A vós louvor, honra e glória eternamente!

Deus uno e trino
Material para catequese
Material para catequese

Regressamos ao cotidiano, celebrando o Tempo Comum, na sua segunda fase litúrgica. Celebramos o domingo da Solenidade da Santíssima Trindade. Após passarmos pelo tempo pascal, e celebrado no domingo passado a festa de Pentecostes, segunda-feira retomou o Tempo Comum. Hoje é a primeira de três grandes solenidades ao longo do Tempo Comum: Santíssima Trindade, Corpus Christi e Sagrado Coração de Jesus. Inclusive, Corpus Christi celebraremos na quinta-feira, dia 8 de junho, e o Sagrado Coração de Jesus, dia 16 de junho.

A Santíssima Trindade é a comunhão de três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, não são três deuses, é um Deus só em três pessoas. Deus faz com que cada um de nós participe do mistério da Santíssima Trindade. A Santíssima Trindade é a identidade do cristão, somos batizados em nome da Santíssima Trindade.

A Santíssima Trindade é o exemplo de comunidade perfeita, vivendo em plena comunhão de amor. O Pai, totalmente voltado para o Filho, o Filho, totalmente voltado Pai, e o Espírito Santo totalmente voltado para os dois. Assim devem ser as nossas comunidades, colocar tudo em comum e viver em plena comunhão de amor. No início da missa, aquele que preside, após o sinal da cruz invocando a Santíssima Trindade, diz: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, e a assembleia responde: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”. Ou seja, nos reunimos em nome da Santíssima Trindade e em plena comunhão de amor uns com os outros para ouvirmos a Palavra e comungarmos do Corpo de Cristo.

Ao longo da história da salvação, há momentos específicos para cada pessoa da Santíssima Trindade se revelar. Ao criar o mundo e em praticamente todo o Antigo Testamento, Deus Pai se revela à humanidade, ora por si só, ora por meio dos profetas. Depois, Deus Pai se revela através do seu filho Jesus Cristo e, antes de voltar ao Pai em definitivo, Jesus revela o Espírito Santo. Ele sopra o Espírito Santo e os discípulos saem em missão para anunciar o Reino de Deus e, dessa forma, nasce a Igreja Primitiva. A Santíssima Trindade sempre esteve presente ao longo da história da salvação e continua presente até aos dias de hoje.

A liturgia desse domingo propõe que o rito do ato penitencial seja por aspersão, recordando dessa forma o nosso batismo e que fomos renascidos da água e Espírito Santo. Sempre nas solenidades como Páscoa, Santíssima Trindade, Pentecostes e Natal, o ato penitencial é sugerido fazer por aspersão. A liturgia de hoje tem o foco justamente na Santíssima Trindade e mostra o amor de Deus por cada um de nós ao longo da história da salvação.

A primeira leitura da missa de hoje é do livro do Êxodo (Ex 34,4b-6.8-9). Nessa leitura, Moisés sobe o monte Sinai e conversa com o Senhor. O monte é o lugar do encontro com o Senhor. Deus conversa com Moisés por meio da nuvem, é o que chamamos de Teofania. Moisés não vê Deus, mas o ouve por meio da nuvem. Moisés pede que Deus caminhe com o povo apesar de seus pecados e fraquezas. De fato, isso acontece, Deus toma o povo como propriedade sua e caminha até entrar na terra prometida. Depois, Deus continua caminhando com a humanidade, revela o seu Filho e, posteriormente, Jesus revela o Espírito Santo. Sentimos a presença de Deus até os dias de hoje através do Espírito Santo.

O salmo responsorial é retirado do cântico de Daniel (Dn 3,52-56), o refrão diz: “A vós louvor, honra e glória eternamente”. Ao Senhor, devemos dar glória para sempre, seja aqui na terra e depois no céu. Somente a Ele devemos prestar culto e a ninguém mais.

A segunda leitura é da segunda carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13). Paulo diz para a comunidade viver em harmonia e em comunhão, pois Deus os ama, e eles deveriam viver em plena comunhão de amor a exemplo da Santíssima Trindade. Paulo termina esse trecho da leitura com a saudação inicial das nossas celebrações eucarísticas: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todas vós”.

O Evangelho é de João (Jo 3,16-18). João sempre afirma em seus escritos que Deus é amor e Deus ama o mundo de tal maneira que enviou o seu filho único para salvar a todos e que não morra todo aquele que n’Ele crê, mas tenha a vida eterna. A partir da encarnação do verbo, Deus assume a condição humana, a fim de fazer com a humanidade uma aliança eterna.

Deus Pai não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que as pessoas se salvassem por Ele. Jesus morto na cruz não é sinal de derrota, mas de vitória, e do mesmo modo que Ele venceu a morte, nós também venceremos. Quem crê no Filho não é condenado, agora quem não crê já está condenado, porque não acreditou no Filho unigênito de Deus.

Esse é o dom de crermos na Santíssima Trindade. Temos Deus Pai que nos cria, o Filho que nos redime e o Espírito Santo que santifica. Essas três pessoas da Santíssima Trindade agem em conjunto a favor da nossa salvação. Acreditemos nas três pessoas da Santíssima Trindade que são a razão da nossa fé. Amém.

Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo! Amém!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