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RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

Deus te abençoe !

Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs,

A auto-revelação de Jesus é colocada no Evangelho de hoje(Jo 6,1-15), lido segundo a tradição joanina, para demonstrar um momento decisivo de fé dos discípulos. Refletimos o episódio da multiplicação dos pães, numa seqüência às leituras dos domingos precedentes. João fala da multiplicação dos pães como ponto de partida do discurso eucarístico e como seu sinal. Entretanto, a parte principal do trecho da multiplicação dos pães nós iremos refletir nos domingos seguintes.

Nós nos lembramos que, depois que os discípulos foram enviados para a missão pastoral, no domingo passado, foram convidados por Jesus para um retiro espiritual, para um momento de privilegiada oração e de súplicas ao Pai, para abençoar a missão que era feita em Seu nome. E, mais do que tudo isso, os discípulos que receberam um mandato de anunciar o Senhor deveriam voltar a Ele próprio para se enriquecerem com a água viva que saía de sua boca. Quando foram para o retiro espiritual nós vimos que a multidão que estava sem pastor pediu que Jesus viesse ao seu encontro.

É essa mesma multidão que caminhava para Jerusalém, que faz uma estadia em Cafarnaum. E o que fazem em Cafarnaum? Querem ver a

Jesus, quer ouvir aquele que cura, aquele que é um profeta, que dá o pão da palavra e o pão da vida eterna.

Nós vimos no domingo precedente que Jesus teve compaixão do povo que estava naquela relva. Era tempo da Páscoa, esses peregrinos caminhavam para Jerusalém, para a Páscoa. Grande multidão que quer significar que o povo simples acolhia os ensinamentos de Jesus e caminhava à sua procura para ouvi-Lo, para converter-se ao seu Evangelho, para vivenciar os seus conselhos e para caminhar com Ele.

Prezados irmãos,

A versão joanina da multiplicação do pão é materialmente idêntica com a de Marcos. Coloca, porém, os acentos de modo um tanto diferente. Enquanto Marcos lembra a situação do povo no deserto, no tempo e Moisés – os grupos de 50 e 100, etc – João acrescenta alguns detalhes que evocam a atuação do profeta Eliseu (1ª. Leitura): os pães “de cevada”, o “rapaz” – Giezi em 2Rs 4,39). Com isto se relaciona a reação do povo no fim: Jesus é “o profeta que deve vir ao  mundo”(Elias, com quem Eliseu é intimamente associado) –

Jo 6,14. Também a distribuição dos papéis é diferente. Enquanto em Marcos os discípulos tomam a iniciativa de pensar em comida e Jesus lhes ensina a darem eles mesmos de comer ao povo(Mc 6,37) – João coloca a iniciativa soberanamente nas mãos de Jesus; a gente até acha que ele nem quis pregar, somente multiplicar pão(Jo 6, 5-6) Em Marcos, o Mistério do Cristo é velado e os discípulos incompreensivos. Em João, Cristo radia uma luz divina e os discípulos são testemunhas – igualmente incompreensivas – de uma revelação de seu Mistério em forma de um “sinal” – Como João chama os milagres. Mistério que já se faz pressentir pela palavrinha “Donde(compraremos pão?)(Jo 6,5), que para o leitor iniciado no mistério de Jesus já sugere a resposta: “de Deus”. É  que o “Discurso do Pão da Vida” mostrará nos próximos domingos. O Jesus de Marcos é o que esconde para as categorias judaicas a natureza de sua missão, porque são
inadequadas para a compreender. O Jesus de João é o que revela para o cristão a glória de Deus. Mas o resultado é o mesmo: quem fica com as categorias antigas, fica por fora.

Irmãos e irmãs,

Jesus subiu ao monte para rezar ao Pai, para depois descer à planície para saciar a fome daquela multidão que, próxima da Páscoa, caminhava em busca daquele que era considerado o Salvador, o novo Messias.

