O ano litúrgico

ano liturgico

O novo ano litúrgico que estamos iniciando neste final de semana do domingo dia 28 de novembro tem como Evangelho o de Lucas, por isso é o chamado “ano C”. A Igreja, diferente do ano civil, termina o ano litúrgico na 34ª semana do Tempo comum e com o primeiro domingo do Advento inicia um novo ano litúrgico geralmente no mês de novembro.

As leituras nos anos litúrgicos na Igreja são divididas em três sequências: anos A, B e C. Em cada ano litúrgico, meditamos principalmente sobre um evangelista. No ano A, meditamos o evangelho de Mateus, no ano B, meditamos o evangelho de Marcos e, no ano C, meditamos o evangelho de Lucas. Esses três evangelistas são conhecidos como “Sinóticos” e o evangelho de João aparece nas solenidades e festas que acontecem durante o ano, e em especial na Páscoa.

Durante a semana, as leituras têm outro ritmo: são divididas em anos pares e ímpares e o evangelho é sempre o mesmo. O que muda é que a leitura e o salmo feitos no ímpar são diferentes dos feitas no ano par. Nesse ano, estávamos proclamando as leituras do ano “ímpar” (2021) e, no próximo ano (2022), proclamaremos as leituras do ano “par”. Nesse sentido as leituras semanais seguem o ritmo do ano civil.

Depois temos as solenidades e festas com suas leituras próprias conforme as circunstâncias.

As cores litúrgicas variam de acordo com o tempo litúrgtico que está sendo celebrado. A cor roxa é usada no Advento e na Quaresma, bem como nos funerais e exéquias dos fiéis; branca, no Natal, Páscoa e solenidades; a cor verde usa-se durante o Tempo Comum, e vermelha usa-se na Sexta-Feira Santa, Domingo de Ramos, Pentecostes e na festa dos Santos Mártires. Existe a cor rósea que se usa no Domingo Laetare da Quaresma e Gaudete do Advento. A divisão das cores litúrgicas ajuda aos fiéis adentrarem no mistério que está sendo celebrado.

O ano litúrgico é divido em ciclos: temos o ciclo do Natal (ou mistério da Encarnação), que abrange o tempo do advento que iniciamos neste domingo, e o tempo do Natal que vai até a festa do Batismo de Jesus. Temos o ciclo da Páscoa (ou da Redenção), que abrange o tempo da Quaresma e da Páscoa. O Tempo Comum é dividido em duas partes, tendo a sua primeira parte a partir da festa do Batismo de Jesus até a terça-feira de carnaval, e a segunda parte, após Pentecostes até a festa de Cristo Rei, no 34º domingo do Tempo Comum. E ainda, temos as celebrações das festas e memória dos Santos. Na festa da Epifania temos sempre o anúncio das Festas Móveis que dependem da data da Páscoa.

O centro do anúncio dos evangelistas durante o ano litúrgico é o Reino de Deus, mesmo que cada um tenha a sua particularidade e uma maneira diferente de apresentar Jesus e os textos sagrados. Por trás desses textos está o anúncio do Reino Deus. Somos chamados por Deus a construir o Reino de Deus aqui na terra, para vivenciá-lo de maneira plena no céu. Esse Reino de Deus é constituído por amor, misericórdia, perdão e paz. Isso é o que Jesus anunciava e o que os evangelistas nos transmitem.

O rosto misericordioso do Pai”, é esse tema que São Lucas coloca no centro de seu evangelho, apresentando o rosto misericordioso de Deus. Se Jesus conhece e revela o Pai, revela-o especialmente como um Deus de infinita misericórdia. Um Deus que perdoa e acolhe a todos, sem julgar a sua vida. Como observamos no trecho da pecadora pública que queriam apedrejá-la e Jesus a acolhe, ou mesmo o episódio do homem que estava caído a beira do caminho e ninguém parava para socorrê-lo a não ser um samaritano. Os samaritanos eram excluídos pela sociedade judaica da época e Jesus os acolhe.

Jesus vai na contramão daquilo que pensava a sociedade, enquanto eles pregavam a exclusão, Jesus pregava a inclusão. Enquanto eles não perdoavam, Jesus dava o perdão. Por isso, Jesus propõe um novo mandamento: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. É isso que os evangelistas apresentam em seus evangelhos e, sobretudo Lucas, que estaremos ouvindo aos domingos neste ano C. É esse o rosto misericordioso do Pai que ele apresenta.

Lucas em seus relatos assemelha-se em algumas coisas com Mateus e Marcos, mas imprime um caráter mais elegante para os seus escritos. Além do evangelho dividido em 24 capítulos, escreve, depois, o livro dos Atos dos Apóstolos, que é continuação do evangelho. O livro dos Atos dos Apóstolos complementa os escritos do seu evangelho. O livro dos Atos dos Apóstolos contém 28 capítulos.

Em seu evangelho, São Lucas apresenta o conceito de salvação universal, ou seja, Lucas crê que todo aquele que professar a sua fé em Jesus Cristo será salvo. Isso se dá porque Lucas era recém-convertido, além de ser companheiro de Paulo. Os judeus acreditavam que a salvação era somente para eles, mas a salvação é para todos. Os pecadores podem se converter, serem alcançados pela misericórdia de Deus e serem salvos.

E ainda, como já dissemos São Lucas apresenta o rosto misericordioso de Deus, pois Jesus conhece e revela o Pai. O Pai é misericordioso, e Jesus revela essa misericórdia de Deus. Revela essa misericórdia divina, sobretudo, aos pobres, doentes e pecadores, que a sociedade da época excluía. Jesus ainda diz que veio ao encontro dos pecadores e das ovelhas perdidas da casa de Israel.

Celebremos com muita fé e esperança na misericórdia de Deus este ano litúrgico C que iniciamos neste domingo, 27/28 de novembro. Fiquemos atentos aos textos litúrgicos e peçamos que a graça de Deus nos alcance. Que a Virgem Maria nos acompanhe e os Espírito Santo nos ilumine para celebrarmos os mistérios da nossa fé.

Feliz novo ano litúrgico para todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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