13 de maio – Nossa Senhora de Fátima e a Abolição da Escravatura

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13 de maio - Nossa Senhora de Fátima e a Abolição da Escravatura
13 de maio - Nossa Senhora de Fátima e a Abolição da Escravatura

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O dia 13 de maio é um dia especial para a Igreja, assim como todo o mês de maio. Em especial no dia 13 de maio recordamos Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em que tem uma devoção popular muito grande, sobretudo entre a colônia portuguesa e os países lusófonos. No Brasil, temos duas festas a Nossa Senhora que são celebradas com um forte fervor popular, Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida, e tanto o mês de maio como o mês de outubro são especiais para a Igreja.

Sempre é a mesma Mãe de Jesus, mas onde Ela se manifesta, Ela recebe um título que tem sempre a ver com o contexto na qual se deu a aparição. Nossa Senhora de Fátima apareceu em Fátima (Portugal), e sua aparição ficou marcada pelas revelações dos segredos que ela fez aos pastorinhos que se encontravam com ela. Recentemente, as aparições de Fátima completaram 100 anos, mas aquilo que ela revelou aos pastorinhos há 100 anos atrás continua bem atual nos dias de hoje.

Nesse tempo em que vivemos uma incerteza constante devido à pandemia da Covid-19, peçamos a Nossa Senhora de Fátima que interceda por nós junto a Deus para cessar essa pandemia que nos assola há mais de um ano. O Papa Francisco disse para fazer nesse mês de maio um mutirão de orações pelo fim da pandemia rezando o rosário todos os dias nos diversos Santuários Marianos do mundo. Elevemos, nós também, uma prece, ou seja, o terço mariano diário, a Nossa Senhora de Fátima pelo fim da pandemia e em favor de todos os doentes acometidos desse vírus e de gratidão pela vida de cada um de nós. E que esse dia 13 de maio seja especial para cada um de nós.

Além de ser o dia de Nossa Senhora de Fátima, nesse dia 13 de maio comemoramos a assinatura da Lei Áurea, que aconteceu no ano 1888. Que possamos render graças a Deus e a Nossa Senhora por isso, e que nos dias de hoje ninguém trabalhe em situação semelhante à escravidão. A Abolição da Escravatura aconteceu há muitos anos atrás, mas muitas pessoas ainda trabalham em regime de escravidão. Que cada pessoa seja retribuída de acordo com o seu trabalho e que sejam respeitadas em seus locais de trabalho.

Normalmente, esta data é celebrada nas escolas e instituições de ensino com o intuito de reforçar a história da luta pela criminalização da escravidão, uma prática considerada hedionda na contemporaneidade.  O Brasil tem uma população majoritariamente negra, mais especificamente 55,8% do país, quando considerada a soma entre quem se declara preto (9,3%) e pardo (46,5%). Portanto, devemos construir espaços com oportunidades justas, em ambientes amorosos, para acolher a todos os nossos irmãos e irmãs, igualmente.

O Brasil foi o último país da América a abolir totalmente a escravatura, praticada no país desde o período colonial até ao fim do Império, o que durou quase 400 anos. O processo de abolição da escravatura no país ocorreu gradualmente. A Lei Áurea, que pretendia acabar de forma definitiva com a escravidão no Brasil, foi precedida por uma série de outras leis, que foram começando a libertar as pessoas escravizadas pouco a pouco e sem indenização.

Nesse sentido, recordo a mensagem Angelus, do Santo Padre Bento XVI, em agosto de 2008, que nos convida à oração e reflexão verdadeira sobre atualidade deste tema. “Como é importante, sobretudo no nosso tempo, que cada comunidade cristã aprofunde cada vez mais esta sua consciência, com a finalidade de ajudar também a sociedade civil a superar toda a possível tentação de racismo, de intolerância e de exclusão, e a organizar-se com opções respeitosas da dignidade de cada ser humano! Com efeito, uma das grandes conquistas da humanidade é precisamente a superação do racismo. No entanto, infelizmente, em vários países registram-se novas e preocupantes manifestações do mesmo, ligadas muitas vezes a problemas sociais e econômicos, que, todavia, jamais podem justificar o desprezo e a discriminação racial. Oremos a fim de que em toda a parte aumente o respeito por todas as pessoas, juntamente com a responsável consciência de que somente no acolhimento recíproco de todos é possível construir um mundo caracterizado pela justiça autêntica e pela paz verdadeira.”

Dessa maneira, o dia 13 de maio não é só especial por ser o dia de Nossa Senhora de Fátima, mas também por nesse dia ser um dia de reflexão sobre a que ponto chega a humanidade em escravizar pessoas. Que com a celebração do dia da Abolição da Escravatura cesse, também, os preconceitos que ainda hoje persistem em várias camadas da sociedade.

Peçamos a Nossa Senhora de Fátima que interceda junto a Deus por todos os trabalhadores, que levam o sustento diário para as suas famílias, ainda mais nesse tempo de pandemia, e proteja a todos os desempregados para que encontrem logo um emprego justo. Que Nossa Senhora de Fátima interceda por todos nós e encha o nosso coração de paz e alegria, que é o que Ela fez quando apareceu aos pastorinhos, encheu o coração deles de paz e alegria e, logo depois, essa paz e alegria que ela trouxe contagiou o mundo inteiro.

Aproveitemos esse dia 13 de maio para rezarmos um rosário a Nossa Senhora pelo fim da pandemia e de todas as escravidões. Cada Ave Maria que rezamos é uma rosa que ofertamos a Nossa Senhora. Agradeçamos a Ela por nossa vida e pela vida de nossa família. Procuremos um tempo para participarmos da Celebração Eucarística. Se não pudermos ir à Igreja, acompanhemos a celebração por meio das mídias sociais, internet, TV e rádio. Esse dia não é feriado para nós, mas mesmo diante dos nossos afazeres diários, podemos parar em um momento do dia para agradecermos a Nossa Senhora.

Celebremos com carinho essa data, recordando Nossa Senhora de Fátima pedindo que ninguém mais viva em situação de escravatura, esteja onde estiver, e que ninguém mais sofra preconceitos de nenhuma espécie. Ainda por último, coloquemos em prática um dos pedidos de Nossa Senhora de Fátima: “Orai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores”. O centro da mensagem de Fátima que é a conversão dos pecados e dos pecadores continua atualíssima em um mundo cada vez mais intolerante, violento e cheio de tribulações e dificuldades. O tempo de conversão não pode tardar na vida de cada filho e filha de Deus! Assim, rezando uns pelos outros mereceremos o céu e habitaremos eternamente ao lado de Deus.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