parábola dos talentos

Meus queridos irmãos,

A liturgia deste domingo é toda escatológica. A oração do dia da Santa Missa nos fala da felicidade completa, ou seja, a paz, que é o fruto do serviço dedicado ao Senhor. Disso fala a parábola dos talentos, mais conhecida do que compreendida, por isso convém interpretá-la bem.

Seu lugar, no encerramento do evangelho de Mateus e do ano litúrgico, orienta a interpretação, exprimindo o critério final de nossas vidas. O acento principal não está na diversidade dos talentos, dos dons, mas no valor decisivo do serviço empenhado.

A Primeira Leitura, retirada do Livro dos Provérbios(Pr 31,10-13.19-20.30-31), cita o talento feminino como exemplo, mas deve ser situada na intenção escatológica do conjunto da sagrada liturgia.

Todos nós somos convidados a investir diligentemente no fim para a volta do Senhor, ou seja, a Parusia, para a participação definitiva em seu senhorio. Deveremos, então, prestar contas daquilo que tivemos recebido, no sentido de tê-lo utilizado e não escondido. É como a luz que não deve ser colocada debaixo do alqueire (Mt 5,14s) e a advertência concomitante – com a medida com que medirdes, sereis servidos. Em outras palavras, ou seja, o que recebemos deve frutificar em nós.

A mensagem central é, portanto, a diligência. Deus nos confiou um tesouro e devemos diligentemente aplicá-lo na perspectiva do sentido último e final de nossa existência, que é Deus mesmo.

Irmãos

e irmãs,

Jesus compara no Evangelho de hoje (Mt 25,14-30) o Senhor rico e a si mesmo. Ele veio de fora, veio do céu, comprou com sua vida os campos – a humanidade – e todos os bens da terra. E partiu para uma viagem. A palavra viagem subentende-se que haverá um retorno. Jesus retornará da glória celeste à terra. Ao partir, deixou os empregados – as criaturas humanas – cada um com sua responsabilidade de fazer frutificar os campos e a desenvolver os bens, deixando a cada um a liberdade de ação e a escolha do modo de trabalhar.

O grande tesouro de que Jesus fala hoje não são os bens materiais. O grande tesouro que Jesus deixou em nossas mãos para fazer frutificar é a sua Palavra divina, embora não se excluam os bens materiais. O talento deixado por Jesus é a Palavra pregada, a Palavra escutada, a Palavra que se torna grão, a Palavra que se multiplica para alcançar os confins da terra, a Palavra encarnada na pessoa divino-humana de Jesus de Nazaré, o Cristo bendito de Deus.

Caros

irmãos,

Aqui na terra vivemos o tempo da plantação, floração e frutificação de nossa vida.

Nós não somos os donos do espaço e do tempo de nossa vida. Somos criaturas de Deus, pertencemos a Ele. Somos servos do Senhor, como bem disse a Virgem Maria, na Anunciação (Lc 1,38). Por mais que trabalhemos nesse mundo, por mais coisas que realizemos, devemos dizer que somos servos inúteis. Fizemos o que devíamos fazer.

Desde o início da criação humana existe a tentação de a criatura pensar-se igual ao seu Criador e até usurpar-lhe o lugar. A parábola de hoje nos recorda que temos imensos tesouros não só a tutelar, mas a aumentá-los, a trabalhar com eles, a transformá-los.

Quando Jesus voltar, Ele pedirá conta do que fizemos de sua Palavra salvadora. Estamos tentados a pensar dos que ganharam mais talentos serem os bispos, sacerdotes, religiosos.

Penso,

todavia, que os leigos têm as mesmas chances dadas por Deus, porque em Deus não há distinção de pessoas. Um dos elogios dados a Jesus foi o de ele não fazer acepção de pessoas.

Queridos irmãos,

Todos nós somos conclamados à plenitude da vida crista, à perfeição na caridade. Somos chamados a usar todas as nossas forças na busca da santidade da comunidade e na santidade pessoal. Os dons são de Deus, nos são dados para fazê-los crescer e deveremos devolvê-los acrescidos a Deus, que é seu verdadeiro dono. Nós e nossos dons pertencemos ao Senhor. Vivemos para o Senhor, trabalhamos para o Senhor.

Assim, embora sejamos servos de Deus, pelo simples fato de sermos criaturas sua, embora tudo quanto fizermos com os dons que Ele nos deu, o fazemos para Ele, se lhe formos fiéis, não nos tratará como servos, mas como amigos, “porque reparti convosco tudo quanto ouvi de meu Pai”.

