Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

“A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. (cf. Lc 1,46b-47)

Assunção de Nossa Senhora
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A Liturgia deste Domingo celebramos, jubilosos, a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração vai muito além do dogma de fé proclamo pelo Papa Pio XII, em 1950 – “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (cf. Constituição Apostólica Munificentissimus Deus – Pp. Pio XII) – mas sim, um presságio e testemunho de fé de Maria Santíssima que, em meio as tribulações terrestres, permaneceu fiel aos Planos do Altíssimo e, consequentemente recebera a Coroa Imperecível da Salvação.

Saudações em Cristo!

A Primeira Leitura extraída do Livro do Apocalipse de São João (cf. Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab), o texto é dado como sinal de esperança aos primeiros cristãos, onde a Igreja Primitiva (a mulher) e juntamente com os apóstolos (doze estrelas), são perseguidos pelo Império Romano (dragão) com o intuito de intimidar os “recém-nascidos” pelo Batismo. Porém, a Igreja não é desamparada pois “Deus lhe tinha preparado um lugar” (cf. Ap 11,6a), em que a realização da salvação de Deus, tendo a força e o poder de Cristo, restabeleceu a esperança a todos os fiéis. Neste mesmo texto, também é interpretado para a figura da Virgem Santíssima, a qual, vivenciou as dores da perseguição ao seu Filho, Jesus Cristo, onde veio ao mundo mostrar o lugar preparado a todos que o esperam em Deus.

O Evangelho de Lucas (Lc 1,39-56), retrata um dos mais lindos cânticos, onde Apóstolo São Lucas usa dos lábios de Maria Santíssima para proclamar a chegada dos Novos Tempos através do “bendito o fruto do teu ventre”. Assim, Maria ao proclamar o Magnificat, ela demonstra o seu eterno agradecimento de ser usada como instrumento para concretização da Salvação e, principalmente, anuncia as maravilhas que fez e faz a todos os que o teme, pois “Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos. Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos despediu, sem nada, os ricos. Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre” (cf. Lc 1,50-55).

A Segunda Leitura dada pela Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,20-27a), Paulo traz à luz a reflexão sobre a ressurreição, demonstrando uma ordem cronológica dos acontecimentos dos fatos e, principalmente, o ápice do desdobramento da Ressurreição: a vitória sobre a Morte. Ora, ao realizar a analogia com a Solenidade da Assunção, é demonstrar e reconhecer o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da Ressurreição. Assim como a ressurreição gloriosa de Cristo constituiu parte essencial e último troféu desta vitória, assim também a vitória de Maria santíssima, comum com a do seu Filho, devia terminar pela glorificação do seu corpo virginal. Pois, como diz ainda o apóstolo, “quando… este corpo mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá o que está escrito: a morte foi absorvida na vitória” (1Cor 15,14) (cf. Constituição Apostólica Munificentissimus Deus – Pp. Pio XII – https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus.html acesso em 19 de ago de 2022).

Que a graça desta Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, possamos usar o exemplo de confiança, entrega e amor de Maria Santíssima a Deus em nossa passagem terrena, na esperança de sermos ressuscitados juntos aos eleitos na Glória do Reino sem fim!

Torre de Davi, rogai por nós!

Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!

Nossa Senhora da Glória, rogai por nós!

Saudações em Cristo!

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG