Sermão da Prisão

“Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (cf. 18,37)

Prisão de Jesus
Prisão de Jesus - Semana Santa

Irmãos e Irmãs está se aproximando os dias em que meditaremos a paixão, morte e ressurreição de Jesus. No próximo Domingo celebraremos o Domingo de Ramos e com essa celebração entraremos na Semana Santa, a semana maior do calendário cristão. No Domingo de Ramos acompanharemos Jesus entrando em Jerusalém para sofrer a paixão, e durante toda a Semana Santa até a Sexta-feira, acompanharemos os últimos passos de Jesus, desde a sua condenação, prisão e morte de cruz.

Uma vez mais, infelizmente, com o agravamento da pandemia da COVID-19, não teremos as celebrações externas da Semana Santa. Respeitando o distanciamento social, com o uso de álcool em gel, e muita prudência teremos a participação reduzida dos fiéis nas celebrações essenciais. Mas não poderíamos deixar de apresentar subsídios para cada dia da Semana Santa. E, na Segunda-feira Santa, é tradição ser pregado o Sermão da Prisão e do Depósito, que apresentamos para a reflexão individual e familiar de nossos fiéis.

Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça como eu quero, mas como tu queres.

Os textos da liturgia que serão apresentados a nós durante essa Semana Santa fazem referência a história da salvação, perpassando por Isaías, sobretudo o capítulo 50, que é intitulado de “servo sofredor”, que pode ser comparado com a figura de Jesus, que sofre em silêncio, por amor daqueles que foram a ele confiados. Os Salmos são em sua maioria, Salmos de lamento e penitência e os Evangelhos nos apresentam Jesus falando daquilo que Ele viria a sofrer.

Enfim, são textos meditativos que nos ajudam a rezar melhor durante esses dias da Semana Santa. Seria prudente irmos à missa todos os dias durante a Semana Santa e participarmos das celebrações votivas, mas é claro, que evitando aglomerações e onde as igrejas estiverem fechadas devido a Pandemia da Covid-19, acompanhar pela TV, Rádio ou internet, sempre lembrando de que as mídias da nossa arquidiocese terão programações especiais em todos os dias da Semana Maior.

Esses são momentos fortes e marcantes da Igreja em que devemos participar com fé e devoção, mesmo se formos impedidos de ir à igreja (devido a Covid-19). Acompanhar esses momentos em casa, pode ser reconfortante para aqueles que estão doentes, ou que perderam algum ente querido durante a pandemia. Devemos acima de tudo nesses dias pedir paz, proteção e a cura para todas as doenças e trilhar o caminho do calvário, até a ressureição com Jesus.

Um dos momentos fortes da liturgia nesses dias é o momento da condenação e prisão de Jesus, chamado de Sermão do Depósito. Vamos nos debruçar agora, nas palavras que Jesus profere, quando é condenado e, consequentemente, quando é preso e fica diante de Pilatos, o chamado Sermão da Prisão.

Podemos dividir o Sermão da Prisão em três momentos: o primeiro acontece no momento da prisão de Jesus. Quando Judas Iscariotes chega com os soldados e através de um beijo no rosto de Jesus mostra a eles quem deveriam prender. Jesus consciente de tudo o que deveria acontecer com ele, faz a pergunta: “A quem procurais”? (cf. Jo 18,5). Quando Jesus responde que era ele, os soldados caem por terra e de novo Jesus lhes indaga: “A quem procurais”? E os soldados respondem: “A Jesus Nazareno” (cf. Jo 18,8). E Jesus responde mais uma vez que era Ele e que eles deixassem que os discípulos se retirassem. Dessa maneira se cumpria a escritura que dizia, “não perdi nenhum daqueles que me confiaste” (cf. Jo 18, 8).

Observamos nesse primeiro trecho do Sermão da Prisão, que Jesus era consciente de tudo aquilo que ele viria a sofrer, em nenhum momento se negou a ser preso, mas se entrega livremente por amor a missão confiada a Ele pelo Pai. Observamos ainda que até o último momento Jesus preserva os inocentes e aqueles que lhe foram confiados.

O segundo momento do Sermão da Prisão acontece quando apresentam Jesus ao Sumo Sacerdote Anás e esse interroga Jesus sobre os discípulos e seu ensinamento diante do povo. Jesus não se cala e responde: “Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse” (cf. Jo 18, 19).