Prezados irmãos,

Já vimos, no passado domingo, que um dos problemas fundamentais para os tessalonicenses residia na compreensão dos acontecimentos ligados à parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos). São Paulo e as primeiras gerações cristãs acreditavam que o “dia do Senhor” (o dia da intervenção definitiva de Deus na história, para derrotar os maus e para conduzir os bons à vida plena e definitiva) surgiria num espaço de tempo muito curto e que os membros da comunidade ainda assistiriam ao triunfo final de Jesus. No entanto, os dias foram passando e, provavelmente, faleceu algum membro da comunidade. Por isso, os tessalonicenses perguntavam: qual será a sorte dos cristãos que morreram antes da segunda vinda de Cristo? Como poderão eles sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com Ele no Reino de Deus se já estão mortos?

A estas questões Paulo respondeu já no texto que nos foi proposto no passado domingo. Mas, no texto de hoje, Paulo continua a sua reflexão sobre o “dia em que o Senhor virá” e sobre a forma como os cristãos o devem preparar.

A segunda leitura(cf. 1 Ts 5,1-6) coloca a primeira questão que o nosso texto põe é a da eventual data do “dia do Senhor”. Paulo tem alguma indicação concreta acerca disso? É possível prever uma data? Não. Paulo está convicto de que esse acontecimento se dará proximamente; no entanto, a data exata continua desconhecida e imprevista.

Por isso, os batizados devem estar atentos para não serem surpreendidos. Para descrever a “surpresa de Deus”, São Paulo utiliza duas imagens bem significativas: Deus surpreende-nos como um ladrão que chega de noite, quando ninguém está à espera (vers. 2); e Deus é como as dores de parto que surgem de repente (vers. 3). Em consequência, a vida cristã deve estar marcada por uma atitude de preparação e de vigilância. Para além da questão da data, o que é importante é que os cristãos vivam de forma coerente com a opção que fizeram no dia do seu Baptismo.

Os batizados têm de viver de maneira diferente dos não batizados, pois os horizontes de uns e de outros são diferentes. Os não batizados vivem mergulhados na noite e nas trevas, estão adormecidos, atordoam-se com a bebida; vivem no presente, absolutamente despreocupados em relação ao futuro, de olhos postos no horizonte terreno. Os batizados são filhos da luz e do dia, estão vigilantes, mantêm-se sóbrios; vivem de olhos postos no futuro, à espera que chegue a vida verdadeira, plena, definitiva que Deus lhes vai oferecer.

Na verdade, a vida dos batizados é mais bela e significativa, porque está cheia de esperança. No entanto, é preciso dar corpo à esperança esperando, fiéis e vigilantes a chegada do Senhor.

A questão fundamental que os cristãos devem pôr, a propósito da segunda vinda do Senhor, não é a questão da data, mas é a questão de como esperar e preparar esse momento. São Paulo deixa claro que o que é preciso é estar vigilante. “Estar vigilante” não significa ficar a olhar para o céu à espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as questões do mundo e os problemas dos homens; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino.

A certeza da segunda vinda do Senhor dá aos batizados uma perspectiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade. Para os não batizados, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores efémeros, os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os êxitos humanos) que devem constituir a prioridade e que devem dominar a existência, mas sim os valores de Deus.

A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da esperança. Os cristãos esperam, em serena expectativa, a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os batizados são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro – um futuro a conquistar, já nesta terra, com fé e com amor, mas sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.

Queridos amigos,

O servo que escondeu os “bens” que o Senhor lhe confiou mostra como não devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Esse servo contentou-se com o que já tinha e não teve a ousadia de querer mais; entregou-se sem luta, deixou-se dominar pelo comodismo e pela apatia. Não lutou, não se esforçou, não arriscou, não ganhou. Todos os dias há cristãos que desistem por medo e cobardia e se demitem do seu papel na construção de um mundo melhor.

Limitam-se a cumprir as regras, ou a refugiar-se no seu cantinho cómodo, sem força, sem vontade, sem coragem de ir mais além. Não falham, não cometem “pecados graves”, não fazem mal a ninguém, não correm riscos; limitam-se a repetir sempre os mesmos gestos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar; não fazem, nem deixam fazer e limitam-se a criticar asperamente aqueles que se esforçam por mudar as coisas…

Não põem a render os “bens” que Deus lhes confiou e deixam-nos secar sem dar frutos. Jesus diz-lhes: “servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não lancei; devias, portanto, depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu”(Mt 25,26-27).

Irmãos e irmãs,

A grandeza da parábola é, pois, esta. De fato, amigo é aquele com quem reparto o mais íntimo de meu ser, do meu coração, de meu ser.

Na parábola de hoje, o Senhor, reparte o que tem e o que é com os servos fiéis e operantes. O próprio Cristo fala que “te confiarei muito mais e partilharás de minha alegria”. O Senhor, assim, estabelece uma comunhão de bens e a alegria dessa comunhão entre o Criador e a criatura.

A generosidade de Jesus é infinda, ela é comunhão. O prêmio que Deus concede aos servos fiéis é abundante. Por isso não durmamos, a exemplo dos outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios. Assim estaremos nos preparando para o encontro com o Senhor para a eternidade.

Padre Wagner Augusto Portugal

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