O que vejo quando olho

olhar
Material para catequese
Material para catequese

Três olhares diferentes diante de um amplo campo repleto de plantas muito variadas.

O primeiro olhar contempla a riqueza das cores, as borboletas e abelhas que rodopiam entre as flores, o movimento dos ramos ao sabor da brisa.

O segundo olhar analisa as dimensões do terreno, procura perceber o que pode existir debaixo do solo, questiona se seria um bom local para construir um empreendimento.

O terceiro olhar lembra a colheita do ano anterior e agora vê um pedaço de terra que descansa e se prepara para o ano seguinte.

O terreno é o mesmo, mas as vistas são diferentes. Pode haver muitos olhares e maneiras mais ou menos compatíveis quando várias pessoas dirigem seus olhos para um mesmo lugar.

Há também olhares diferentes para aquela pessoa que acaba de entrar no ônibus, para o estranho que se aproxima do prédio onde moramos, para o médico que cumprimenta no início de uma visita.

O que vemos quando vemos depende de necessidades, experiências passadas, esperanças para o futuro, humores e aspirações no presente.

É por isso que existem tantas maneiras diferentes de ver as coisas. Alguns podem acontecer com o tempo: o que vejo neste lugar ou nesta pessoa agora será diferente amanhã.

Outras formas de ver parecem mais pétreas: sempre que me aproximo daquele policial, pareço ver uma atitude soberba ou uma gentileza agradável.

O importante é perceber porque vemos o que vemos, e perguntar-nos também se a realidade que se apresenta diante de mim tem outros aspectos e matizes que o meu olhar já não consegue vislumbrar.

Preciso me lembrar disso com frequência: lugares, coisas, pessoas, encerram riquezas que meus olhos nem sempre percebem, talvez até inatingíveis, já que a profundidade de cada ser humano é muitas vezes inacessível aos olhares mais aguçados.

O que vejo quando olho? Hoje me pergunto como passa diante dos meus olhos um bando de patos em busca de um lugar para descansar, uma velhinha caminhando lentamente em direção a sua casa, e um conhecido que vem me pedir um favor…

Pe. Fernando Pascual