Apresentação do Senhor
Apresentação do Senhor

Meus irmãos,

Celebramos hoje a festa da apresentação de Jesus ao Senhor Deus, conforme a prescrição da lei judaica para os primogênitos masculinos.  Na Lei de Moisés o primogênito masculino pertence a Deus, mas pode ser resgatado mediante um sacrifício, originalmente um cordeiro, mas, no tempo de Jesus, o pagamento de cinco ciclos de dinheiro. A apresentação da criança ao santuário era facultativa. Quem quiser que faria. Os que fizessem davam testemunho de apreciada vida piedosa.

A apresentação, no caso do Senhor Jesus, se realizou no quadragésimo dia, coincidindo com o sacrifício da purificação da Mãe, igualmente uma instituição antiguíssima. O ritual do sacrifício da purificação consistia na apresentação de um cordeiro de um ano, de uma rola ou pombinha em sacrifico pelo “pecado”. E, especificamente, no caso dos mais pobres o ritual poderia ser simplificado por um par de rolas ou de pombinhas, como foi o caso da Bem Aventurada Virgem Maria que apresentou a simplicidade de sua vida.

Em conformidade com a Lei de Moisés(Ex 13,1-2.11-16; Lv 12,1-8), quarenta dias após o nascimento de Jesus, “Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor”(Lc 2,22). A Apresentação do Senhor ao Templo encerra as celebrações natalinas e,

com a oferta da Virgem Mãe e a profecia de Simeão(Lc 2,33-35), abre caminho rumo à Páscoa.

Nesta ocasião da Apresentação do Senhor Jesus o velho Simeão profetizou o papel messiânico de Jesus, atribuindo-lhe os títulos de “luz das Nações” e “glória do povo de Israel”. O que isso significa? Que Jesus é aquele que viria para salvar as Nações, ou seja, os pagãos, o povo de Israel seria o povo eleito, a partir do qual, seria o centro de irradiação para iluminar as nações.

Por isso a primeira leitura(Ml 3,1-4), descrevendo a visão escatológica da visita de Javé ao seu Templo. No tempo messiânico, segundo o profeta, a presença de Deus não estaria envolta em uma nuvem, ao contrário, seria a glória manifesta, iluminando o mundo a partir do Templo. Assim podemos fazer uma conexão com o Evangelho(Lc 2,22-40) em que Lucas anuncia que JESUS É A REALIZAÇÃO desta VISITA.

O profeta Malaquias tem uma palavra forte. Nesta festa da Apresentação do Senhor, ele sugere que uma personagem vigorosa vem da parte de Deus. As características dessa personagem coincidem com a

figura de Jesus na Carta aos Hebreus(Hb 2,14-18). Jesus é sinal da aliança definitiva, com poder e com força reinará. São Lucas, em contrapartida, apresenta Jesus de forma contrastante, isto é, na fragilidade de uma pequena criança.

Aliás, todo o relato respira essa fragilidade: desde os pombinhos do sacrifício até as duas figuras de longos anos como Simeão e Ana. Além disso, as palavras são inquietantes sobre o menino: ele é salvação e luz para os povos, mas mistério e admiração para seus pais que, com certa apreensão, ouviram aquelas palavras. De todo modo, a sua apresentação é motivo de alegria para o velho Simeão, ao ponto de ele reconhecer que sua missão fora cumprida e, portanto, já poderia partir em paz. Em suma, a personagem forte e a frágil criança são a novidade para o tempo novo de paz e presença do Reino de Deus.

Simeão ainda prevê que Jesus será um sinal de contradição e uma espada de dores

que atravessará o coração de sua mãe. Em redor dele se manifestarão os pensamentos profundos dos corações humanos; por causa dele, os homens se hão de dividir em pró e em contra. Essas palavras de anúncio do sofrimento da Virgem Maria são o anúncio da purificação da Mãe.

Maria é considerada a figura símbolo da Igreja. Muitas vezes se sofre na Igreja, com a Igreja e pela Igreja, e Maria é parte integrante do processo de acesso ao Senhor Jesus, como co-redentora da humanidade.

Irmãos,

A segunda leitura(Hb 2,14-18) insiste no fato de que Jesus assumiu plenamente nossa humanidade, por isso todos somos convidados à conversão e à mudança de vida, para ter acesso ao Reino de Deus. Por isso a liturgia de hoje nos manda um recado especial: ser cristão adulto implica também em assumir um processo normal, gradual, de crescimento e maturidade na fé. Não ficamos iluminados de uma vez para sempre num tempo especial de conversão. Vamos progredindo devagar, às vezes com algum retrocesso que vai ser recuperado mais adiante, tendo sempre mais o que aprender. Importante é estarmos aberto à graça de Deus e conscientes da importância e da responsabilidade da missão, sem ilusões ingênuas que podem gerar grandes decepções ao longo da caminhada.

Jesus é apresentado no templo, revelado pelo Divino Espírito Santo como glória do vosso povo e luz de todas as nações. No menino que Maria leva nos braços, Simeão e Ana reconhecem o Salvador que Deus preparou para todos os povos. Caminhemos ao encontro de Cristo, a verdadeira luz do mundo, e celebremos com toda a Igreja o Dia Mundial da Vida Consagrada. Que Nossa Senhora da Luz nos ilumine nossos religiosos na consagração. Que Nossa Senhora da Candelária ilumine nossas vidas! Eis que vira o Senhor onipotente iluminando os nossos olhos, Aleluia!

Padre Wagner Augusto Portugal