A principal acusação que eles tinham contra Jesus, era justamente sobre a doutrina que Ele pregava, mas como nós sabemos Jesus ensinava tudo aquilo que aprendeu do Pai. O que eles ficavam mais enfurecidos, era que Jesus ia na contramão daquilo que eles pensavam. Enquanto eles pregavam o ódio, a violência e a exclusão, Jesus pregava o amor, a misericórdia e a inclusão de todos. Jesus veio para mudar a “mentalidade” da época, mas eles não aceitavam. Por isso queriam condená-lo à morte, para não atrapalhar o plano deles.

A terceira parte do Sermão da Prisão se dá quando levam Jesus diante do governador Pôncio Pilatos, na sexta-feira pela manhã. Pilatos ainda questiona aos que apresentaram Jesus a ele, dizendo: “Que acusação apresentais contra este homem”? E eles respondem que se não fosse malfeitor, não o apresentariam a ele. Pilatos ainda diz, para eles mesmos julgarem Jesus, e eles respondem que não podem condenar ninguém a morte. De fato, os judeus não podiam, pois estavam dominados pelo império Romano.

Pilatos entra novamente no Palácio e começa a questionar Jesus: “Tu és o Rei dos Judeus”? E Jesus lhe diz: “Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim”? E Pilatos diz que os próprios Judeus o entregaram a ele para matá-lo e pergunta a Jesus o que ele fez. Jesus responde: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

De fato, o reino de Jesus não é deste mundo, o reino de Jesus é o Reino de Deus, que ele instaura aqui na terra e nos ensina a vivê-lo aqui, para depois experienciarmos de maneira plena e definitiva no céu.

E Pilatos continua indagando a Jesus e pergunta se ele é rei e Jesus diz que era Rei e veio ao mundo para isso, para ser Rei e dar testemunho da verdade. E todos que quisessem fazer parte do seu reino, seriam essas testemunhas da verdade e do amor de Deus.

Pilatos apresenta Jesus aos judeus e pergunta a eles quem que eles queriam que ele soltasse, Jesus ou Barrabás. Barrabás era um bandido. Mas o povo Judeu em sua maioria, pede a Pilatos que solte Barrabás e condene Jesus. Pilatos ainda diz, que não via em Jesus crime algum e diz: Levai-o, vós mesmos para crucificá-lo. E conduzem Jesus até o calvário.

Esses são os três momentos do sermão da Prisão de Jesus e nos três momentos do sermão, podemos observar que Jesus não se esquiva de nenhuma pergunta, fala claramente e defende a justiça e a verdade. E em nenhum momento quer fugir da condenação a ele imposta, mas abraça livremente por amor ao Pai e a missão a ele confiada. De fato, não perder nenhum daqueles, que a ele foram confiados.

Contemplemos a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras e da sua prisão. Jesus sentiu perturbação diante do poder da morte, dentro de um duelo entre luz e trevas: a angústia de Jesus é algo de muito mais radical do que a angústia que assalta todo o homem diante da morte: é o próprio duelo entre luz e trevas, entre vida e morte. O próprio Deus bebe o cálice de tudo aquilo que é terrível e, assim, restabelece o direito por meio da grandeza do seu amor, o qual, através do sofrimento, transforma a escuridão em luz que não há de passar. E neste momento da agonia de Jesus, quando os discípulos dormiram, e, se a sonolência dos discípulos permanece, ao longo dos séculos, será ocasião favorável para o poder do mal.

Depois do interrogatório, ficou claro para Pilatos o que, em princípio, ele já sabia antes: aquele Jesus não era um revolucionário político, a sua mensagem e o seu comportamento não constituíam um perigo para a dominação romana. São João é o único que se refere ao diálogo entre Jesus e Pilatos, no qual é apresentada, em toda a sua profundidade, a questão da realeza de Jesus; o motivo da sua morte. Jesus continua morrendo em cada pessoa que morre vítima do desprezo pela vida que Jesus restaurou dando a sua vida para que todo o cristão tenha a vida plena!

Perdoai-nos, ó Pai, as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos ofendeu! Muitos hoje são presos pelo crime, pelas transgressões, pela violência, pela maldade, pelas fake news e pelo ódio que quer dividir nosso mundo entre eles e nós! Jesus, livremente, caminha para o Calvário! Por amor Ele morre para nos salvar! Jesus vence todas as divisões por amor, compaixão e misericórdia! Por isso nesta semana procuremos uma conversão plena de nossos pecados e caminhemos com Cristo pela Via Crucis e, modificando nossa vida, vivamos em favor da vida!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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