Epifania do Senhor

os reis magos viram uma estrela no oriente

No domingo depois da oitava do Natal, no Brasil celebramos a solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 6 de janeiro. É conhecida Festa dos Reis Magos ou da manifestação de Jesus na salvação universal.

No contexto do nascimento de Jesus em Belém, aparecem os “magos do Oriente” (Mt 2,1). A bem da verdade, Mt 2,1-12 é um texto sem paralelo no Evangelho da infância segundo Lucas, porém com bastantes ressonâncias que vêm do Antigo Testamento: Nm 24,17 fala do astro que procede de Jacó, base teológica da “estrela de Belém”; Gn 49,10 já contemplara um rei de Judá obedecido por todo o mundo; o Salmo 72,10-11 conta com essa universalidade do rei ao qual todas as nações servirão. No texto de Mateus, os magos dominam conhecimentos ocultos através da astrologia, com o qual eles podem ter vindo ou da Babilônia ou da Arábia, já que a Babilônia era a terra da astrologia naquele tempo. Mesmo que não esteja na Bíblia, a piedade medieval deu nomes aos magos – Gaspar, Melquior e Baltazar – e os transformou em reis. Também o número três, referindo-se aos magos, é um acréscimo, já que a Escritura não diz quantos eram; contudo, como três foram os presentes – ouro, incenso e mirra – , três podem ter sido os doadores.

Eles vieram do Oriente a Jerusalém, o centro religioso e cultural do povo de Israel. Para contextualizar a visita dos sábios do Oriente ao Messias de Israel, historicamente falando, há que dizer que o mesmo Herodes que começara a governar a Judéia no ano 40, findou seu reinado no ano 4 a.C. É com esse rei que os magos conversaram, segundo Mt 2,1-8. 

Diante das dúvidas da historicidade do fato são várias as razões que temos para afirmar a realidade que, porém, tem simbolismo de manifestação universal da salvação. Como já vimos, o Salmo 72 tem essa perspectiva: o rei-messias será servido pelas nações mais diversas. A favor da historicidade, segundo uma antiga tradição, os restos mortais dos magos repousam na Catedral de Colônia, na Alemanha. O importante é dizer que não era impossível que esses sábios viessem ao encontro de Jesus, pois neles vemos o cumprimento das profecias de que os povos pagãos adorariam o Deus de Israel. Mais ainda, à cidade de Jerusalém vinham peregrinos de várias partes do mundo conhecido da época, especialmente, os pagãos tementes a Deus. As razões para admitir a historicidade da narrativa mateana são muito fortes; sendo assim, trata-se de um acontecimento que, ao ser narrado, não deixa de mostrar o talento teológico do hagiógrafo.

A primeira pergunta deles foi: “Onde está o rei dos Judeus recém-nascido?” (Mt 2,2). Mas antes da pergunta, é interessante o fato de que houve uma pergunta. As pessoas cresceram fazendo-se perguntas sobre o mundo, sobre elas mesmas e sobre Deus. As perguntas, mesmo em questões de fé, são importantes, e não devem ser confundidas com as dúvidas, que são oscilações do juízo entre o ato de afirmar e o de negar. Na verdade, uma pessoa de fé tem o seu juízo firme em Deus; é com a mente e o coração fixos no Senhor que um filho de Deus procura conhecer mais as realidades santas. Fará, portanto, perguntas que, no contexto de sua fé, a esclarecem e fazem o caminho do seguimento de Jesus mais inteligível e mais amável. Quem tem fé sabe que conhecer e amar a Deus são atos que o aperfeiçoam como ser humano e como discípulo de Jesus Cristo, e, com essa certeza, percorre o caminho da salvação.

“Onde está…?” – perguntam os magos do Oriente. A pergunta está bem-feita, pois antes da encarnação perguntar-se pelo onde, que indica lugar, era um questionamento não aplicável a Deus, uma vez que ele não habita em lugar nenhum; nada o que o circunscreva, nem o limita. Porém, depois da encarnação, Deus – a segunda Pessoa da Trindade divina – encontra-se em lugar concreto: naquele momento que os magos perguntaram, ele estava em Belém; antes, nas entranhas puríssimas de Maria; durante seus 30 anos, naquele território que hoje chamamos Terra Santa, precisamente por ter sido pisada por Jesus Cristo: toda aquela região foi testemunha das andanças evangelizadoras do Filho de Deus e por isso temos veneração por aqueles santos lugares. “Onde está?” Essa pergunta demonstra busca sincera.

“O rei dos judeus recém-nascido” (Mt 2,2) é aquele a quem os magos procuram. Jesus Cristo é rei. Estamos diante de uma analogia com um sistema de governo, a monarquia; contudo, trata-se apenas de uma analogia, ou seja, de uma linguagem de semelhanças, pois o cristianismo não veio para criar sistemas de governo, mas para salvar os que são redimíveis e iluminá-los. Com certa frequência, no Novo Testamento, Jesus preferia não ser reconhecido como rei, pois desta maneira não se confundiria o seu reino com esquemas terrenos nem com ideologias do momento. Fala-se de Jesus como rei porque a tradição de governo em Israel, foi, de acordo com a época, a monarquia começada com Saul e consolidada com o rei Davi. Consequentemente, era conveniente que Jesus Cristo, sendo da família de Davi, fosse rei. Mas não somente por isso, mas porque, de fato, Jesus reina sobre todo o universo, sobre toda a criação; ele é o rei universal. Desta maneira, o seu reino não tem fim e todos os povos, coletiva e individualmente, assim como todas as pessoas e grupos devem servi-lo.

Os reis magos procuravam o Senhor de verdade, pois vieram de longe guiados pela estrela. Nós o procuramos verdadeiramente? Uma dimensão concreta dessa busca é a adoração. Para uma pessoa que entendeu isso, dá pena ver como em alguns ambientes se trata a Eucaristia, o grande dom atual de Deus aos homens! Dá pena observar algumas celebrações eucarísticas: sem zelo e sem a observação das prescrições da Igreja para a correta celebração da Santa Missa, por parte dos ministros de Cristo; entre conversinhas e atendimentos de celulares, por parte de muitos fiéis que participam sacrifício de louvor da missa. Desta maneira, não poderíamos apontar a adoração como momento de encontro com Deus! Eles, os que não conhecem a Deus explicitamente, desejariam conhecê-lo e adorá-lo. Mas nós que o conhecemos, será que o conhecemos mesmo? Mas como no tempo dos apóstolos, o Senhor aparece e anima-lhes em sua Fé mostrando-se ressuscitado; assim, também, em nossos tempos, o Senhor anima a nossa fé, fazendo-nos notar a sua Igreja ressuscitada.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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