Viver a santidade na vida cotidiana

A busca da santidade
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Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco nos convida a refletir sobre a “Chamada universal à Santidade”. Disse o Santo Padre: “Não pensemos apenas em quantos já estão beatificados ou canonizados. O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus, porque aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente. O Senhor, na história da salvação, salvou um povo. Não há identidade plena, sem pertença a um povo. Por isso, ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa dinâmica popular, na dinâmica dum povo”.

Viver uma vida santa está — e sempre esteve — ao alcance de todo o cristão. A santidade constitui-se em viver o Evangelho, fazendo a vontade de Deus em qualquer lugar onde estivermos. E essa é uma vocação presente em todos nós católicos, desde o momento do batismo, quando assumimos a responsabilidade da vida em Cristo, fiel e honesta ao compromisso que aceitou.

Todos os santos tiveram uma vida cotidiana, como homens, mulheres, crianças, idosos. E todos, no entanto, deixaram-se guiar pela graça de Deus, com um coração misericordioso, um olhar profundo para as necessidades dos esquecidos, dos maltratados, dos abandonados, dos doentes, dos falidos, dos miseráveis, dos famintos, dos desassistidos, dos desempregados. Porque assim residia a vontade de Deus.

Assim, a percepção antiga de que o “ser santo” estaria diretamente relacionada ao cotidiano religioso passou a ser compreendida, mais adequadamente, como a uma vida possível a todos — independentemente de seu contexto e do seu estado de vida. Deus está ao alcance de qualquer pessoa, basta que dê o primeiro passo em direção ao Evangelho e seus exemplos, de bondade, ternura, de conversão. Quando você ama a Cristo, você ama a si mesmo, porque e Ele te ama, deu sua vida por você. Então, Jesus Cristo, o Filho de Deus, é e sempre será “o” caminho.

Recordamos de São Francisco de Sales que, no livro Filoteia, nos mostra que uma vida de devoção e de santidade é possível para qualquer pessoa de boa vontade — não é uma vida separada, dividida para determinados grupos. Mas a vida santa é uma graça concedida por Deus, somente Ele que pode nos elevar a santos. Não depende de nossos esforços ou de méritos. Temos, apenas, de aceitar o caminho que nos é colocado por Cristo, porque esse será o melhor caminho.

Como bem observara São Bento, viver a santidade é também — e principalmente — viver a nossa realidade de nossa vida, de nosso trabalho, das nossas coisas, das pessoas, famílias, amigos, conhecidos ou não. Antes de qualquer coisa, os santos eram pessoas como nós e eram totalmente de Deus. Eram como o fermento de D’Ele no meio do mundo.

Voltemos a Papa Francisco. “Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque ‘esta é, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santificação’ (1 Ts 4, 3). Cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da história, um aspecto do Evangelho.”

Que todos possam viver a santidade do Pai Eterno!

Saudações em Cristo!

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)