Os montes sempre foram para os judeus a habitação de Deus. Ao falar de cima do monte, Jesus fala com a autoridade divina e, ao descer do monte, para fazer o discurso eucarístico na planície de Cafarnaum, vem revestido da força de Deus. Cristo é o novo mestre e guia. Jesus oferece seu corpo como alimento vindo do céu. A fartura do alimento distribuído, de cinco pães comem cinco mil pessoas e sobram doze cestos, sem contar as crianças e as mulheres, essa fartura indicava a bênção do Onipotente, dos céus, sinal da era messiânica, intervenção direta de Deus.

A Eucaristia será a maior de todas as bênçãos, porque será o próprio Filho de Deus que não só intervém com força divina, mas se deixa comer como fonte inesgotável de graças salvadoras. Quem lhe come o corpo e lhe bebe o sangue não terá mais fome nem sede, o que significa uma vida de alegria e de graça, que se completa na posse da divindade, da comunhão com Deus.

Irmãos e irmãs,

O pão que alimentou essas pessoas na planície de Cafarnaum tem um significado profundo para todos nós: Cristo é o próprio pão, o maná que desceu do Céu, dado em cada Santa Missa pela nossa salvação, alimento que nos conduz a Deus, que nos sacia para os embates da vida, alimento de salvação, alimento que pavimenta uma auto-estrada para o céu, o Reino das alegrias eternas. 

Jesus, ao repartir o pão para cinco mil homens, inaugura um novo tempo na vida comunitária. Por isso, todos nós devemos repartir o pão como alimento que sacia e pão da palavra que alimenta nossa vida de fé. Palavra de fé, palavra de vida que é plenificada na Missa, com o alimento do Cristo, que se dá a nós como alimento de salvação.

Caros irmãos,

A Primeira Leitura(2 Reis 4,42-44) texto que nos conta que um homem de Baal-Shalisha trouxe a Eliseu o “pão das primícias”: vinte pães de cevada e trigo novo num saco. De acordo com Lv 23,20, o pão das primícias devia ser apresentado diante do Senhor e consagrado ao Deus, embora depois revertesse em benefício do sacerdote. Deve ser este costume que está subjacente ao episódio da entrega dos pães a Eliseu. Eliseu, no entanto, não conservou os dons para si, mas mandou reparti-los pelas pessoas que rodeavam o profeta. O “servo” do profeta não acreditava que os alimentos oferecidos chegassem para cem pessoas; no entanto, chegaram e ainda sobraram. Estamos, aqui, diante de uma sucessão de gestos que revelam generosidade e vontade de partilhar: do homem que leva os dons ao profeta e do profeta que não os guarda para si, mas os manda partilhar com as pessoas que o rodeiam. A descrição de uma milagrosa multiplicação de pães de cevada e de grãos de trigo sugere que, quando o homem é capaz de sair do seu egoísmo e tem disponibilidade para partilhar os dons recebidos de Deus, esses dons chegam para todos e ainda sobram. A generosidade, a partilha, a solidariedade, não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.

Como é que Deus atua para saciar a fome de vida dos homens? É fazendo chover do céu, milagrosamente, o “pão” de que o homem necessita? A nossa primeira leitura sugere que Deus atua de forma mais simples e mais normal. É através da generosidade e da partilha dos homens (primeiro do homem que decide oferecer o fruto do seu trabalho; depois, do profeta que manda distribuir o alimento) que o “pão” chega aos necessitados. Normalmente, Deus serve-Se dos homens para intervir no mundo e para fazer chegar ao mundo os seus dons. Muitas vezes sonhamos com gestos espectaculares de Deus e vivemos de olhos fixos no céu à espera que Deus Se digne intervir no mundo; e acabamos por não perceber que Deus já veio ao nosso encontro e que Ele Se manifesta na acção generosa de tantos homens e mulheres que praticam, sem publicidade, gestos de partilha, de solidariedade, de doação, de entrega. É preciso aprendermos a detectar a presença e o amor de Deus nesses gestos simples que todos os dias testemunhamos e que ajudam a construir um mundo mais justo, mais fraterno e mais solidário.

