dar conta de jornadas duplas e até triplas, além daquelas que tiveram de manter distanciamento dos filhos, marido, pais e familiares queridos, para cuidar de pacientes acometidos pela Covid-19 que elas nem conhecem.

Nos dias de hoje, as famílias tiveram que se adaptar e viver um novo normal, conversando somente por telefone, encontrando-se por meio de chamadas de vídeo ou acenando de longe. Agora que a situação começou a melhorar um pouco, pois muitos estão recebendo a vacina, embora tenhamos consciência de que temos que ter o cuidado de igual modo por todos.

Ao se aproximar do Dia das Mães, que acontece neste dia 9 de maio, pelo segundo ano consecutivo, muitos filhos não poderão visitar as suas mães. Terão que apenas telefonar ou fazer chamadas pela internet. Vale sempre a lembrança, pois de alguma forma vamos nos fazer presença para as nossas mães. E se Deus quiser, no próximo ano poderemos comemorar de uma melhor forma esse dia tão especial.

Infelizmente, enfrentamos um ano marcado por mais de 400 mil vidas ceifadas e, não bastasse o luto de tantas mães e filhos, pelo menos sete milhões de brasileiras perderam o seu emprego nesta pandemia. Ganhando pouco ou quase nada, tiveram dificuldade para manter a casa e suprir a necessidade de seus filhos. Por isso, os filhos têm que cooperar com suas mães nas tarefas diárias e cada vez mais respeitar as suas mães, que se desdobram para cuidar e querer bem seus filhos.

Algumas mães durante essa pandemia, infelizmente, perderam seus filhos, então, peçamos a Nossa Senhora que console essas mães e lhes dê o conforto necessário para continuarem a sua vida. Que a fé possa fazer com que elas caminhem adiante e lembrem sempre com carinho de seus filhos.

Lembremo-nos das mães que são profissionais da Enfermagem, médicas, fisioterapeutas, psicólogas, nutricionistas, farmacêuticas, radiologistas, assistentes sociais, entre tantas carreiras importantes, que trabalham na linha de frente do combate à Covid-19. Mães que muitas vezes trabalham mais de 12 horas por dia e acabam vendo pouco os seus filhos ou nem veem com medo de transmitirem o vírus por estarem na linha de frente.

E se elas estão mais expostas combatendo esse vírus, também são as mulheres que acabam tendo maior sofrimento mental. Na Itália e Espanha, por exemplo, estudos mostram que elas também se contaminam mais com a Covid-19, justamente, por essa dedicação e zelo no cuidado ao enfermo. Que essas mães possam ser recompensadas por seus filhos e abençoadas por Deus.

Lembro que durante essa pandemia, ainda tivemos muitas mães que se tornaram professoras de seus filhos. Com as aulas suspensas presencialmente, muitas crianças tiveram que assistir aulas em casa e as mães se tornaram professoras particulares de seus filhos, fazendo com que eles se concentrassem na aula e, depois, ainda ensinaram a lição a eles. 

Muitas mães nessa pandemia tiveram, também, que conciliar o trabalho em casa (home office) com os afazeres domésticos, cuidando do almoço, da educação dos filhos e cuidando da casa. Todas as mães, de fato, foram guerreiras nesse período de pandemia.

Cuidemos sempre de nossos pais, até na velhice com os seus cabelos brancos, e até quando já estiveram perdendo a lucidez, como diz a escritura. O quarto mandamento da Lei de Deus diz que devemos honrar pai e mãe. Devemos cuidar deles até o último momento de suas vidas, e mesmo agora devido à pandemia, sempre estar ligando e perguntando como estão, porque durante esse período muitos pais ficaram sozinhos e até depressivos.

O Dia das Mães não deve ser somente no segundo domingo de maio, e nem o Dia dos Pais somente no segundo domingo de agosto, mas devemos receber motivação para ser todos os dias do ano. Todos os dias é tempo de ligar, de dar presentes e de se fazer presente, para que depois não seja tarde demais.

Rezemos por nós e por nossas mães, para que logo passemos por este momento difícil e possamos voltar a nossa vida “normal”, reunindo-nos em família, visitando nossas mães e avós, sem preocupação de contrair doença, mas é claro, sempre se cuidando. O cuidado sempre deve permanecer a partir de agora.

Rezemos por tantos idosos, sobretudo mães e avós que foram acometidos por esta doença, muitos que morreram ou que se encontram em estado grave nos hospitais, rezemos por suas famílias, para que Deus lhes conforte e lhes dê ânimo para seguir em frente.

Que Deus cuide de cada um de nós e de nossas mães e que possamos vencer mais essa batalha e logo estaremos juntos novamente. Tenhamos sempre o cuidado de ligar e perguntar como elas estão, e se estão precisando de algo, para que possam sempre se sentir amadas por nós.

Que Deus nos abençoe e fortaleça nossas mães e avós, e que a vacina chegue logo para todos, para que possamos voltar ao “normal” de nossas vidas. Amém.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