Jesus cura a mulher hemorrágica

Celebramos, neste 13º Domingo do Tempo Comum, o aplauso universal de Deus, quando celebramos Aquele que transforma nosso pranto em alegria. Jesus, salvador da humanidade, convida-nos a assumir o compromisso com a vida e com o mundo sem carências. O itinerário da mensagem de São Marcos aproxima-se do momento culminante: o desabrochar da fé nos discípulos com a Confissão de Pedro (Mc 8,27-30). Enquanto nos primeiros milagres de Jesus importava aprender sua misteriosa “autoridade”, provocando a rejeição por parte das autoridades (Mc 1,21-3,35), a partir de Mc 4,35, vemos sugerida a relação do sinal messiânico com a fé. O milagre da tempestade acalmada nos ensina que os discípulos não tinham fé em Deus, que faz de Jesus o catalisador de sua providência (12º Domingo do Tempo Comum).

Neste domingo, o Evangelho (Mc 5,21-43) nos apresenta um milagre duplo, elaborado literariamente em forma de “sanduíche”: uma narração central é prensada entre duas fatias de uma narração que serve de quadro (cf. Mc 3,20-35; 10º Domingo do Tempo Comum). Chamamos comumente esse episódio da “cura da filha de Jairo”. Porém, o sentido central da relação entre milagre e fé está no episódio intercalado, da mulher hemorrágica, a quem Jesus diz depois de que ela clandestinamente conseguiu tocar a sua veste: “Filha, tua fé te salvou!” (Mc 5,34). A cena é narrada de maneira bem popular. Jesus sente que a “força” (o espírito de Deus) opera nela, e pergunta quem o tocou. Os discípulos, incrédulos, desviam a pergunta, respondendo que em uma multidão, não dá para constatar nada. Como se esta “força” fosse uma coisa de nada! A mulher, ao contrário, sentindo-se apanhada em flagrante, confessa sua cura “roubada”. E ganha um elogio de Jesus: ela teve fé, confiança, e Deus confirmou sua fé respondendo pelo sinal da cura; ou ainda, por sua fé, ela abriu o caminho para a força de Deus que saía de Jesus.

Ao

ler a cura da filha de Jairo, devemos ter presente este sentido de fé, como também a lição do milagre da tempestade acalmada. Jairo, o chefe da sinagoga, confia em Jesus, até com insistência. Seus companheiros, não. Pois acham que não se deve importunar Jesus, agora que a filha já está morta. Jesus diz: “Não temas: é só teres fé” (Mc 5,36), e explica que a moça apenas está dormindo: verbo ambíguo, que pode significar a morte, mas também o barco. A multidão zomba dele: incredulidade. Jesus lança todos fora: quem não tem fé, é inacessível à revelação de Deus. Só leva o pai e a mãe, que demonstraram sua confiança, e os que iam com ele, isto é, seus discípulos (Mc 3,13), porque estes precisam de uma lição. E faz a moça levantar-se com um toque da mão. Como sempre, proíbe publicidade, mas com toda a naturalidade, manda dar comida à menina.

Prezados

irmãos e irmãs, o Reino de Deus é a vida. Jesus percorre o país para o anunciar e o estabelecer. Ele fala e age. A sua fama espalha-se, porque uma força brota d’Ele, é a força da ressurreição, o Espírito de vida. “Sê curada”.

O imperativo de Jesus tem algo de afetuoso para com esta mulher, restaurada na sua dignidade, restabelecida na sociedade que excluía o seu mal. Este “sê curada” aparece também como uma constatação: é a sua fé que a salvou, e Jesus alegra-Se por isso.

A

cura é consequência da fé, que é sempre fonte de vida e de felicidade. “Levanta-te”. Este segundo imperativo do Evangelho deste dia é dinâmico e traduz perfeitamente este louco desejo de Deus em ver o homem vivo, o seu amor incondicional pela vida. “Adormecida’, no “sono da morte”… Um estado do qual Deus nos quer fazer sair, um estado do qual Jesus nos salva. “Eu te ordeno: levanta-te”.

A palavra evoca a ressurreição, o novo surgir da vida, o amor divino que nos coloca de pé. Jesus pede ao pai da jovem apenas uma coisa: “basta que tenhas fé”. E quanto a nós, cremos verdadeiramente? As duas beneficiárias das ações de Jesus neste Evangelho têm isto em comum: a primeira estava doente desde os 12 anos e a jovem filha morreu aos 12 anos, a idade em que se devia tornar mulher.

