A lei do Senhor Deus é sempre perfeita

mandamentos e lei de Deus

No último domingo de agosto, encerramos o mês vocacional com a celebração do XXII Domingo do Tempo Comum, em que o mês vocacional nos aponta para celebrarmos o Dia Nacional do Catequista. Para nós da Arquidiocese do Rio de Janeiro é a alegria de nossa Romaria anual ao Santuário da Mãe Aparecida, mesmo com as restrições do tempo presente.

Na primeira leitura ouvimos sobre as leis e os decretos do Senhor. Os tempos atuais nos dão a sensação de que lei remeta à proibição ou impeditivo de diversão, mas aqui vemos o oposto. As leis de Deus nos advertem, dão sabedoria e entendimento, renovam a nossa força, trazem alegria ao nosso coração e garantem nossa recompensa.

As leis de Deus são princípios que oferecem luz para o nosso caminho, não corrente para nossas mãos e pés. Elas apontam para o perigo de uma vida distante de Deus e para o sucesso que obtemos quando somos guiados por Ele.

O atual momento da história nos leva por caminho tortuosos e fantasiosos. Promete-nos coisas sem sacrifícios, mexe com o nosso emocional e psicológico o tempo inteiro e ainda tenta nos roubar a fé e a esperança. O novo cenário social que nos circunda diz em alto e bom som: não precisamos de Deus, ou melhor, Suas leis estão mortas, já não correspondem mais.

Engana-se quem pensa que a lei de Deus não é mais vigente. Na verdade, são os aspectos cerimoniais e civis da lei que não são mais aplicados a nós. O aspecto cerimonial da lei regulava o culto no Antigo Testamento, a adoração no Tabernáculo e no Templo. Já o aspecto civil da lei, servia para conduzir judicialmente a nação de Israel como o povo de Deus.

A Primeira Leitura deste domingo (Dt 4,1-2.6-8) garante-nos que as “leis” e preceitos de Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por isso, o autor dessa catequese recomenda insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e se deixe guiar por ela.

Estamos às portas do mês de setembro, o mês da Bíblia. Para nós católicos, a prática da leitura, estudo e meditação tem dado grandes passos: estamos no 50º mês da Bíblia, porém precisamos ser perseverantes e amantes dessa boa nova, dessa lei que nos revigora e nos fortalece.

Surge-nos uma questão pertinente: em tempos tão difíceis e ao mesmo tempo tão avançados, por que ainda cumprir as leis e mandamentos de Deus? Temos duas possíveis respostas. Uma seria por pura gratidão. Deus sempre agiu a nosso favor e seguir suas leis seria como forma de eterna gratidão. Em uma outra possível resposta seria que a lei e os preceitos do Senhor sempre nos conduzem pelo caminho da liberdade e felicidade.

Uma das insistentes recomendações do nosso texto é a de não adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais dos homens. Existe sempre o perigo, quer na nossa reflexão pessoal, quer na nossa partilha comunitária, de torcermos a Palavra ao sabor dos nossos interesses, de lhe cortarmos os aspectos mais questionantes, ou de a fazermos dizer coisas que não vêm de Deus… É preciso perguntarmo-nos constantemente se a Palavra que vivemos e anunciamos é a Palavra de Deus ou é a nossa “palavra”, se ela transmite os valores de Deus ou os nossos valores pessoais, se ela testemunha a lógica de Deus ou a nossa lógica humana. Oxalá isso se tornar diário e constante em nossa vida.

No Evangelho (Mc 7,1-8.14-15.21-23), outra dualidade pertinente atualmente aparece com força. Jesus Cristo estabelece um contraste entre o lado de fora (os lábios) e o lado de dentro (o coração). Aquilo que se manifesta exteriormente (as palavras) e aquilo que se oculta no mais íntimo do ser (os sentimentos e intenções).

Existe um ditado popular antigo que nos diz que coração é terra desconhecida. É o íntimo do ser humano, sua essência e real identidade. É nesse interior que Jesus se preocupa. Como aplicar a lei externa em nosso interior?

Jesus reage às acusações dos fariseus, que apontam no comportamento dos discípulos algumas quebras rituais de preceitos relativos à higiene ou “pureza” alimentar. A correção do Mestre aponta para uma hierarquia de valores: conta mais a alma, os impulsos do coração, do que o cumprimento de rituais exteriores.

Não quer dizer com isto que os sinais externos não tenham nenhum valor, mas que seu valor deriva da coerência entre o lado de fora (gestos e palavras) e o lado de dentro (amor e obediência à Palavra de Deus). Tão ciosos de cumprir os preceitos mosaicos, os fariseus não acolheram o Messias que Moisés anunciara.

Temos dentro de nós mesmos essa realidade dúbia entre bem e mal, entre o bonito e o feio, entre o pecado e a santidade. Estar limpo por fora parece-nos mais importante do que por dentro, afinal, o nosso lado avesso somente nós mesmos conseguimos enxergar. Que haja unidade entre a nossa voz e nossas intenções.

Este enquadramento da vida espiritual ajuda a entender que muitos santos, em seu dia a dia, fossem pessoas que manifestavam defeitos bem comuns, como impaciências, temperamentos ásperos, fragilidades de todo tipo. No entanto, sua santidade não se baseava em aparências: lá dentro – “no coração”, para usar uma expressão bíblica – lutavam permanentemente contra esses impulsos do homem natural e faziam grandes esforços para corresponder à graça de Deus, pondo-se a serviço do Reino de Deus, servindo a Jesus na pessoa do próximo. Nestes santos, a consciência de serem pecadores estava sempre acima de qualquer aparência de perfeição.

Enfim, Deus lê o nosso coração. Jesus “sabe o que há no homem” (Jo 2,25). Seria insanidade de nossa parte simular uma santidade que não vivemos, tentando aparentar um grau de perfeição que não resiste à qualquer análise, mas se faz apenas de aparências e máscaras.

A preocupação com as regras externas de “pureza” é uma preocupação estéril, que não toca com o essencial – o coração do homem; pode até servir para distrair o cristão do essencial, dando-lhe uma falsa segurança e uma falsa sensação de estar em regra com Deus. A verdadeira preocupação do cristão deve ser moldar o seu coração, a fim de que os seus sentimentos, os seus desejos, os seus pensamentos, os seus projetos, as suas decisões se concretizem, no dia a dia, na escuta atenta dos desafios de Deus e no amor aos irmãos.

Que não sejamos meros ouvintes, mas praticantes da Palavra (Tg 1,22) que nos leve a assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo.

Que Deus nos dê a sua graça e a sua benção para colocarmos em prática as suas leis e mandamentos. Assim seja!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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