Como dar graças depois de receber a comunhão?

Por quanto tempo Jesus fica presente na Eucaristia após recebermos a Comunhão?
Material para catequese
Material para catequese

Cada um reza depois de receber Cristo na Eucaristia da maneira que o Espírito Santo o inspira. Seja qual for a forma de oração, convém o recolhimento ao regressar da Comunhão, para atender devidamente Àquele que nos habita, o próprio Deus, Rei e Senhor do Céu e da Terra.


Algumas sugestões sobre como você pode começar o Dia de Ação de Graças após a Comunhão


1. Adoração à Santíssima Trindade:

       Jesus é o Filho de Deus feito Homem. Estamos tão unidos a Cristo depois de receber a Comunhão que podemos fazer nossos os atos que a sua santíssima humanidade presta ao Pai, em união com o Espírito Santo.

       Assim, Cristo se torna nossa ação de graças (nossa Eucaristia). Ele é quem supre todas as nossas deficiências, cura todas as nossas doenças, corrige todas as nossas fraquezas.

       Aproveitar este momento da presença de Jesus em nossos corações para adorar o Pai por meio de seu Filho em união com o Espírito Santo é uma forma de dar graças a Deus.

2. Fique em silêncio e ouça a voz do Senhor:

       Alguns preferirão fazer como Maria, irmã de Marta e Lázaro: ouvir com atenção o que Ele quer nos dizer. São momentos em que o Senhor tende a iluminar o nosso entendimento para lhe dizer o que quer de nós e animar a nossa vontade para que o façamos.

       É um bom momento para ouvirmos a Deus e deixá-lo moldar nossa alma de acordo com sua vontade.

3. Medite na Palavra de Deus:

       Alguns salmos favoritos podem ser ditos:

O Senhor é meu Pastor, nada me falta,
em verdejantes pradarias me faz repousar,
me conduz a fontes calmas
e repara minhas forças.

Ainda que eu passe por vales escuros, nada temerei,
a tua vara e o teu cajado me dão segurança.
(Salmo 23)

Ou leia devagar ou reveja de cor, meditando, por exemplo, algumas das palavras de Jesus na Última Ceia:

A ÚLTIMA CEIA
(Resumo das palavras de Jesus na Última Ceia)

(Jo 13-17)

Não fostes vós que me escolhestes,
fui eu mesmo que vos escolhi.
Já não vos chamo servos, mas amigos,
ficareis, para sempre, Comigo.
(Jo. 15, 15-16)

Lembrai-vos do meu novo mandamento,
pelo qual sereis reconhecidos, de
que vos ameis uns aos outros,
como eu vos amei, até ao ponto de dar a minha vida.
(Jo. 13, 34; 15, 12-13 e 17)

Todo aquele que diz que me ama,
deve guardar minha palavra,
e ele será amado por meu Pai – e
viremos a ele e faremos nossa morada com ele.
(Jo 14, 21-23; 15, 9-10)

Eu sou a Verdade, eu sou o Caminho,
eu sou a Vida e a Ressurreição,
quem me segue não se perderá,
porque eu sou a Luz, eu sou a sua salvação.
(Jo. 14, 1-8)

Assim como o Pai me enviou,
também eu vos envio;
Eu te envio para estar no mundo,
mas não para ser dele, pois só de Deus você será.
(Jo. 17, 6 e 9-10, 14–18)

Eu sou a videira, vós as varas,
e Meu Pai é o agricultor;
se permanecerdes unidos a Mim,
dareis bons frutos e Me glorificareis.
(Jo. 15, 1-5; e 8)

Que todos vocês sejam um,
como meu Pai e eu somos:
como o Pai em mim e eu nele,
você também, um em Nós será.
(Jo. 14, 20; 17, 21)

Tomai e comei isto é o Meu Corpo,
que é dado para a vossa saúde.
Tomai e bebei, este é o Meu Sangue,
que derramei por vós na cruz.
(Lc. 22, 7-20; Mt. 26, 17-29; Mc. 14, 12-25;
1 Cor. 11, 23-36)

4. Pedir “coisas boas”:

       A oração nunca deve ser preferencialmente um pedido, muito menos depois da Comunhão, quando o Dono do mundo habita em nós.

Neste momento, é preferível uma oração de adoração, ação de graças, confiança e abandono, louvor, etc.

       Porém, se quisermos aproveitar esses momentos especiais em pedidos, aproveitemos para pedir aquelas “coisas boas” que Deus nos quer dar (cf. Lc. 11, 13).

