Os oito dias após o dia 25 de dezembro nós celebramos a oitava de Natal, ou seja, oito dias de festa. E durante esses dias temos várias festas que nos ajudam a viver o mistério da encarnação. No dia 30 de dezembro ou no domingo dentro da oitava celebramos a Festa da Sagrada Família de Nazaré, neste ano no dia 26 de dezembro.
A Festa da Sagrada Família ocorre sempre durante a oitava de Natal. É motivo de grande alegria celebrarmos a festa da Sagrada Família e, ainda, pedimos a Deus que a Festa da Sagrada Família seja um exemplo de como devem ser as nossas famílias.
A família cristã deve viver o amor e a comunhão, que são duas características que imperava na Sagrada Família de Nazaré. Através do amor recebido de Maria e da atenção recebida de São José, Jesus pôde transmitir às pessoas os valores da família. Assim devem ser nossas famílias nos dias de hoje, os filhos devem receber e transmitir o amor de Deus aos que eles encontrarem.
Que através do Natal que estamos celebrando nesta oitava e ainda continuaremos vivendo o tempo natalino até a festa do Batismo do Senhor, o Verbo encarnado possa nascer em cada família e possamos construir uma sociedade mais justa e fraterna. Peçamos à Sagrada Família de Nazaré a proteção para todas as nossas famílias e que, sobretudo, advenha sobre nossas famílias a paz que vem de Deus.
A primeira leitura da missa (Eclo 3, 3-7. 14- 17a), o autor sagrado fala a respeito do quarto mandamento da lei de Deus, que é honrar Pai e Mãe, que mesmo que esses estejam em idade avançada deve-se cuidar deles e ter paciência para com eles, pois o mesmo pode acontecer conosco futuramente. Não podemos considerar os nossos pais como um “estorvo” quando ficarem velhos e jogá-los numa casa de repouso, mas devemos cuidar deles até os seus últimos dias de vida.
O Salmo responsorial é o 127 (128) traz o seguinte refrão: “Felizes os que temem o Senhor e trilham os seus caminhos”, feliz é aquele que cumpre a Lei do Senhor e mais feliz ainda aquele que cuida de seus pais até a velhice. Aquele que dá afeto, atenção e carinho.
Na segunda leitura (Cl 3, 12-21) São Paulo diz à comunidade de Colossos e para nós hoje, que somos os amados de Deus e seus santos eleitos. Com isso, devemos perdoarmo-nos mutuamente no amor de Deus. Isso pode acontecer em nossas famílias, dos filhos brigarem com os pais, a esposa se desentender com o esposo, mas isso deve servir para fortalecer a união e depois se perdoarem e se entenderem no amor de Deus.
Não pode um casal dormir brigado, sem se falar, ou o esposo na sala e a esposa na cama, mas antes de deitarem devem se entender e se perdoarem no amor de Deus. É claro quando ocorrer as brigas entre os casais deve logo haver a reconciliação.
O Evangelho (Lc 2, 41 -52) relata a perda e o encontro do menino Jesus no templo com os doutores da Lei. Todos os anos, os pais de Jesus subiam a Jerusalém para a festa da Páscoa, pois cumpriam rigorosamente os preceitos da religião Judaica. Quando Jesus completou 12 anos, subiram como de costume, passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, o menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro, depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura.
José e Maria vão encontrar Jesus somente três dias depois de caminharem a sua procura. Jesus estava no templo entre os doutores da Lei, escutando e fazendo perguntas e todos os que o ouviam ficavam maravilhados com suas perguntas e respostas.
Jesus trazia dentro de si o conhecimento da Palavra de Deus, ele era o próprio Verbo Encarnado, ele crescia em sabedoria, estatura e graça. É claro que Jesus era dotado por poder sobrenatural advindo do Espírito Santo, mas enquanto homem era submisso a Maria e José como diz o evangelho.
Quando Maria e José encontram o menino Jesus, Maria indaga: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos angustiados a tua procura” (Lc 2,48). E Jesus lhes responde: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu pai?” (Lc 2,49).
Em nenhum momento, com essa resposta, Jesus foi mal-educado com seus pais, e nem Maria e José ficam bravos com a resposta de Jesus, pois eles mesmos sabem da missão ao qual Jesus recebeu quando foi enviado a esse mundo. O evangelista relata que após esse episódio, Jesus lhes era obediente em tudo e crescia sempre mais em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. As crianças que são batizadas nos dias de hoje, são chamadas a crescerem a cada dia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. As crianças podem e devem construir um mundo melhor.
Maria sempre guardou todas as palavras em seu coração, em nenhum momento se desespera, até mesmo na hora da cruz se mantém pacífica. José com certeza ensina o ofício de carpinteiro a Jesus e o Menino Jesus aprendeu do silêncio de Maria e do trabalho de José a ser humilde e cheio do amor de Deus perante Deus e os homens.
Celebremos com alegria a festa litúrgica da Sagrada Família e transmitamos aos nossos filhos o amor que vem de Deus e que todas as famílias possam ser um exemplo daquilo que foi a Sagrada Família de Nazaré.
Vivenciemos esse tempo do Natal que vai até a festa do Batismo de Jesus, pedindo que o Espírito Santo possa soprar bons ventos sobre cada um de nós e possamos construir uma cultura de paz e de amor.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ













