Correção amorosa!

40
correção fraterna

Quanto a ti, filho do homem, eu te estabeleci como vigia para a casa de Israel. (Ez 33,7)

Neste domingo celebramos o XXIII Domingo do Tempo Comum, à medida que vamos nos aproximando do final do ano litúrgico observamos o caminho de Jesus subindo para Jerusalém, pois a missão de Jesus é percorrer a Galileia até chegar a Jerusalém, quando chegar terminaria a sua missão.

Na liturgia deste Domingo somos convidados a renovar em nós o desejo de realizar a vontade do Senhor de viver o mandamento do amor ao próximo e Jesus ainda nos ensina a lição da correção fraterna, ou seja, se meu irmão pecou contra mim eu o chamo de canto e converso com ele corrigindo fraternalmente, se ele me ouvir eu ganhei o meu irmão, se não eu chamo mais uma ou dois testemunhas e o corrijo novamente, se mesmo assim ele não ouvir apresento a Igreja.

Com essa lição Jesus nos ensina que antes de apontar o dedo para a pessoa ou falar do pecado dela publicamente existem outras maneiras de tentar corrigir a pessoa e mostrar aonde ela está errando e tentar solucionar o problema juntos. Se não conseguir resolver sozinho com ela, chama-se duas testemunhas e se mesmo assim não for suficiente apresenta-se a Igreja. Isso significa conhecer o problema da pessoa primeiro para depois julgá-la e todos na vida merecem uma segunda chance e tem o direito ao arrependimento.

Na primeira leitura (Ez 33,7-9), Deus cobra contas do profeta dizendo que ele deve advertir o ímpio em relação a sua má conduta para que ele retome o bom caminho. E se o ímpio morrer que pagará a conta seria o profeta. Por isso, a correção fraterna vem desde o Antigo Testamento, passa por Jesus e continua até os dias de hoje. Todos podem mudar de vida, deixando aquilo que desagrada a Deus de lado e optando por aquilo que lhe agrada, só precisa algumas vezes ter alguém que o oriente por meio da correção fraterna.

O Salmo Responsorial é o Salmo 94 (95) que nos exorta a não fechar o nosso coração, mas ouvir a voz do Senhor. Significa não fechar o coração para as coisas de Deus e abrir para o pecado. Temos que ouvir a voz de Deus para nos desviarmos do pecado e optarmos pelo caminho do bem.

A segunda leitura tirada da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10), o apóstolo das gentes segue na linha da liturgia deste Domingo exortando aqueles que o ouvem a cumprir o mandamento do amor, amando a Deus acima de tudo e como consequência desse amor a Deus, amando o próximo. E, ainda, nos exorta que o amor é cumprimento perfeito da lei.

E o Evangelho segundo Mateus (Mt 18,15-20), como já mencionamos,  Jesus nos ensina a praticar a correção fraterna. O evangelho vai de encontro a primeira leitura (Ez 33,7-9),onde assim como o profeta, Jesus nos ensina a corrigir fraternalmente aquele que errou, a trazer de volta para o caminho certo, aquele que está em caminho errado. Jesus nos ensina a não apontar o dedo na ferida da pessoa e fazer com que essa ferida fique ainda maior falando para os outros. Mas Jesus ensina a curar essa ferida procurando entender a causa dessa ferida e juntos tentar curá-la.

Se mesmo assim a pessoa por vontade própria optar por ficar com ferida aberta chama-se uma ou duas testemunhas e se mesmo assim não ouvir apresenta o caso a Igreja. Com a liturgia deste Domingo observamos que devemos por em prática o mandamento do amor e que não devemos desistir de ajudar o próximo e esgotar todas as nossas forças procurando guiá-lo para o caminho do bem. Se mesmo assim a pessoa optar por continuar no erro a escolha é dela, mas nós fizemos a nossa parte, cumprindo o mandamento de Jesus.

Por fim, Jesus termina o evangelho deste Domingo falando da força da Oração, que onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome ele estará no meio deles. Jesus é presença real em nossa vida por meio da Eucaristia e está no meio de nós através do Espírito Santo, se rezarmos com fé e termos a certeza que ele está ali conosco, ele nos atenderá.

Portanto meus Irmãos e Irmãs rezemos com fé ao Senhor pedindo que a vontade dele se faça em nossa vida e pondo em prática aquilo que ele nos pede, de viver aqui na terra o mandamento do amor, pois isso nos será cobrado na vida eterna: O quanto nós fomos capazes de amar o nosso próximo”? Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