Fala, Senhor, que teu servo escuta

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Vocação: Chamado de Deus

II DOMINGO DO TEMPO COMUM

“Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,9)

Hoje, ao celebrar a Liturgia do II Domingo do Tempo Comum, somos convidados a refletir sobre disponibilidade em recepcionar e vivenciar os desafios de Deus nas nossas vidas através dos planos, principalmente, compreendendo e descobrindo os caminhos preparados para vivenciarmos a vocação que nos é designada.

Na Primeira Leitura, extraída do Primeiro Livro de Samuel (cf. 1Sm 3,3b-10.19), é narrado o chamado de Deus a Samuel. Onde através da iniciativa do próprio Senhor, Samuel inicia sua imersão e no encontro com Aquele que o chama várias vezes e se faz conhecer. Ora, o aceitar da vocação se dá a partir do momento que é convidado – Então o Senhor chamou: ‘Samuel, Samuel!’ – e o aceitar do convite – ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!’ – pois, assim, através do compreender do mistério, pouco a pouco, constitui o plano de Deus a cada um de nós.

O Evangelho de João (cf. Jo 1,35-42) descreve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos, aos quais, conheceram o Messias através do testemunho do João Batista – “Eis o Cordeiro de Deus!” – porém, tais discípulos André (irmão de Simão Pedro) e o próprio evangelista João, não se limitam em apenas ouvir o testemunho “da voz que grita no deserto”, mas sim buscam conhecer e seguir a Jesus, fazendo que o testemunho se vá desencadeando sucessivamente, afinal exclamar: “Encontramos o Messias”, é fruto de um encontro particular, caracterizando um contínuo aprofundamento de fé.        

A Segunda Leitura, extraída da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (cf. 1Cor 6,13c-15a.17-20), Paulo adverte a comunidade de Corinto a vivenciarem de forma indubitável ao chamado de Deus. Se afastando da imoralidade, de qualquer pecado que venha a cometer, afinal usar do seu corpo a vivenciar experiências que afasta da dignificação do santuário do Espírito Santo, acarreta falhar na missão, dando uma atenção a imoralidade e a uma necessidade carnal. Por isto, devemos estar atentos em nossas ações para que não vá em desencontro a qualquer profanação do nosso corpo, Templo do Espírito. “De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo” (cf. 1Cor 6,20).  

Enfim, imersos na Palavra desta Liturgia, possamos rever nossas ações sob o olhar da sabedoria que nos é dada, usufruindo da vocação que somos chamados e vivenciar sem medidas os desafios do discípulo que exclama: “Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,9).

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG