Ascenção do Senhor

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RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

Meus queridos irmãos,

A festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo é transferida para o domingo seguinte por uma decisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para que todos pudessem participar da celebração nesta importante festa.

A liturgia desta solenidade nos encanta pela palavra do Redentor: A SANTIFICAÇÃO DA VERDADE, que Jesus pede ao Pai, na hora de sua despedida, para os seus discípulos. A verdade em São João é, antes de tudo, a revelação do ser de Deus no seu Filho, mais especificamente, na “hora” deste, ou seja, sua morte, a manifestação da glória de Deus, de seu mais íntimo ser, pois Deus é amor, conforme vimos no último domingo.

A verdade é, pois, o amor de Deus que se revela para nós, na doação de seu Filho. Jesus pede que seus discípulos sejam santificados nesta verdade. Jesus se dedica a Deus, assumindo a obra da revelação do amor até o fim. Nisto, torna-se inteiramente palavra de Deus, e esta palavra é a verdade.

Irmãos e Irmãs,

A Ascensão celebra a glorificação de Jesus que, voltando ao Pai, depois de cumprida a sua missão na terra, Ele reaparece em sua gloriosa condição divina que, no momento da encarnação, havia ocultado. Jesus volta

vitorioso sobre o pecado e vencedor sobre a morte.

O Filho de Deus que hoje sobe aos céus não é o mesmo que desceu. Ao se encarnar no seio da Bem-aventurada Virgem Maria, ele era só Deus. Hoje, ele retorna ao Pai em divindade e também com sua humanidade, com a nossa carne humana. Por isso hoje, a Igreja celebra a solenidade e a festa do envio para a missão.

A exaltação de Jesus está intimamente ligada ao mistério da Igreja e à sua missão. Jesus entrega à comunidade eclesial a continuidade de sua missão. A missão é única de Jesus e da Santa Igreja Católica, uma missão salvadora que se realiza com a mesma graça santificante. Somos membros do Corpo Místico de Cristo Ressuscitado e a sua subida não significa afastamento, mas um novo modo de estar presente no meio de nós: “Já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim” (Gal 2,20), já sentenciava São Paulo para demonstrar a presença contínua de Cristo na vida da Santa Igreja e na nossa vida de caminhada de fé.

Prezados irmãos,

A

Primeira Leitura(Cf. At 1,1-11) inicia com um prólogo (vers. 1-2) que relaciona os Atos com o 3° Evangelho – quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua ação no mundo (tema central do 3° Evangelho). Neste prólogo são também apresentados os protagonistas do livro – o Espírito Santo e os apóstolos, vinculados com Jesus. Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vers. 3-8)

O autor começa por fazer referência aos “quarenta dias” que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos “a respeito do Reino de Deus” (o que parece estar em contradição com o Evangelho, onde a ressurreição e a ascensão são apresentados no próprio dia de Páscoa – cf. Lc 24).

O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir

as lições do mestre. Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado.

As palavras de despedida de Jesus (vers. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar “até aos confins do mundo”. Temos resumida aqui a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus ressuscitado.

O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito. O último tema é o da ascensão (vers. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade. Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (vers. 9a).

Falamos do sentido: a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai. Temos, depois, a nuvem (vers. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38).

Ao mesmo tempo, simultaneamente esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos. Temos ainda os discípulos a olhar para o céu (vers. 10a).

Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo. Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (vers. 10b). O branco sugere o mundo de Deus, o que indica que o seu testemunho vem de Deus.

Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor. O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o “caminho” de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.

A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo “caminho” de Jesus subirá, como Ele, à vida plena. A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens nossos irmãos.

Meus queridos irmãos,

O Evangelho de Mc 16,15-20 ensina que Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai, numa significação do poder divino que Ele tem sobre o céu e a terra. O glorioso Cristo possui um poder igual ao Divino Pai Eterno. Um poder em comunhão com o poder do Pai. O Homem Deus sobe ao céu para realizar a plenitude de todos os desejos da criatura humana. Por isso, a Ascensão é uma festa missionária, festa de envio.

O Evangelho anuncia a novidade cristã pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A partir deste evento, todos somos convidados a crer. Recebendo o Batismo, todos estão configurados como sacerdotes, sendo aceitos no grêmio do Reino de Deus. A missão de batizados é a missão: a nova evangelização, anunciar a salvação a todos os povos e convocar as gentes para a santidade de vida. O próprio Jesus, com a sua autoridade, nos envia para a missão. Jesus envia a todos, santos e pecadores, para os santos e para os pecadores, especialmente para aqueles que estão à margem da sociedade e à margem da Igreja, que muitas vezes mais dividem do que unem.

A missão é destinada aos homens e às mulheres de boa vontade: nas mãos do homem que matou é posto o mistério da vida eterna, da vida que nos salva. Os homens que se amesquinharam, os homens que se calaram, hoje são convidados a assumir o mistério da palavra, são convidados a serem apóstolos, a serem enviados em nome de Deus.

Mas, qual é a missão dos apóstolos? Expulsar os demônios, falar em línguas novas, impor as mãos aos enfermos e curá-los, lidar com serpentes e venenos, sem conseqüências. Para que esta missão? Os homens de hoje vivem cercados e iludidos de impedimentos. Tanta coisa nos é proposta, mas, na verdade, impede nossa essencial dimensão para Deus ou a necessária dimensão para o próximo, a difícil dimensão para o equilíbrio do nosso eu. A todos esses empecilhos a Sagrada Escritura chama de ídolos, de pecados.

