Sínodo e Missão

Sínodo e Missão

Na Igreja do Brasil temos alguns meses, semanas e dias temáticos. Existem também os anos especiais (do jubileu, vocacional, etc). Em outubro, recordamos a importância da missão de evangelizar a todos os povos, desde os mais distantes aos mais próximos, que muitas vezes é em nossa casa, nossa família. Reflitamos sobre a missão na perspectiva evangélica, com os sinóticos e tendo como consequência as ações pastorais do mês missionário e do rosário.

A Missão é única, de sermos alegres anunciadores do Cristo, levando a Boa Nova. Sair e partir e nada levar, apenas a coragem e amor no coração. Apresenta o evangelista Lucas: “Portanto, ide! Eis que Eu vos envio como cordeiros para o meio dos lobos. Não leveis bolsa, nem mochila de viagem, nem sandálias; e a ninguém saudeis longamente pelo caminho. Assim que entrardes numa casa, dizei em primeiro lugar: ‘Paz seja nesta casa!” (Lc 10, 3-5).

O convite para a missão é para todos os cristãos, não limita lugares a ir, o próprio Cristo enviava em missão e ensinava o método de evangelização aos seus discípulos, se constata assim o grande desejo de Cristo por esta ação, como apresenta nos Evangelhos sinóticos: “Naquele tempo, Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles! Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo” (Mc 6,7-13).

Em Mateus, temos a escolha dos discípulos – missionários, responsáveis pela missão, pela ação da Evangelização: “Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu” (Mt 10, 3-4).

O anseio da missão ressoa: “Onde há amor e caridade, Deus aí está”, esse é o núcleo da missão: levar o amor, não em palavras, mas em atos concretos, por isso, em nossa missão de cristão, somos chamados a sair de nosso conforto e partir, sem nada levar. As ações concretas pastorais desta ação missionária se dão na evangelização dos povos, raças e línguas. A missão sempre foi um tema muito apreciado pela Igreja, desde sua fundação, e em todo percorrer histórico, até mesmo nos dias atuais com o Papa Francisco, com desafios, limites, mas um ardor crescente em bem desenvolver a evangelização dos povos, que passava, e ainda passa, por desafios que sempre são superados. O contágio do bem através do exemplo das comunidades, das famílias e dos atos concretos.

Neste contexto que é o desafio da Igreja. O Santo Papa João Paulo II, na mensagem do Dia Mundial das Missões de 2001, incentivava o Povo de Deus a colocar-se a caminho para levar a Evangelho de Jesus a todos os povos, com essas palavras: A missão é “anúncio jubiloso de um dom, que se destina a todos e, por conseguinte, há de ser proposto a todos com maior respeito da liberdade de cada um: o dom da revelação do Deus Amor, que ‘amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único’ (Jo 3,16) (…) A Igreja, portanto, não pode subtrair-se à atividade missionária junto dos povos, e permanece tarefa prioritária da missio ad gentes, o anúncio de que é em Cristo, ‘Caminho, Verdade e Vida’ (Jo 14,6), que os homens encontram a salvação” (NMI 56). É um convite para todos, é um apelo urgente ao qual deve ser dada uma resposta imediata e generosa. É preciso ir! É necessário pôr-se a caminho sem hesitações, como Maria, a Mãe de Jesus; como os pastores que despertaram ao primeiro anúncio do Anjo; como Madalena quando viu o Ressuscitado (JOÃO PAULO II. Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2001).

Neste ano o Papa Francisco nos convida a meditarmos neste mês missionário: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4, 20). É um convite a cada um de nós para “assumir o controle” e tornar conhecido o que temos em nosso coração. Essa missão é e sempre foi a identidade da Igreja: “Ela existe para evangelizar” (São Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 14).

Nossa vida de fé enfraquece, perde a profecia, o encantamento e a gratidão caso fiquemos isolados em nós mesmos, fechados em si e em pequenos grupos. Por sua própria natureza, a vida de fé exige crescente abertura, capaz de alcançar e abraçar a todos. Os primeiros cristãos, longe de ceder à tentação de se fecharem a um grupo de elite, sentiram-se inspirados pelo Senhor e Sua oferta de vida nova e saíram, em meio ao povo, para dar testemunho sobre o que tinham visto e ouvido: O Reino de Deus está próximo.

Agiram com generosidade, gratidão e nobreza próprias daqueles que semeiam e sabem que outros comerão o fruto de sua dedicação e sacrifício. Por isso, gosto de pensar que “mesmo os mais frágeis, limitados e feridos podem ser missionários à sua maneira, porque sempre devemos permitir que o bem seja comunicado, embora coexista com muitas fragilidades” (Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 239). Semanas atrás a Igreja beatificou duas senhoras que passaram a vida inteira em suas camas evangelizando a todos a que se achegavam a elas.

Na semana anterior do Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária, iremos abrir em todas as dioceses do mundo a caminhada sinodal. “Um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo” no caminhar juntos.

Para tornar concreta e visível aquela sinodalidade desejada por Francisco desde o início de seu pontificado, o próximo Sínodo dos Bispos será celebrado não somente no Vaticano, mas em cada Igreja particular dos cinco continentes, seguindo um itinerário trienal articulado em três fases, feito de escuta, discernimento, consulta. Leigos, sacerdotes, missionários, consagrados, bispos, cardeais, mesmo antes de discutir, refletir e questionar-se sobre a sinodalidade na assembleia de outubro de 2023 no Vaticano, se encontrarão, portanto, vivendo-a em primeira pessoa. Cada um em sua diocese, cada um com seu papel, com as suas instâncias.

“Um processo sinodal integral só será realizado de forma autêntica se as Igrejas particulares estiverem envolvidas nele”, diz o texto.

Além disso, também será importante a participação dos “órgãos intermediários da sinodalidade, isto é, os Sínodos das Igrejas católicas orientais, os Conselhos e Assembleias das Igrejas sui iuris e as Conferências episcopais, com suas expressões nacionais, regionais e continentais”.

Esta é a primeira vez, na história desta instituição querida por São Paulo VI, em resposta ao desejo dos padres conciliares, de manter viva a experiência colegial do Concílio Vaticano II, que um Sínodo começa descentralizado nas Igrejas Particulares. Em outubro de 2015, o Papa Francisco, comemorando o 50º aniversário desta instituição, expressou o desejo de um caminho comum de “leigos, pastores, Bispo de Roma”, através do “fortalecimento” da assembleia dos bispos e “uma descentralização salutar”. O desejo agora se torna realidade.

Recordando o pedido do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões, celebrado anualmente no penúltimo domingo de outubro, recordamos com gratidão todas as pessoas que, com o seu testemunho de vida, ajudam-nos a renovar o nosso compromisso cristão e convido a nos unirmos em oração pelas Obras Missionárias da Igreja:

Deus Pai, Filho e Espírito Santo, comunhão de amor,
compaixão e missão. Nós te suplicamos:
Derrama a luz da tua esperança sobre
a humanidade que padece a solidão, a pobreza,
a injustiça, agravadas pela pandemia.

Concede-nos a coragem para testemunhar,
com ousadia profética e crendo
que ninguém se salva sozinho,
tudo o que vimos e ouvimos de Jesus Cristo,
missionário do Pai.

Maria, mãe missionária, e São José, protetor da família,
inspirem-nos a sermos missionários
da compaixão e da esperança.
Amém.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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