No povo de Israel, o percurso destas duas mulheres era sinal de um fracasso. Uma estava atingida, como Sara, a mulher de Abraão, na sua fecundidade: ela perdia o seu sangue, princípio de vida na mentalidade semítica.

A outra perdia a vida, precisamente na idade em que se preparava para a transmitir (era tradição casar-se muito cedo). Cristo cura as duas mulheres e permite-lhes assim assumir a sua vocação maternal. Estas duas mulheres representam a Igreja, na sua vocação maternal de dar e de alimentar a vida em Cristo.

As alusões aos santos mistérios da Igreja orientam a compreensão do relato: Jairo pede a Jesus para impor as mãos, para salvar e dar a vida à sua filha. Ora, toda a preparação para o Batismo está sinalizada pela imposição das mãos.

Jesus levanta a jovem, tomando-a pela mão, como o diácono fazia sair da água o batizado, tomando-o pela mão, para que fosse desperto para a vida em Deus. Jesus pede, em seguida, que se dê de comer a esta jovem ressuscitada da morte: é uma alusão à Eucaristia que se segue ao Batismo.

O Evangelho de hoje pode ser assim resumido nesta semana: a transformação pela fé. Um chefe de sinagoga cai de joelhos e suplica a Jesus para curar a sua filha. Uma mulher atingida por hemorragias não diz nada, mas contenta-se em tocar as vestes de Jesus, sem dúvida porque se considera impura.

Isto basta àquele que veio para levantar, curar e salvar a humanidade ferida. As reações dos que acompanham Jesus são diversas. Riem-se d’Ele. Só a fé solicita um sinal de Jesus, a fé de Jairo, a fé da mulher, a fé de Pedro, Tiago e João.

E esta fé faz Jesus agir e transforma os beneficiários: a mulher é curada, a jovem levanta-se, as testemunhas ficam abaladas. Decididamente, Jesus não é um taumaturgo: é reconhecido por aqueles que acreditam, recomenda insistentemente que ninguém saiba, com receio, sem dúvida, que se valorize os seus sinais sem os ver com os olhos da fé.

Contemplemos as duas ações de Jesus: eis Jesus mergulhado no barulho e nos apertos da multidão. Para mais, circula o rumor: Jesus vai fazer um milagre, curar a jovem filha de Jairo! A multidão esmaga Jesus. E eis que uma mulher quer aproximar-se de Jesus, a todo o custo, para tocar ao menos as suas vestes.

Ela quer ser também beneficiária do poder do homem de Deus, ser, enfim, curada da sua doença que perdura há 12 anos. Ela chega por detrás, toca as suas vestes. Conhecemos o diálogo que se segue. O mesmo acontece com Jairo que se aproxima. No meio da multidão, Jesus está atento a estas pessoas concretas, manifesta uma disponibilidade extraordinária, está extremamente atento à sua presença. No meio da multidão, Jesus está atento a cada um.

Ninguém fica anônimo aos olhos de Jesus. Está habitado pelo amor de Deus para com os seus filhos. No Coração do Pai, Jesus é capaz de uma atenção extrema a cada angústia do ser humano. Não interessa quem possa vir junto d’Ele, não interessa qual é a situação: ele será sempre acolhido, Jesus dará sempre a sua atenção como se cada um estivesse sozinho no mundo com Ele. Isto continua a ser verdadeiro, agora que Jesus está na plenitude da glória do seu Pai.

Se eu também começasse a fazer silêncio em mim para melhor escutar Jesus, através da sua Palavra, se eu tivesse tempo para a oração interior, para aprofundar o meu silêncio interior… Certamente ficaria mais disponível, mais atento aos outros. Senhor Jesus, dá-me a graça do silêncio interior que escuta e que ama.

Caros irmãos, a Primeira Leitura (Sb 1,13-15;2,23-24) é do Livro da Sabedoria, que foi composto um pouco antes da vinda de Jesus. A sua doutrina é mais serena que a dos livros mais antigos, em particular quando apresenta o rosto de Deus.

Este anúncio deve ser proclamado com força, porque vem contradizer ideias ainda muito espalhadas, segundo as quais agradaria a Deus fazer morrer o homem. A morte vem de outro, pois “não foi Deus quem fez a morte”.

