São Pedro e São Paulo

Celebremos, jubilosos, a festa dos apóstolos Pedro e Paulo, e firmemos nossa fé na Santa Igreja.

São Pedro, junto com seu irmão André(cf. Mt 4,18), está entre os primeiros discípulos de Jesus. Escolhido por Cristo para ser o fundamento da Igreja(cf. Mt 16,13-19) e testemunha privilegiada dos milagres e da vida de Jesus, na sua pessoa e na de seus sucessores, é o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, chamado pelo Cristo Ressuscitado, no caminho de Damasco, para ser apóstolo(cf. At 9,1-16), foi o instrumento escolhido para evangelizar os pagãos. Sua atividade missionária e apostólica foi muito mais extensa que a dos demais apóstolos, estendendo-se por grande parte da Europa e da Ásia mediterrâneas. Ambos foram martirizados em Roma, por volta do ano 67.

No prefácio da Missa da Vigília e da Solenidade de São Pedro e de São Paulo rezamos: “Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os Apóstolos São Pedro e São Paulo, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”.

Meus irmãos,

Na primeira leitura(cf. At 3,1-10) entre o aleijado e Pedro desenrola-se um diálogo silencioso. O aleijado é pobre, é doente, está sozinho e logicamente pensa numa ajuda imediata. Pedro não gostaria de frustrar as esperanças daquele infeliz, mas não pode dar-lhe ouro nem prata. Então oferece-lhe a saúde física, como sinal e antecipação da saúde completa, a escatológica: ele, de fato, age em nome de Outro e sabe que está oferecendo algo que não lhe pertence. O poder salvador do nome de Jesus crucificado e ressuscitado, é que opera tais maravilhas.

Caros irmãos,

Na segunda leitura(cf. Gl 1,11-20) não pode haver outro evangelho porque o evangelho anunciado por São Paulo exclui qualquer origem humana. De fato, ele foi objeto da revelação que se cumpriu em Jesus(cf. Gl 1,11-12; Jo 1,18; Mc 1,14-15; Mt 11,25-27). Com referência ao caso particular de Paulo, bem se pode dizer que o seu evangelho é de origem divina. Ninguém de fato, pode afirmar que ele tenha sido influenciado por algum fator humano na sua conversão ao evangelho. Basta observar o que ele fazia antes de se converter(cf. Gl 1,13-14; At 8,1-3;26,4-5) como aconteceu a sua conversão(cf. Gl 1, 15-16a; At 9,3-19) e sua atitude após a conversão(cf. Gl 1,16b-19): esperou bastante antes de confrontar com os outros apóstolos a revelação recebida. Em suma, inúmeros são os dados na Igreja primitiva a nos garantir que este anúncio de salvação = evangelho, vem diretamente de Deus.

Prezados irmãos,

No Evangelho(cf. Jo 21,15-19) São João aparece registrando aqui o diálogo entre o Senhor e Simão Pedro. Primeiramente as três perguntas seguidas que lembram a Pedro a tríplice negação(cf. Mt 27,57-75 par) e sua resposta sincera: “sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. A essa tríplice profissão de amor, Jesus responde confiando-lhe a missão de apascentar as suas ovelhas; confere, pois, a Pedro a sua própria missão pastoral deve estar sempre fundada sobre o amor e sobre a fé em Jesus(cf. 6,66-69), do contrário se reduz a uma fria instituição. Enfim, Jesus acrescenta a profecia da futura morte de Pedro. Através do comentário do redator já se percebe a veneração dos primeiros cristãos pelo mártir Pedro: “Disse isto para indicar com que espécie de morte ele teria glorificado a Deus”(cf. Jo 21,19c) qualificam Pedro como discípulo: “Segue-me!”

Celebrando esta Vigília, com alegria, imploremos o auxílio divino para a Santa Igreja de Deus espalhada por toda a terra e para todas as necessidades do mundo inteiro, pela saúde e pela superação da pandemia da Covid – 19, rezando, particularmente, pelo Santo Padre o Papa Francisco, a fim de que, como sucessor de Pedro, governe o povo de Deus com solicitude paterna!

São Pedro e São Paulo foram colunas inabaláveis no início da Mãe Igreja e nos deixaram o exemplo da fé comprometida com o Reino de Deus. Diante das adversidades e indiferenças para com Deus em nossos dias, temos muito o que deles aprender para testemunhar a fé. Sejamos, pois, corajosos, como eles e tantos outros o foram no anúncio do Cristo Ressuscitado!

Padre Wagner Augusto Portugal.