Início Formação Enriqueça sua fé O que significa ser criança diante de Deus?

O que significa ser criança diante de Deus?

O que significa ser criança diante de Deus?
Material para catequese
Material para catequese

Ser criança diante de Deus implica em atitudes fundamentais que refletem o relacionamento com Ele como Pai. Essas atitudes são: confiança filial, obediência e amor filial.

1. Confiança filial

A confiança filial é um dos pilares da relação entre o ser humano e Deus. Deus é um Pai todo-poderoso, e essa afirmação teológica nos leva a uma atitude de confiança genuína, assim como a de uma criança que confia cegamente nos seus pais. Essa confiança não é fruto de reflexão, mas de uma experiência originária. A criança vive com segurança e proteção porque confia em seus pais, instintivamente, sem questionamentos.

O que é espontâneo para a criança, nós, adultos, precisamos reconquistar se desejamos ter a alma de criança. O que o filho assume de seus pais naturais, o homem filial reconhece no Pai celestial. O Padre José Kentenich, Fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, sempre procurou conduzir-nos a essa confiança filial: “O meu esforço pessoal, em relação a toda a Família, é que nos tornemos heróis da confiança”.

Ele frequentemente ilustra essa confiança heróica com a imagem do filho do marinheiro. Mesmo ciente do perigo em alto mar, o filho não se desespera, mas mantém a calma, pois sabe que seu pai está no leme. Essa confiança é a mesma que devemos buscar: “O Pai segura o leme nas suas mãos, mesmo que eu não saiba o destino nem o caminho” (Rumo ao Pai, 399). Quando confiamos a direção de nossas vidas a Deus Pai, a segurança existencial renasce.

A Confiança Filial: A Segurança do Pai em Meio aos Altos e Baixos da Vida

Essa confiança nos dá a “segurança do pêndulo”, que permanece firmemente agarrada de cima. O Pai é nossa rocha inabalável, a tranquilidade do filho, em meio aos altos e baixos da vida. O Padre Joseph Kentenich afirmou: “A criança supera tudo pela confiança” (Deus meu Pai, 223).

A infância espiritual, portanto, consiste em uma fé simples na Providência Divina, que nos faz ver uma mão paterna e bondosa presente em todos os acontecimentos da vida. Filialidade¹ não é evasão de responsabilidades, mas protagonismo histórico e criativo. É compartilhar responsabilidades com o Pai e lutar por um mundo digno Dele.

2. Ser criança: Obediência filial

A verdadeira filialidade exige, em segundo lugar, docilidade e submissão à vontade de Deus. A obediência ao Pai é fundamental. Seguindo o exemplo de Jesus, «o homem filial sabe que a sua obra só é grande na medida em que corresponde ao desejo do Pai» (Deus meu Pai, 319).

Cada decisão deve ser guiada por esta pergunta: Pai, o que mais te agrada? A obediência, portanto, dá à infância espiritualidade, vitalidade e heroísmo. Ela torna o filho exigente e educativo. Porque, na imagem verdadeira do Pai, há não apenas bondade, mas também força. Deus Pai pode nos causar dor para nos tornar mais semelhantes ao seu Filho unigênito. Porém, é sempre o amor que leva o Pai a impor exigências severas sobre nós.

3. Amor filial

Por fim, o amor filial é o elo mais forte da relação com Deus Pai. O Padre Kentenich afirma: “Os santos tornaram-se santos a partir do momento em que começaram a amar, e só começaram a amar quando acreditaram, souberam e sentiram que eram amados por Deus” (Deus meu Pai, 248).

Nosso amor deve ser semelhante ao amor de crianças. Devemos deixar de lado as complicações adultas e aprender a amar com simplicidade. Abandonar as máscaras de falsa grandeza e autossuficiência, e nos render com sincera humildade. Passar de um amor racional e calculista para um amor espontâneo e caloroso. Essa simplicidade e autenticidade na entrega cativam o amor do Pai.

É por isso que nosso amor deve crescer e ser purificado. O amor primitivo gira em torno de si mesmo e de seus interesses. O amor filial maduro, por outro lado, gira em torno do Pai e de sua vontade. Isso exige autoeducação contínua, luta diária constante, sacrifícios e rendições heróicas. Contudo, sabemos que essa é a única maneira de mudar e ser criança diante de Deuss, para que possamos entrar no Reino do Pai eterno.


  1. A filialidade é o comportamento ou a atitude de um filho em relação aos seus pais. No contexto religioso, especialmente no cristianismo, a filialidade refere-se à relação de obediência, amor e respeito a Deus, reconhecendo-O como um Pai celestial. A pessoa que demonstra filialidade busca viver de acordo com a vontade divina, confiando em Deus e submetendo-se aos Seus ensinamentos, assim como um filho confia e obedece aos seus pais naturais.
    No fundo, a filialidade envolve uma relação de confiança, humildade e submissão à autoridade paternal, seja no contexto familiar ou espiritual.