Tenho o hábito de comprar muitas coisas que acabo nem usando

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comprar muitas coisas que acabo nem usando
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RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

No último capítulo da Laudato Si’, o Papa Francisco fala sobre uma educação e espiritualidade ecológicas. Comecemos frisando uma ideia que me impactou quando a li: “Temos demasiados meios para escassos e raquíticos fins” (LS, 203).

A frase não precisa de muito comentário. Simplesmente refletir sobre as razões que levam a afirmar isto, assim como as consequências de encontrar isso ao nosso redor, conseguem dar um direcionamento à temática proposta neste texto.

Qual o fim da minha vida? Como servem a esse fim as coisas que possuo? Compro/adquiro coisas em função desse fim?

Complementemos esta provocação inicial citando mais 3 ideias contidas no mesmo capítulo:

“Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas, antes de tudo, é a humanidade que precisa mudar” (LS, 202). 

Evidencia a necessidade de mudança. Não apenas nos procedimentos, mas nos corações.

“Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos” (LS, 202)

A solução, digamos, não vem de fora, de preencher nossos depósitos e quartos com ainda mais coisas. Nem depende de fórmulas ou soluções mágicas. Tudo começa pela percepção de si mesmo em relacionamento com os outros. Não somos ilhas. As coisas, o mundo criado, não existe apenas como um cenário para minha sobrevivência, digamos, mas como lugar de encontro das maravilhas que cada criatura manifesta na obra do Criador.

“Dado que o mercado tende a criar um mecanismo consumista compulsivo para vender os seus produtos, as pessoas acabam por ser arrastadas pelo turbilhão das compras e gastos supérfluos” (LS, 203).

É importante ser cientes das forças que se movem no nosso interior. O consumismo não é apenas um comportamento habitual em algumas pessoas. É um mecanismo (com seus próprios valores) que nos é oferecido, e que, no caso de muitos, chega a ser quase imposto como estilo de vida. Observe-se que o ponto não é rejeitar o uso das coisas, sua compra ou venda. O ponto é propor um caminho educativo para não “sucumbir a um consumismo sem ética nem sentido social e ambiental” (LS, 219).

Nesse sentido, uma tradição muito sadia é o jejum cristão. O jejum, para o cristão, não implica na negação da bondade daquilo que é jejuado (comida, internet, música, etc.), mas no reconhecimento de que tudo aquilo está em função do bem supremo: a comunhão com Deus (por isso faz muito sentido que a prática do jejum esteja ligada à esmola-caridade e à oração). Ao reconhecer e ordenar os bens com os quais me relaciono, entendo quais as coisas que preciso, e quais as que não.

Nesse sentido, Jesus nos advertiu com clareza:

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os destroem e os ladrões assaltam e roubam. Mas ajuntai riquezas no céu, onde nem traça e nem ferrugem as podem destruir, nem os ladrões conseguem assaltar e roubar. Pois onde estiver teu tesouro, aí estará também teu coração” (Mt 6,19-21).

Cankin Ma Lam
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