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Conscientes de nossa fraqueza

A Fraqueza da Alma e o Caminho para a Conversão do Coração
Material para catequese
Material para catequese

Penso que muitas vezes o nosso problema de conversão do coração, que nos leva à falta de identidade, não é outro senão essa espécie de leviandade, essa superficialidade com que, quando vemos as situações que vivemos, pensamos que no final nada acontece. No entanto, pode ser que, quando quisermos consertar as coisas, não haja mais possibilidade de fazê-lo.

Quantas vezes vivemos com uma superficialidade que nos impede de entrar em nosso interior e perceber a gravidade de alguns comportamentos ou atitudes que estamos adotando? Ou perceber a gravidade de alguns movimentos internos que estamos permitindo? Com isso, estamos aceitando um modo de vida que pode realmente nos afastar de Deus, endurecer nossos corações e impedi-los de se converter e se entregar a Deus nosso Senhor.

A fraqueza da alma e a vigilância espiritual

Quantas vezes esse problema ocorre nas almas, e como, quando percebemos isso, podemos simplesmente dizer: “Não é importante, nada acontece”? No entanto, é como se o soldado que estava de guarda em seu posto ouvisse um barulho e dissesse: “Não é nada”. Mas e se houvesse alguém por trás desse barulho?

Contudo, para estar vigilante, não basta ser indiferente. Para observar verdadeiramente, é muito importante que percebamos tanto a profundidade quanto a fraqueza da alma. Precisamos perceber que a vida não é garantida. Quem entre nós pode colocar a mão no fogo pela nossa própria segurança ou pela nossa própria salvação? São Paulo diz: “Aquele que está de pé, cuide-se para que não caia.”

A consciência da fraqueza leva à vigilância

Devemos ter consciência de que somente uma alma que sabe que está ferida é verdadeiramente capaz de vigilância. Porque então ela terá uma espécie de instinto interior que a levará a não deixar as coisas passarem sem antes revê-las. É como quando estamos doentes e não podemos comer um determinado tipo de alimento. Antes de comer, verificamos quais ingredientes ele contém, para ver se não vai nos fazer mal. Por que, às vezes, nos sentimos tão fortes em espírito, quando na verdade somos tão fracos?

Contudo, essa fraqueza não deve nos levar a uma atitude de medo diante da vida ou a uma angústia interior insuportável. Porque se percebermos que a única coisa que pode sustentar nossa vida, a única coisa que pode nos fazer aprofundar verdadeiramente nossa existência, não é nada além do amor de Deus, o anseio por Deus, o desejo por Deus, essa mesma coisa nos levaria a uma conversão autêntica do coração, a um amor muito grande por Ele.

O caminho da conversão e o anseio por Deus

Existe em minha alma esse anseio por Deus, nosso Senhor? Existe em minha alma aquele fogo ardente para amar a Deus, para fazer com que Deus realmente venha em primeiro lugar na minha vida? Este é o caminho da conversão do coração, é o caminho para ver o caminho da salvação. Não vamos nos concentrar apenas em comportamentos externos.

A Quaresma, mais do que um comportamento externo, tem que ser um aprofundamento de nós mesmos; a mortificação corporal deve dar frutos espirituais.

Peçamos a Jesus Cristo na Eucaristia que, assim como Ele se entrega a nós neste dom, nos conceda uma grande profundidade em nossas vidas para que sejamos conscientes de nossa fraqueza e, sobretudo, nos conceda um grande desejo de viver ao Seu lado. Porque, se um dia, neste caminho de conversão do coração, por frivolidade ou superficialidade, caímos, se temos o desejo de amar a Deus, temos a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, acabaremos amando.