Domingo da Palavra de Deus

domingo da palavra de Deus

A Liturgia dominical neste ciclo B do ano litúrgico apresenta-nos os inícios do Evangelho segundo Marcos. Ele nos ajuda a entrar neste tempo comum deste ano B aberto ao anúncio da Boa Notícia: a tradição antiga, que remonta ao séc. II, atribui o texto deste Evangelho a Marcos, identificado com João Marcos, filho de Maria, em cuja casa os cristãos se reuniam para orar (At 12,12). Com Barnabé, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira viagem missionária (At 13,5-13; 15,37.39) e depois aparece com ele, prisioneiro em Roma (Cl 4,10). Mas liga-se mais a Pedro, que o trata por “meu filho” na saudação final da sua Primeira Carta (1 Pe 5,13). Marcos terá escrito o Evangelho pouco antes da destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70.

Na primeira parte do Evangelho de Marcos (Mc 1,14-8,30), Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte (Mc 8,31-13,36) volta-se especialmente para os Apóstolos que escolheu (3,13-19): com sábia pedagogia os vai formando, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na intimidade do Pai (11,22-26).

Neste 3º domingo do Tempo Comum, Domingo da Palavra de Deus instituído pelo Papa Francisco, Jesus aparece inaugurando seu ministério público. Suas palavras são consoladoras: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo!” (Mc 1,15) Eis! A esperança de Israel até que enfim iria realizar-se: o Messias, o Salvador esperado estava chegando para instaurar o Reino! Com Jesus, com sua Pessoa, seus gestos e sua pregação, o Reinado de Deus, a proximidade do Santo de Israel, seria realmente tocada pelo povo de Deus.

A primeira leitura –  Jn 3,1-5.10 – enuncia: “Levanta-te e põe-te a caminho (…) e anuncia a penitência à grande cidade de Nínive!” (Jn 3,2) E os habitantes de Nínive – pagãos – acolheram a pregação e se salvaram! Na primeira leitura de Jonas, trata-se de pregação ameaçadora, dirigida à “grande cidade” de Nínive, capital da Assíria. Diante do medo que a pregação inspira, a população abandona o pecado e faz penitência, proclamando o jejum e vestindo-se de saco; e Deus, demonstrando sua misericórdia universal, poupa a cidade.  A profecia de Jonas foi revelada na forma de romance, mas é, com certeza, Palavra de Deus! Os pensamentos de Deus são de misericórdia e de salvação, mas os homens pensam em vingança. O Povo de Israel quer vingança contra quem o escravizara e Deus compassivo e misericordioso, oferece perdão e salvação! “Os meus pensamentos não são como os vossos pensamentos”.

A segunda leitura – 1Cor 7,29-31 – diz que: “O tempo é curto e a figura deste mundo passa!” Melhor: não há tempo a perder! O tempo da graça é agora! Não percamos o tempo precioso. Estamos diante de um paradoxo: Quem está casado, viva como se não o estivesse! É uma palavra forte, aparentemente em contraste com todas as coisas belas que, em outras circunstâncias, a Palavra de Deus nos disse sobre o matrimônio. Mas o contraste é somente aparente. Ela se atém apenas a explicar a palavra dita por Jesus aos saduceus, a respeito da mulher que tinha passado por sete maridos: “Neste mundo, homens e mulheres casam – se, mas os que forem julgados dignos de participar do mundo futuro e da ressurreição dos mortos não se casam…” (Lc 20, 34s). É preciso criar-se uma consciência cristã capaz de fomentar desejos, intenções, hábitos, e comportamentos em total sintonia com o Evangelho de Cristo. E isto é tão urgente quanto “o tempo é breve” (1Cor 7, 29), brevidade está fixada precisamente pela vinda de Cristo e da qual não fica mais que uma fase histórica, ou seja, a que separa o dia de hoje da sua última vinda.

No Evangelho – Mc 1,14-20 – Jesus retoma a pregação do profeta Jonas: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15) Portanto, não há tempo a perder! Procuremos o caminho que leva à salvação! Para acolher Jesus, a condição primeira é a conversão, a mudança profunda de vida que exige, sobretudo, a luta contra o pecado e, consequentemente, a rejeição de tudo aquilo que o pode desviar do amor e da Lei de Deus. Uma conversão parecida à que Deus exigiu à cidade de Nínive, por meio da pregação de Jonas, e que os seus habitantes praticaram, abandonando “o seu mau caminho” (Jn 3, 10). Mc 1,15 como “fazei penitência” em vez de “convertei-vos”. Penitência tem que ver com pena, castigo. Conversão é dar nova virada à vida. O grego metanoia sugere uma mudança de mentalidade. Por trás disso está o hebraico shuv, “voltar” (a Deus), não por causa do medo, mas por causa da confiança no dom de Deus, o “reino de Deus”, que é o acontecer da vontade amorosa do Pai, como reza o pai-nosso: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade”. Onde reinam o amor e a justiça, conforme a vontade de Deus, acontece o reino de Deus.

O Reino sofre violência; violência do mundo, violência do nosso coração envelhecido pelo pecado, da nossa razão tanta vez fechada para a luz do Cristo. Por isso mesmo, logo após apresentar o apelo de Jesus, são Marcos nos fala da vocação dos quatro primeiros discípulos. Certamente, esse chamado deve ser compreendido de modo muito particular como referindo-se à vocação sacerdotal, que faz dos chamados “pescadores de homens”. Mas, esse chamamento indica também a vocação de todo cristão: seguir Jesus no caminho da vida. Nesse sentido, a lição é clara: seguir Jesus exige deixar tudo, deixar-se e colocar a vida em relação com o Senhor! Somente assim poderemos acolher o Reino!

Neste domingo celebramos também a importância da Palavra de Deus, na semana que o hemisfério norte comemora a Semana de Orações pela unidade dos cristãos, depois de terem iniciado com a vigília de orações pelo diálogo católico-judaico e às vésperas da data da Conversão de Paulo. Foi essa a ocasião que motivou o Papa Francisco, depois de ouvir vários pedidos de Conferências Episcopais a instituir o “Domingo da Palavra de Deus”. Com o Motu Proprio “Aperuit illis”, o Santo Padre estabeleceu que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. O Motu Proprio foi publicado no dia em que a Igreja celebrava a memória litúrgica de São Jerônimo (30/9/2020), início dos 1.600 anos da morte do conhecido tradutor da Bíblia para o latim que afirmava: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.

Somos convidados neste domingo a meditar a Palavra de Deus e o chamado para a conversão e o nosso chamado diante de Deus, pois, devemos saber que aquele que é discípulo do Senhor deve constantemente viver numa busca de maior aproximação com Deus. Que a cada dia seja a oportunidade de ter um coração mais próximo ao coração de Cristo.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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