Quantas vezes nos iludimos com os ídolos da vida moderna? Quantas vezes o hedonismo, o sexo desvairado, o ter, o poder, o consumir, a permissividade tomou lugar da santidade que vem do Ressuscitado em nossa vida? O dinheiro e o poder tomam mais lugar em nossa vida do que a vida de fé e a vida de comunidade. Será por quê? Estamos afastados de Deus? Estes são os demônios da vida moderna!

Em tempos de muitos discursos messiânicos e de muitas Seitas que estão por aí para espoliar a ignorância da gente iletrada a VERDADE DE CRISTO é a seguinte: FIDELIDADE, EMPENHO PESSOAL, ESPERANÇA A TODA PROVA, CONSOLAÇÃO, PARTILHA E ALEGRIA. Nos homens e mulheres, santos e simples da roça e da cidade, encontramos a honestidade e a lisura de vida, com princípios que vencem a luxúria, o comodismo e o esbanjamento dos dias modernos, mantendo a fidelidade ao mandato do Senhor Ressuscitado.

Ascensão quer significar UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO. Jesus nos envia para a missão em todo o orbe. Para anunciar o Evangelho, temos que ser testemunhas, com palavras e obras, de que Jesus é o Filho de Deus, o Ressuscitado, e que subiu glorioso aos céus. Em segundo lugar, a pregação nos ensina a clamar por uma nova ordem na criação. Em Jesus Cristo, todas as criaturas foram renovadas, tanto na terra quanto no céu.

Caros irmãos,

Jesus foi ao encontro do Pai depois de doar totalmente a vida a serviço do Reino. Na sua ascensão, a Igreja recebe o mandato de perpetuar no mundo sua missão. Celebrar a Ascensão do Senhor significa, antes de tudo, tomar consciência de que a missão que recebemos em nosso batismo é dar continuidade à obra iniciada por Jesus. Ele deseja continuar sua missão por meio do testemunho de cada batizado.

As leituras devem nos questionar se, como batizados, temos consciência de que somos enviados a realizar as mesmas obras que Jesus realizou, cuidar daquelas categorias de pessoas das quais ele cuidou. Trabalhamos para que as forças do mal sejam dissipadas do meio de nós? Temos consciência de que somos enviados como membros de uma comunidade que luta pela vida, pela justiça, pela solidariedade e de que somos chamados a construir laços de fraternidade? Ser discípulo missionário supõe, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus com base em suas palavras e gestos, em sua vida oferecida por amor. Somos continuamente desafiados a atualizar sua missão no hoje de nossa sociedade.

A cruz das incompreensões também faz parte de nossa vida, como foi para Jesus. Seremos confrontados por valores, ideias e propostas que se opõem aos seus ensinamentos; as adversidades na missão podem nos levar ao desânimo, às desilusões e às frustrações. Por isso precisamos ser alimentados pela sua Palavra, que nos dá a segurança de que ele estará conosco até o fim dos tempos. Na véspera de sua morte, Jesus orou pela unidade daqueles que o Pai lhe dera: “que todos sejam um… para que o mundo creia”. Unidos a ele, como ramos na videira, partilhamos a mesma seiva que entre nós circula e nos vitaliza. Cada tradição procura nos levar ao coração de nossa fé: comunhão com Deus, por meio de Cristo, no Espírito. Quanto mais vivermos essa comunhão, mais estaremos conectados a outros cristãos e a toda a humanidade.

Meus queridos irmãos,

A Carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma “carta circular” enviada a várias igrejas da Ásia Menor, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma?). Q seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60. Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada no oriente. Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma ação de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos efésios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irmãos na fé.

A segunda leitura(Ef 1,17-23) nos ensina que não só a alegria, mas também o amor de Deus, deve ser levado à plenitude em nós, pelo amor fraterno. Para isso, Deus nos dá o Espírito, que continua a obra do Filho, agora exaltado, para permanecermos fiéis ao legado de Cristo, que nos amou até o fim; para conhecermos o sentido decisivo deste amor, nele acreditemos e lhe sejamos fiéis, desta forma, Deus permanece em nós e nós n’Ele.

Afirmar que Cristo é a “cabeça” da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa também que Cristo é o centro à volta do qual o “corpo” se articula, a partir do qual e em direção ao qual o “corpo” cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse “corpo”; significa ainda que a Igreja/corpo está submetida à obediência a Cristo/cabeça: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência.

Afirmar que a Igreja é a “plenitude” (“pleroma”) de Cristo significa dizer que nela reside a “plenitude”, a “totalidade” de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse “corpo” onde reside, que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse “corpo”, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo “seja tudo em todos” (vers. 23).

Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente “a esperança a que fomos chamados”. A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um “corpo” destinado à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar – apesar das dificuldades – nesse “caminho” do amor e da entrega total que Cristo percorreu.

Afirmar que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa também viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo “corpo”, alimentados pela mesma vida.

Afirmar que a Igreja é o “pleroma” de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-l’O presente no mundo, de levar à plenitude o projeto de libertação que Ele começou em favor dos homens. Essa tarefa só estará acabada quando, pelo testemunho e pela ação dos crentes, Cristo for “um em todos”.

A comunidade cristã é a continuação da missão e da presença de Jesus no mundo. Os sinais indicados no Evangelho devem ser traduzidos para a realidade de hoje. Não precisam ser milagres, mas devem mostrar a força transformadora de Jesus entre nós. O Divino Mestre, de fato, não se ausenta. Ele terá, daí para frente, um outro tipo de presença, através da ação das comunidades que crêem nele e realizam a sua missão.

Que todos nós, pois, possamos arregaçar as mangas, saindo do comodismo e atendamos pressurosos ao apelo do Senhor que subiu aos Céus: “Ide e Evangelizai”. Amém. Aleluia!

Padre Wagner Augusto Portugal