Irmãos e Irmãs,

A Carta aos Efésios (que temos vindo a refletir e cujo texto vai continuar a acompanhar-nos nos próximos domingos) parece ser uma “carta circular”, enviada a várias comunidades cristãs da parte ocidental da Ásia Menor, inclusive aos cristãos de Éfeso. É considerada uma “carta de cativeiro”, escrita por Paulo da prisão. De qualquer forma, é um texto bem trabalhado, que apresenta uma catequese sólida e bem elaborada. Poderia ser um texto da fase “madura” de Paulo. Alguns autores consideram a Carta aos Efésios uma espécie de síntese do pensamento paulino.

O texto que hoje nos é proposto como segunda leitura é o início da parte moral e parenética da carta (cf. Ef 4,1-6,20). Temos, aí, uma espécie de “exortação aos batizados”, na qual Paulo reflete longamente sobre a edificação e o crescimento do “Corpo de Cristo”. Em termos sempre bastante concretos, São Paulo dá pistas aos cristãos acerca da forma como eles devem viver os seus compromissos com Cristo, de forma a chegarem a ser Homens Novos.

A segunda leitura(Efésios 4,1-6) ajuda-nos a sentir o ambiente de reunião escatológica que marca a multiplicação dos pães, realização do banquete escatológico anunciado em Is 25,6-8. Esse banquete é para todos os povos, demonstrando o universalismo da unidade e da salvação da Igreja, resumida na leitura de Ef 4,4-6: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”.

Jesus não veio propriamente para distribuir cestas básicas e ser eleito político, para resolver problemas sociais. É preciso caminhar para o fundamental: que conheçam o Deus de amor e de justiça que se revela em Jesus. É para isso que o Mestre vai pronunciar o Sermão do Pão da Vida, como veremos nos domingos seguintes.

Para que a unidade seja possível, Paulo recomenda aos destinatários da Carta aos Efésios a humildade, a mansidão e a paciência. São atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos.

Caros irmãos,

A liturgia deste domingo muitas vezes pode parecer que somos como “ovelhas sem pastores!”. Nossas realidades eclesiais e o mundo em que vivemos estão repletos de pessoas que caminham como “ovelhas sem pastor”, sem maiores sentidos de vida, sem propósitos nem objetivos. A Palavra de Deus propõe o recolhimento e o encontro.

Não somos apenas uma carne para ser cuidada, mas somos seres humanos vivos, livres, conscientes e desejosos de transcendência. Jesus nos convida a ir a um lugar tranquilo, sereno, para conversar, encontrar as belezas de Deus presentes na vida de todos nós, na luta dos operários, no trabalho de um médico, de um construtor, no esforço de um jovem que busca emprego, de um recém-formado, de alguém que estuda para entrar na universidade, no apostolado junto aos hospitais, na escuta dos idosos, no tratamento dos que vivem em vulnerabilidade. Quantas histórias lindas temos para perceber em nós e no nosso meio! Somos, todavia, demasiadamente ocupados com uma vida vazia.

Assim como agiu com seus discípulos, Jesus também nos indica o silêncio e o recolhimento, para ouvirmos melhor o próprio interior, onde Deus habita. A unidade e a reunião das “ovelhas dispersas” se iniciam desde dentro, quando acolhemos nossos fragmentos e nos integramos na fé, no Senhor. A partir daí, ajudamos essa unidade em Cristo a realizar-se em outras pessoas, nas nossas comunidades e na nossa sociedade.

Tenhamos a mesma compaixão de Jesus! A compaixão sentida por Jesus deve preencher nosso coração e nos deslocar para o encontro com o outro necessitado. Não apenas como mero sentimento, mas como jeito de ser e de agir. Há tantas pessoas por aí necessitando da compaixão de Deus!

Oremos, irmãos, para que Deus nos ensine cada vez mais a repartir o pão da vida e o pão da palavra. Lembre-se que a sua parte deve ser feita, porque o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada. A política de Deus é a da partilha, do amor, da acolhida e da solidariedade. Estas políticas pessoais, cada vez mais esquecidas por nós.

Ajude-nos a Providência a caminhar e a repartir, valorizando a Eucaristia como momento privilegiado de nossa caminhada de fé. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal