Grito dos excluídos

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Grito dos excluídos

Tradicionalmente no dia 07 de Setembro, dia da Independência do Brasil é celebrado o dia do Grito dos Excluídos, ou seja, daqueles que não tem nem voz e nem vez na sociedade. Daqueles que depois de tantos anos de história desse país ainda não tem uma moradia ou emprego digno.

Muitas famílias não têm acesso a uma educação digna para os seus filhos, são impedidos de matricular os seus filhos nas escolas ou creches por falta de vaga. Muitos pais de família não têm acesso a uma vaga de emprego para poder levar o alimento digno para a mesa de sua casa. Essa situação se agravou muito mais esse ano devido a pandemia do Covid-19 em que aumentou muito o número de desempregados.

Muitas mães são obrigadas a educar os seus filhos sozinhas sem o apoio de ninguém, pois foram abandonadas por seus parceiros. E a situação do emprego para mulheres é ainda mais complicado. E quantas crianças não são abandonadas por seus pais e são criadas ou por seus avós ou sozinhas no mundo e em meio a uma grande desigualdade social.

Vivemos sempre em meio a uma grande desigualdade social, onde muitas famílias têm direito garantido a escola, trabalho, saneamento básico, alimentação e saúde. E outras não tem esse mesmo direito garantido, muitas crianças são obrigadas a ir para as ruas pedir dinheiro e esmolas para poder levar o sustento diário para a sua família em casa. Muitas crianças morrem por não terem acesso a saúde digna.

É necessário que o governo olhe essa situação e faça algo para amenizar essa desigualdade social. Cabe a nós enquanto sociedade não ficar apenas olhando essa situação, mas pedir que o governo tenha uma especial atenção para esse problema. E procurar ajudar de alguma forma que vive essa situação, para que todos possam ter acesso a moradia, educação, saúde e emprego.

Não podemos viver numa sociedade desigual, mas ao contrário, ela tem que ser igual para todos. Rezemos nesse dia por nossa Pátria, para que ela se torne livre das desigualdades sociais, da miséria e da fome. Não podemos permitir que em pleno século XXI tenham famílias vivendo em situação de desigualdade.

Esse ano de 2020 celebraremos o 26º Grito dos excluídos com o tema “vida em primeiro lugar”, pedindo justamente a defesa da vida em todas as suas formas. Desde a concepção até a vida adulta. Não podemos permitir jamais o aborto em qualquer situação. O grito dos excluídos deste ano alerta para o fim da miséria e da repressão, e o fim do racismo. Não podemos permitir nos dias de hoje qualquer forma de racismo seja por cor ou por desigualdade social.

Um superior não pode destratar o seu subordinado, achando-se superior ao seu subordinado. Eles são iguais, são seres humanos e ambos filhos de Deus. A única coisa que os separa é o cargo, mas nem por isso esse superior deve destratar o seu subordinado. As pessoas independente da classe social ou do cargo tem que se respeitarem.

As abordagens policiais como temos visto nos jornais nos últimos dias, não deve ser diferente para brancos ou negros, tem que ser da mesma forma para ambos e não deve ser agressiva, mas de forma tranquila, respeitando a vida que está ali diante dele.

Portanto o Grito dos Excluídos deste ano quer chamar a atenção para o fim da miséria, repressão e do preconceito. E vem pedir mais emprego digno para cada cidadão, uma moradia digna para todos e mais participação na sociedade.

O Grito dos Excluídos vem pedir o fim de todas as formas de violência, contra a mulher, contra crianças, contra pais de família e a violência da desigualdade social que muitas vezes está “escondida”, não a enxergamos, mas ela existe. 

Por isso, celebremos esse dia 07 de Setembro rezando pela nossa pátria e pelo povo brasileiro e pedindo sobretudo o fim da desigualdade social e da violência e que todos possam ter acesso a saúde, emprego, educação e saneamento básico. Que todos tenham condições de vida digna e as pessoas possam se respeitar como filhos de Deus.

Que de alguma forma essa celebração do Grito dos excluídos possa abrir os olhos da sociedade como um todo e principalmente das autoridades para olharem por aqueles que mais sofrem e que não tem vez e nem voz.

Rezemos nesse dia por nossa Pátria e por nosso povo Brasileiro e que Deus e Nossa Senhora Aparecida, Padroeira e Rainha do Brasil, olhe por todos nós. Amém!

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG