Liturgia diária A prática do jejum - Mt 9,14-15

Na liturgia diária de hoje lemos o Evangelho: Mt 9,14-15

As práticas externas, cinzas, jejum, necessitam de um correspondente interno, que se chama intenção e conversão.

Façamos a oração do dia: Pai, dá-me a graça de entregar-me totalmente ao serviço do Reino, sem esperar outra recompensa além de saber-me amado por ti.

Sexta-feira depois das Cinzas – Ano Litúrgico B

Liturgia do dia 19 de fevereiro de 2021

PRIMEIRA LEITURA:  Is 58,1-9a 

Leitura do Livro do Profeta Isaías.

Assim fala o Senhor Deus: 1“Grita forte, sem cessar, levanta a voz como trombeta e denuncia os crimes do meu povo e os pecados da casa de Jacó. 2Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus. Exigem de mim julgamentos justos e querem estar na proximidade de Deus: 3‘Por que não te regozijaste, quando jejuávamos, e o ignoraste, quando nos humilhávamos?’ — É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. 4É porque, ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas.

Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. 5Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se talvez

de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor?

6Acaso o jejum que prefiro não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? 7Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne.

8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9aEntão invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: ‘Eis-me aqui’”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO 51(50) 

— Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

— Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

— Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra

vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

— Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

EVANGELHO: Mt 9,14-15 

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?”

15Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

“Por que teus discípulos não jejuam?”. “Jejuarão, diz Jesus, quando o noivo lhes for tirado”. Ficar sem o noivo será o verdadeiro jejum. Para o cristão, estar sem Cristo é jejuar. Na realidade, o

noivo não foi tirado. Não desceu da cruz. Fixou-se nela e nela permaneceu. Não se desfez no sepulcro. Ressuscitou antes do quarto dia, que na tradição judaica era o dia da morte definitiva. Subiu ao céu na ascensão e disse: “Estarei com vocês todos os dias até o fim dos tempos”.

Por conseguinte, continuamos sem jejuar. Se o fizermos, não será por preceito, será por amor. Segundo o mandamento de Jesus, por amor ao próximo. Oração, esmola e jejum são práticas salutares da Quaresma que perdem o seu valor se nos contrapõem aos outros. O fariseu que pagava o dízimo e jejuava duas vezes por semana jogou fora a sua oração quando se comparou com o pecador que nada disso fazia.

Jejue para diminuir o peso do fardo que carrega, lembrado da orientação de Paulo aos gálatas: “Cada um examine sua própria conduta, e então terá de que se gloriar por si só e não por referência ao outro. Porque cada qual carregará o seu próprio fardo”. As práticas externas, cinzas, jejum, necessitam de um correspondente interno, que se chama intenção. A prática externa acontece por alguma razão, e esta razão, oculta dentro de nós, é conhecida pelo Pai. É bom abster-se de alimentos e de outros prazeres para o bem-estar do corpo e do espírito.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

Silenciando seu coração, repita algumas vezes a oração: “Espírito Santo, necessitamos de vossa ajuda para conhecer o caminho que devemos seguir”.

Rezemos: “Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tua Palavra. Envia teu Espírito Santo para que eu não tenha medo de escutá-la e vivê-la conforme a tua vontade. Que a Palavra transforme o meu coração através da fé e confiança que eu deposito em ti. Amém.”

Leitura (Verdade)

Evangelho: Mt 9,14-15 Aproximaram-se de Jesus os discípulos de João e perguntaram: “Por que jejuamos, nós e os fariseus, ao passo que os teus discípulos não jejuam?” Jesus lhes respondeu: “Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão”.
Leia o texto pausadamente. Depois, leia-o novamente, atentando-se aos personagens que aparecem na narrativa. Qual é o tema central do Evangelho? Quais são as palavras de Jesus?

“Mais que uma pergunta, é feita uma crítica à postura dos discípulos de Jesus. Essa é a posição não apenas dos fariseus, mas dos próprios discípulos de João Batista. Os judeus jejuavam regularmente, e os mais fervorosos o faziam duas vezes por semana, seguindo a orientação do Levítico. Até João, aquele que prepara o caminho de Jesus, está orientado pelas tradições dos antigos. Ele ainda não havia descoberto a alegria da festa do noivo, que é o próprio Jesus. A Boa-Nova não é marcada pela tristeza. No horizonte, prenunciam-se dias difíceis, em que o noivo será tirado. A expressão deixa antever uma situação indesejável e alude à morte de Jesus. A Quaresma nos motiva a um jejum de solidariedade com os milhões de famintos.”

Meditação (Caminho)

De que forma compreendo e acolho os ensinamentos de Jesus?
O que os gestos de Jesus dizem para mim hoje? Quais são os legalismos que me aprisionam e me impedem de viver a fraternidade?

Quem são os famintos, sedentos, forasteiros, nus, doentes, presos, pequenos, irmãos? Sendo um julgamento escatológico, é importante termos em mente que Jesus coloca como critério de salvação seu reconhecimento na pessoa do irmão sofredor, na figura do próximo necessitado. Jesus está presente nos sedentes, forasteiros, doentes, pequenos, excluídos (não importa a classe social). A comunhão com os irmãos “carentes e sedentos” é a comunhão com o próprio Jesus.

Oração (Vida)

Apresente ao Senhor a sua oração. Apresente a Ele também todos os homens, mulheres, crianças, jovens e idosos necessitados de pão, saúde, segurança, consolo, sentido para a vida, trabalho, dignidade, respeito… Agradeça-lhe as pessoas que com muito amor e generosidade vão ao encontro dos mais necessitados, aliviando seus sofrimentos e revelando-lhes o rosto misericordioso de Deus.

Contemplação (Vida e Missão)

Jesus coloca a vida acima da lei. Ele veio trazer vida e vida em abundancia. Como você pretende assumir um jejum de solidariedade para com os pobres? O que a palavra do Evangelho lhe pede, hoje?

Bênção

– Deus pai de misericórdia, conceda a todos nós, como concedeu ao filho prodigo a alegria do retorno a casa.
– O senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, nos guie nesta caminhada quaresmal a uma verdadeira conversão.
– O espirito de sabedoria e fortaleza nos sustente na luta contra o mal, para podermos com Cristo, celebrar a vitória da pascoa.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

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