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Os dois doentes da enfermaria

Os doentes internados no mesmo quarto
Material para catequese
Material para catequese

Certa vez, dois homens gravemente doentes estavam internados no mesmo quarto de um hospital, no quinto andar. Um deles ficava bem ao lado da única janela do quarto, e o outro, mais debilitado, ficava na cama oposta, sem poder se levantar.

Todos os dias, pela tarde, o homem da janela era colocado sentado na cama por cerca de uma hora para receber tratamento. Durante esse tempo, ele descrevia para o companheiro tudo o que via lá fora, com detalhes maravilhosos:

— Ah, que lindo! Hoje o parque está cheio de flores coloridas… tem crianças correndo e brincando, o lago refletindo o céu azul, um bando de pássaros voando em formação… Olha só, um casal passeando de mãos dadas, e o sol dourado iluminando tudo!

O outro doente, que só podia ouvir, ficava encantado com aquelas descrições. Ele imaginava a beleza da paisagem, sorria, se animava e até se esquecia um pouco das dores. Aquelas palavras eram como um remédio para sua alma.

Isso continuou por dias e semanas. O homem da janela sempre falava com entusiasmo das árvores verdes, do mar ao fundo (em algumas versões é um jardim florido ou o mar), das famílias felizes, das nuvens fofas…

Até que um dia o homem da janela piorou e faleceu pacificamente durante a noite.

No dia seguinte, quando o enfermeiro veio arrumar o quarto, o outro doente pediu para ser transferido para a cama ao lado da janela. Ele queria, enfim, ver com os próprios olhos aquela paisagem tão linda que ouvira por tanto tempo.

Quando o colocaram lá e ele conseguiu olhar pela janela… ficou surpreso e emocionado.

A janela dava para um muro cinza e alto, sem nenhuma vista bonita: nem flores, nem parque, nem mar, nem crianças. Apenas uma parede sem graça.

Então ele entendeu tudo: o companheiro inventara aquelas descrições maravilhosas para alegrá-lo, para dar esperança e beleza à vida dele, mesmo estando tão doente. Não era a vista que era linda… era o coração generoso daquele homem!

A historinha ensina que nem todo mundo que enxerga, vê de verdade. Às vezes, a maior beleza está na forma como olhamos para a vida e como ajudamos os outros a verem luz, mesmo nos dias mais escuros.