São José Operário

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O Padroeiro dos Trabalhadores
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RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

A memória de São José Operário, vem-se celebrando liturgicamente desde 1955. A Igreja recorda assim- seguindo o exemplo de São José e sob o seu patrocínio, a valorização do ser humano e a questão sobrenatural do trabalho. Todo o trabalho humano é colaboração com a obra de Deus Criador, e por Jesus Cristo converter-se na medida do amor a Deus e da caridade com os outros em verdadeira oração e em apostolado.

Neste ano dedicado a São José, por vontade do Papa Francisco, desde 08 de dezembro de 2020 estendendo-se até o dia 08 de dezembro de 2021 somos chamados a refletir sobre a Carta Apostólica Patris Cordi. Num mundo de tantas incertezas tenhamos a coragem e o destemor de São José, conforme nos ensina o Papa Francisco: “O que Deus disse ao nosso Santo – «José, Filho de David, não temas…» (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: «Não tenhais medo!» É necessário deixar de lado a ira e a desilusão para – movidos não por qualquer resignação mundana, mas com uma fortaleza cheia de esperança – dar lugar àquilo que não escolhemos e, todavia, existe. Acolher a vida desta maneira introduz-nos num significado oculto. A vida de cada um de nós pode recomeçar miraculosamente, se encontrarmos a coragem de a viver segundo aquilo que nos indica o Evangelho. E não importa se tudo parece ter tomado já uma direção errada, e se algumas coisas já são irreversíveis. Deus pode fazer brotar flores no meio das rochas. E mesmo que o nosso coração nos censure de qualquer coisa, Ele «é maior que o nosso coração e conhece tudo»

Proclamando São José como protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles dando-lhes como patrono o mais exemplar dos homens, aquele que aceitou ser pai putativo do Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

Foi no primeiro de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos, na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.

Quanto o Título: São José Operário, este é um paralelo entre a vida de São José que foi cheia de sacrifícios. São José trabalhou a vida toda para ver Nosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, pleiteando respeito a seus mínimos, para entender os motivos que levaram o Papa Pio XII a instituir a festa de “São José Trabalhador”, em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalho, em quase todo o planeta.

A vida de São José foi toda ela um contínuo serviço a Jesus e a Maria. Nós cremos que foram realmente proféticas as palavras que lhe dirigiu o sábio oriental quando lhe disse que ele era “o mais feliz dos mortais…” Sim, ele o foi. Que outro paraíso podia dar-lhe Deus, se ele já viveu o céu na terra?

Temos textos bíblicos que falam de José, o pai putativo de Nosso Senhor Jesus Cristo: Mt 2, l3-23 e Lc 2, 4-52. Destes textos, uma atenta leitura nos leva a tirar dois dados importantes: sua condição de carpinteiro ou artesão: “Não é este (Jesus) o filho do carpinteiro? “(Mt 13-55). Era conhecido, portanto, em Nazaré, por seu ofício. O outro dado é um juízo sobre sua pessoa: “Seu esposo José, como era justo e não queria colocá-la em evidência…” (Mt 1,19). Por estes textos e dados fundamentais, podemos ter acesso à imagem de São José como esposo fiel de Maria, pai adotivo de Jesus e honrado artesão e operário, que vivia de seu trabalho. Pouco mais sabemos de sua vida e de sua morte, a não ser através dos evangelhos apócrifos ou da tradição.

São José ensina-nos a realizar bem o ofício que nos ocupa tantas horas: as tarefas domésticas, o laboratório, o arado ou o computador, o trabalho de carregar pacotes ou de cuidar da portaria de um edifício. A categoria de um trabalho reside na sua capacidade de nos aperfeiçoar humana e sobrenaturalmente, nas possibilidades que nos oferece de levar adiante a família e de colaborar nas obras em favor dos homens, na ajuda que através dele prestamos à sociedade.

São José, enquanto trabalhava, tinha Jesus diante de si. Deve ter pedido que segurasse uma madeira enquanto ele a serrava, ensinando a manejar o formão e a plaina… Quando se sentia cansado, olhava para o seu filho, que era o Filho de Deus, e aquela tarefa adquiria aos seus olhos um novo vigor, porque sabia que com o seu trabalho colaborava com os planos misteriosos, mas reais, da salvação. Peçamos-lhe hoje que nos ensine a ter essa presença de Deus que ele teve enquanto exercia o seu ofício. E não nos esqueçamos de Santa Maria, a quem vamos dedicar com muito amor este mês de maio que inicia com essa festa. Não nos esqueçamos de oferecer em sua honra todos estes dias, alguma hora de trabalho ou de estudo, em especial o terço mariano pelo fim da pandemia como nos pede o Santo Padre, o Papa Francisco.

São José é o protetor da Igreja Católica Universal, que peregrina em todo o orbe. Devemos ter uma profunda devoção por ele porque protegeu Maria e Jesus e é modelo de virtudes. 

Deus abençoa todos os trabalhadores! Rezamos, com grande fé, a São José para que interceda por todos os trabalhadores, mantendo o seu trabalho com condições dignas de emprego e renda. E os que, infelizmente, estão desempregados sejam recolocados e possam viver com dignidade. São José, rogai por nós!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