       Por exemplo: “As coisas boas” são virtudes (Senhor: aumenta a minha Fé. Senhor: quero ser mais humilde. Senhor: ajuda-me a ser dócil aos teus desígnios). “Coisas boas”são bem-aventuranças (Senhor: quero ser pobre de espírito, sabendo que nada sou, nada posso fazer sem Ti. Senhor: dá-me a aceitação deste sofrimento). As “coisas boas” são frutos do Espírito (Senhor: ensina-me a ser generoso com os outros, ensina-me a compreender e a perdoar. Senhor: dá-me temperança e domínio próprio).

PARA UMA GRAÇA DE LONGO PRAZO

      Embora o próprio ato da Comunhão seja transitório e fugaz, o efeito que o Sacramento produz na alma – a união com Deus – é permanente. Ou seja, dura o quanto quisermos.

       Portanto, nossa ação de graças de longo prazo deve contemplar o fato de que, sendo a Eucaristia o Sacramento da união com Deus, devemos permanecer em Cristo para que Ele permaneça em nós.

       No tempo após a recepção da Eucaristia, não podemos permitir, então, que as tendências que se opõem à nossa união com Deus diminuam ou interrompam esta comunhão: atitudes contra a Vontade Divina, falta de Fé e confiança em Deus, pecados mortais ou veniais, etc. .

       Pelo contrário, devemos aumentar em nós a vida de Deus e aumentar esta comunhão e identificação com Cristo, através da oração, das boas obras, da penitência, da aceitação da Vontade de Deus e da colaboração ativa nos seus desígnios, do exercício das virtudes, etc.

       São Paulo nos lembra que devemos viver “amando como Cristo que nos amou e se entregou por nós, como oferta e vítima” (Ef 5,2). Com efeito, Cristo entregou-se por nós na cruz… e entrega-se a nós em cada Eucaristia.

       Se Ele nos ama assim, como não retribuir esse amor com “alguma coisa”! amá-lo antes de tudo e amar uns aos outros como Ele nos ensina a amar uns aos outros. E amar-se, não só evitando o mal aos outros, ou fazendo uma ou outra “obra de caridade”, mas também dando a própria vida.

       E dar a vida não significa necessariamente morrer pelos outros, como Cristo, embora tenha havido e continue a haver casos de autêntico martírio. Dar a própria vida também significa pensar primeiro em buscar o bem dos outros e depois no próprio… E pode até ser que se esqueça do próprio bem. Impossível? Muitos têm. Alguns ainda o fazem. Não é impossível.

       Lembremo-nos, então, que a fonte de onde recebemos as graças para poder agir como Cristo, na entrega de amor a Deus e aos outros, está na Eucaristia, que -além disso- é o alimento para o nosso caminho para eternidade.

ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

       O Papa João Paulo II nos diz em sua Encíclica sobre a Eucaristia que no culto eucarístico fora da Santa Missa “os frutos da comunhão do corpo e do sangue do Senhor se prolongam e se multiplicam”.

       E continua: “O culto da Eucaristia fora da Missa tem um valor inestimável na vida da Igreja. Tal culto está intimamente ligado à celebração do Sacrifício Eucarístico.

       “A presença de Cristo sob as sagradas espécies que se conservam depois da Missa – presença que dura enquanto subsistirem as espécies do pão e do vinho – deriva da celebração do Sacrifício e tende à comunhão sacramental e espiritual.”

       “É bonito estar com Ele e reclinar-se sobre o seu peito como o discípulo predileto (cf. Jo 13, 25), apalpe o amor infinito do seu coração. Se o cristianismo se distingue no nosso tempo sobretudo pela “arte da oração”, como não sentir uma renovada necessidade de passar longos períodos de tempo em conversa espiritual, em adoração silenciosa, em atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência e nela encontrei força, conforto e apoio!

       “Numerosos Santos nos deram o exemplo desta prática, repetidamente elogiada e recomendada pelo Magistério. De modo particular, distinguiu-se por isso Santo Afonso María de Ligorio, que escreveu: «Entre todas as devoções, esta de adorar Jesus no sacramento é a primeira, depois dos sacramentos, a mais apreciada por Deus e a mais útil para nós”. A Eucaristia é um tesouro inestimável; não só a sua celebração, mas também estar diante dela fora da Missa, nos dá a possibilidade de chegar à própria fonte da graça”.

       Concluímos com uma citação do Papa na sua Encíclica que denota a importância que devemos dar à Eucaristia, “Pão da Vida”:

       “Dando à Eucaristia todo o destaque que ela merece, e tendo muito cuidado para não subestimar nenhum dos seus dimensões ou exigências, estamos verdadeiramente conscientes da magnitude deste dom… Não há perigo de exagerar ao considerar este Mistério, porque “neste Sacramento se resume todo o mistério da nossa salvação” (S. Tomás de Aquino)”.