Oração diária O filho pródigo Lc 15,1-32

24º Domingo Comum – Ano Litúrgico C

11 de setembro de 2016

ORAÇÃO DO DIA

Espírito que possibilita a conversão, mantém meu coração aberto aos pecadores, confiante de que são atraídos pela misericórdia do Pai.

PRIMEIRA LEITURA: Êx 32,7-11.13-14

Leitura do Livro do Êxodo – Naqueles dias, 7o Senhor falou a Moisés: “Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo que tiraste da terra do Egito. 8Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: ‘Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!’”.
9E o Senhor disse ainda a Moisés: “Vejo que este é um povo de cabeça dura. 10Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação”.
11Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: “Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte?
13Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e Israel, com os quais te comprometeste, por juramento, dizendo: ‘Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre’”.
14E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer a seu povo. – Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

SALMO 50

          — Vou, agora, levantar-me, volto à casa do meu pai.
— Vou, agora, levantar-me, volto à casa do meu pai.

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!/ Na imensidão de vosso amor, purificai-me!/ Lavai–me todo inteiro do pecado,/ e apagai completamente a minha culpa!

— Criai em mim um coração que seja puro,/ dai-me de novo um espírito decidido./ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,/ nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,/ e minha boca anunciará vosso louvor!/ Meu sacrifício é minha alma penitente,/ não desprezeis um coração arrependido!

SEGUNDA LEITURA:  1Tm 1,12-17

Primeira Carta de São Paulo apóstolo a Timóteo – Caríssimo: 12Agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim, ao designar-me para o seu serviço, 13a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé.
14Transbordou a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. 15Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles!
16Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. 17Ao Rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém! – Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

EVANGELHO:  Lc 15,1-32

         – O Senhor esteja convosco.
          – Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          – Glória a vós, Senhor.

          Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola:
4Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’
7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.
8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’
10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.
11E Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles.
13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade.
15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.
17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer–lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.
20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos.
21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.
22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.
25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.
27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.
28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.
31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’.

– Palavra da Salvação
– Glória a vós Senhor.

[apss_share]

Comentário do Evangelho

O capítulo 15 do evangelho de São Lucas é considerado o coração de todo o anúncio evangélico de Jesus. Quem se diz evangélico tem nesse capítulo o ensinamento para a sua vida. Pecadores e cobradores de impostos gostavam de ouvir o que Jesus ensinava. Os religiosos, fariseus e mestres da Lei criticavam Jesus porque ele acolhia os pecadores. Jesus ia também à casa dos fariseus, mas sua companhia normal eram pessoas que não gozavam de boa fama. Por quê?
Porque, explica Jesus, essas pessoas precisam da misericórdia de Deus e só se converterão se descobrirem que Deus as ama, e vão descobrir que Deus as ama se encontrarem em seu caminho gente boa, atenciosa, gente construtiva de coração aberto. Em tais encontros elas vão conhecer o rosto de Deus. Jesus responde aos que o criticavam com três histórias: a da ovelha perdida, que o pastor vai procurar deixando as outras em casa e fica muito alegre quando a encontra. Conta também a história da moeda perdida, procurada com afã por uma mulher. Que alegria quando a moeda é encontrada!
A terceira história, a do filho pródigo esbanjador, mostra bem o coração de Deus que só quer ter de volta seu filho perdido. Nem escuta as desculpas. Manda logo fazer uma festa. O filho mais velho, o que não é pródigo esbanjador, que ficou em casa, não fica contente com a volta do irmão. Parece ter o coração fechado. Só o Pai é bom nessa história. É o que acolhe, o mais novo e o mais velho, de braços abertos. Ele perdoou de coração o filho esbanjador. Na caminhada do deserto o povo de Israel se mostrou muito ingrato para com Deus, que o tinha tirado da escravidão do Egito. Os israelitas fizeram uma estátua de um bezerro e disseram que esse era o Deus que tinha libertado o povo do Egito. É claro que Deus ficou aborrecido. Quis até acabar com o povo, mas Moisés intercedeu, pediu que Deus fosse compreensivo. E Deus desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.
São Paulo também foi um grande pecador: blasfemava, perseguia e insultava, mas encontrou misericórdia. Por isso ele ensina: “Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores”. “E eu sou o primeiro”, dizia ele. Perdoando São Paulo e o acolhendo, Jesus demonstrou toda a grandeza do seu coração. Teorias, ideologias, teologias convergem para o ser humano.

Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2016’, Paulinas.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial
Hoje, 24º domingo do Tempo Comum, a liturgia nos coloca diante de uma das mais conhecidas parábolas de Jesus: a parábola do pai misericordioso (ou do filho pródigo). Jesus costumava contar parábolas. Utilizando-se de imagens, personagens e situações, Jesus despertava questionamentos nos ouvintes, levava-os a um confronto com a própria vida e a um novo modo de pensar e agir.
Nesta leitura orante da Palavra, peçamos a graça de ser tocados pelos ensinamentos de Jesus: “Ó Divino Espírito, ensina-me tudo quanto Jesus ensinou. Dá-me inteligência para entender; memória para lembrar; vontade dócil para praticar; coração generoso para corresponder aos teus convites. Amém.”

Leitura (Verdade)
Leia o Evangelho pausadamente. Feche os olhos e reconstrua a narrativa em sua mente. Quais são os principais personagens do texto? Como é a relação entre eles? Quais sentimentos estão presentes nos diálogos? Detenha-se nas palavras e atitudes do pai e de cada um dos filhos. Leia o texto novamente para perceber outros elementos presentes na narrativa.
A centralidade da parábola está na figura do pai misericordioso. O pai acolhe o filho arrependido e procura abrir o coração do filho mais velho. A narrativa nos apresenta o retrato do amor de Deus: amor que liberta, acolhe, tem compaixão, respeita nossa liberdade, perdoa… A misericórdia divina em nós tudo recria.

Meditação (Caminho)
Qual palavra encontrou sintonia com a realidade que você está vivendo? Quais sentimentos o texto despertou em você? Como você compreende o gesto do pai misericordioso? Como acolhe a atitude do filho que retorna para o pai?
Podemos fazer a leitura da parábola e a sua aplicação em nossa vida segundo a imagem do filho mais novo ou a imagem do filho mais velho. Como filho mais novo, podemos pensar nas vezes em que nos afastamos de Deus, andamos perdidos e, quando retornamos para o Pai, fomos acolhidos em sua grande misericórdia. Como filho mais velho, pensemos nas vezes em que, mesmo voltados para Deus, nosso relacionamento com Ele manteve-se distante e pouco confiante. Reflita também sobre o grande amor que o Senhor tem por cada um de nós. Permita-se ficar em silêncio por alguns instantes, para que Ele continue falando ao seu coração.

Oração (Vida)
Momento de oração. Agradeça a riqueza da Palavra de Deus e os ensinamentos escondidos em cada versículo. Agradeça os convites, os apelos, os desafios que o Senhor o(a) convida a viver neste dia. Peça ao Senhor a graça de viver com profundidade este tempo que a liturgia nos apresenta, a graça do encontro com o Pai misericordioso, a graça do despojamento, da humildade e da simplicidade do coração e a graça da conversão pessoal.

Contemplação (Vida e Missão)
O que você se propõe a viver concretamente neste dia? O que está sendo pedido à sua vida, aqui e agora?

Bênção
– Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
– Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
– Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

[apss_share]