01 – A PROFISSÃO DE FÉ
(Itens 23 a 46 do Catecismo da Igreja Católica)
Eu creio, nós cremos -: quando professamos a nossa fé, dizemos “Eu creio” ou, em comunidade, “Nós cremos”. Pergunta-se então: O que é a fé? A Igreja nos responde: a fé é a resposta do homem a Deus, que se revela e se dedica a esse homem. E a fé nos ensina a procurar um sentido último para nossa vida, a encontrar as respostas às perguntas “de onde viemos?”, “para onde vamos?” e “qual o sentido da vida?”.
O desejo de Deus está escrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus. E esse desejo é que o homem esteja unido a seu Criador, pois somente Nele o homem encontrará a verdade e a felicidade que procura. Logo, o homem deve ser um ser religioso. Mas nem todos o são. O homem pode esquecer-se de Deus, ignorar Deus ou até mesmo rejeitá-lo. As causas destas atitudes podem ter origens diversas: a revolta contra os males do mundo, a ignorância religiosa, as preocupações excessivas com as coisas materiais, o mau exemplo daqueles que se dizem religiosos, as filosofias contrárias à religião e finalmente o pecado, que faz com que o homem tente se esconder de Deus.
Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, este por sua vez não esquece nem rejeita o homem, qualquer que seja a sua atitude para com Ele, e chama todo homem sem cessar. Se o homem responde a Deus, esse homem é um homem de fé. Mas isso exige do homem todo o esforço de sua inteligência e a retidão de sua vontade.
As “vias” para conhecer a Deus – : o homem que procura a Deus descobre certos caminhos (ou “vias”) para chegar ao seu conhecimento. Estas vias tem como ponto de partida o mundo material e a pessoa humana.
O mundo: a partir da ordem e da beleza do mundo, podemos pensar que alguma coisa que existisse ao acaso seria um verdadeiro caos, e provavelmente não poderia sustentar a vida como a conhecemos. Isso pressupõe um Criador. Santo Agostinho dizia “a ordem e a beleza do mundo, quem as fez senão Deus?”.
O homem: como possui consciência moral, liberdade, vontade e inteligência, o homem é superior a tudo que existe sobre a Terra. Isso porque essas virtudes indicam a existência de uma alma espiritual. Essa alma não pode ter origem ao acaso e somente pode ser explicada por uma Vontade acima de tudo o que existe. Essa Vontade é Deus.
O conhecimento de Deus segundo a Igreja -: a Igreja ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido pela razão do homem, a partir das coisas criadas. Sem esta capacidade, o homem não poderia conhecer a Deus. Todavia, o ser humano encontra muitas dificuldades para conhecer a Deus somente pela sua razão, isso porque Deus está acima do simples pensamento racional. Muitos são levados pelo pensamento racional: “se eu não vejo, não escuto e nem sinto, isso não existe”. Mas não é assim que se deve raciocinar. Por isso a Igreja acrescenta, além da razão, a chamada revelação de Deus ao homem. Pois, como será visto ao longo deste estudo do Catecismo, Deus se revelou ao homem de muitas formas, e continua se revelando através dos tempos.
Como falar de Deus? -: a Igreja confia em que todo ser humano tem o pensamento racional e por isso mesmo qualquer homem pode ser atingido pela noção da existência de Deus. Por isso, a Igreja dialoga com outras religiões, com a ciência e até mesmo com os ateus. Como o nosso conhecimento de Deus é limitado, só podemos falar de Deus de uma forma também limitada, mas algumas pistas podem ser dadas:
a) Todas as criaturas trazem em si alguma semelhança com Deus: principalmente o homem, criado à sua imagem e semelhança. Por isso, tudo o que as criaturas possuem de bom refletem uma pequena parte de Deus.
b) Deus ultrapassa a toda a criatura: por isso, não podemos compreender a Deus com as nossas representações humanas. Deus não é um senhor velho, barbudo e austero, habitando as nuvens do céu e de lá comandando a tudo e a todos. Deus está acima de nossa compreensão humana, mas podemos sentir que “Ele está no meio de nós” e em tudo o que existe.
c) Não podemos apreender de Deus o que Ele é, mas apenas o que Ele não é: com efeito, é preciso lembrar que se temos alguma semelhança com Deus, as nossas diferenças com Ele são muito maiores.













