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O que é Tolerância?

A tolerância
Material para catequese
Material para catequese

Em um mundo onde a tolerância cristã é frequentemente exaltada como uma virtude essencial, é necessário compreender seu verdadeiro significado. Afinal, o que é, de fato, a tolerância? Este conceito, muitas vezes mal compreendido, exige clareza para que não seja confundido com indiferença ou aceitação de erros.

O Que é Tolerância Cristã?

Imagine um pai com dois filhos. Um é firme em seus princípios e determinado, enquanto o outro é vacilante e indeciso. Ao surgir a oportunidade de um curso de férias benéfico, o pai decide inscrever os filhos, mesmo sabendo que isso os privará de passeios que apreciam. O filho mais determinado aceita a decisão após breve hesitação, mas o outro demonstra resistência, gerando tensão.

O pai, para evitar um conflito maior, decide não insistir com o filho menos decidido. Aqui, ele pratica a tolerância, permitindo um bem menor (os passeios) para evitar um mal maior (uma rebelião). Este tipo de consentimento sem aprovação, muitas vezes acompanhado de relutância, é o que chamamos de tolerância.

A Tolerância em Situações Anormais

A tolerância cristã só é necessária em situações anormais. Em uma família ideal, onde todos agem conforme os princípios do Evangelho, não haveria necessidade de tolerância. O mesmo se aplica a ordens religiosas ou exércitos: se há uma constante necessidade de tolerar erros, há algo fundamentalmente errado.

Portanto, a tolerância é, muitas vezes, um recurso temporário em tempos de crise espiritual, como os nossos. Ela se torna uma cruz diária para o católico fervoroso que, em meio à desolação, deve suportar abusos e erros que o mundo moderno impõe.

Quando a Tolerância é Pecado

Embora a tolerância cristã possa ser uma virtude em circunstâncias específicas, há momentos em que ela se torna um pecado. Um católico nunca deve tolerar o pecado ou aprová-lo, seja por ação ou omissão. Vestir-se de forma imodesta, adotar comportamentos desregrados ou concordar tacitamente com erros são formas inadmissíveis de tolerância.

Por exemplo, sorrir diante de uma conversa imoral ou afirmar que todos têm direito a qualquer crença religiosa sem correção caridosa não é respeitar os outros, mas conspirar com o erro. Em tais casos, a tolerância não é virtude, mas cumplicidade.

O Valor da Intolerância Cristã

A intolerância, quando exercida contra o pecado e o erro, é um dever do católico. Diante de uma sociedade que promove a indiferença, é necessário repetir com firmeza o “Non Possumus” de Pio IX: “Não podemos concordar, não podemos nos calar”. Tal postura pode isolar o católico, mas é um testemunho necessário para glorificar a Deus.

Além disso, a resistência ao erro exige esforço. Estudar, refletir e argumentar contra as tendências modernas requer dedicação, muitas vezes contrariada pela preguiça e pelo desejo de agradar.

Tolerância Cristã em um Século de Crises

Vivemos em um tempo de grandes catástrofes espirituais, onde o católico frequentemente enfrenta abusos em diversas esferas da vida. Contudo, tolerar o mal maior para evitar o mal menor é, por vezes, necessário. Ainda assim, é crucial lembrar que o amor ao bem e o ódio ao mal são atos de glorificação a Deus, mesmo que o mundo inteiro discorde.

Por fim, a verdadeira virtude está em saber quando ser tolerante e quando ser intolerante. Não se trata de agradar ao mundo, mas de cumprir o dever cristão, mesmo que isso custe caro. Afinal, como diz o Evangelho, “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mc 8,36).