Pelo contrário, Ele cria a vida e dá-la à humanidade, modelada à sua imagem. Ele restaura a vida, quando esta está em perigo de se apagar. Dá a vida quando está perdida, como testemunha o Evangelho deste domingo. “Vivificaste-me”, diz o salmista.

No seguimento da Primeira Leitura, o Salmo exprime a experiência de um Deus que quer a vida dos seus fiéis. Em Jesus ressuscitado, e para todos os que n’Ele acreditam, a oração do Salmo encontra toda a sua verdade. Se Deus criou tudo para a existência da vida, como desejaria Ele a morte: Sabedoria proclama, portanto, que Deus não tem nada a ver com a morte.

Se o homem morre, é para a vida eterna. A morte acompanha o pecado, e este é obra da inveja do demônio (Gn 3). Só quem a ele pertence, experimenta a morte verdadeira.

Podemos, então, também dizer o contrário, e esta é a mensagem global da liturgia de hoje: quem pertence a Deus, pela fé, experimenta e sempre experimentará a vida. A síntese teológica do Antigo Testamento, que é o livro da Sabedoria, fundamenta esta certeza com muita firmeza: o homem é a imagem da própria natureza de Deus.

Prezados irmãos,

Na Segunda Leitura (2Cor 8,7.9.13-15), as primeiras comunidades cristãs praticaram a entreajuda e a partilha, não apenas entre os seus membros, mas também entre comunidades.

O apóstolo Paulo solicitou-as nesse sentido. O apóstolo Paulo tinha organizado um peditório junto das comunidades que tinha fundado na Ásia Menor, na Macedónia e na Grécia, em favor dos irmãos de Jerusalém que estavam em dificuldades.

Esta iniciativa correspondia às orientações da jovem Igreja, segundo At 4,32-35. Paulo justifica esta ação de partilha pela generosidade de Cristo: esta é modelo para os cristãos e eles próprios já se beneficiaram dela.

Deus dá a vida e revela esta qualidade para aqueles que acreditam em Jesus Cristo, seu Filho. Se esta é a Boa-Nova hoje, não podemos ficar insensíveis ao pedido de São Paulo na Segunda Leitura de hoje: propiciar condições de vida para as comunidades pobres, no caso, a de Jerusalém. São Paulo destaca, em 2Cor 8-9, a grandeza do “fraterno repartir” (coleta, cf. Gl 2,10; 1Cor 16,1-4; Rm 15,25-28).

Nos capítulos anteriores de Coríntios, o Apóstolo Paulo teve que apaziguar os espíritos, divididos por problemas comunitários. No Capítulo 7, mencionou o feliz encontro com Tito na Macedônia. No capítulo 8, São Paulo exorta para a continuação da coleta (interrompida por causa dos problemas anteriormente mencionados).

Cita como exemplo o belo trabalho feito na Macedônia; pediu a Tito levá-lo a termo, também, em Corinto (2Cor 8,6). Esta obra é, aos olhos de São Paulo, uma graça de Deus para aqueles que recebem e, mais ainda, para aqueles que contribuem, pois prova a sinceridade de sua caridade. Mas é, sobretudo, imitação de Cristo, que se fez pobre (quenose) para que nós fôssemos ricos.

Caros irmãos, Jesus cura, liberta e ressuscita. A cura da mulher e da menina manifesta o poder da ressurreição, o Espírito de vida. Ao se dirigir à mulher, que tremia, Jesus a enxerga com afeto: “Minha filha, tua fé te salvou”. Ela agora é mulher restaurada na liberdade.

A ordem para que a menina fique de pé é, também, para que toda a comunidade esteja de pé. A comunidade ressuscitada está de pé; é capaz de erguer os que estão caídos neste mundo marcado pelo sofrimento e pela indiferença. Numa humanidade ferida pela Covid-19, só a graça do Ressuscitado pode nos restaurar!Padre Wagner Augusto Portugal

AJUDE A MANTER O SITE NO AR !

Nosso site tem uma divida mensal e a cada dia está mais difícil manter o site no ar. Doe qualquer valor e você ira muito ajudar na manutenção e permanência do site no ar ! O seu gesto de amor ajudara muitos catequistas que visitam nosso site

FAÇA UMA DOAÇÃO DE QUALQUER VALOR

PIX CHAVE CPF: 16800472808
RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

ou

PIX CHAVE EMAIL: [email protected]
RESPONSAVEL: Anderson Roberto Fuzatto

Deus te abençoe !