A Herança – Parte I

1836
A Herança - O filho pródigo

(o errado que agiu certo)

O Evangelho não nominaliza os dois irmãos. Esta atitude de Jesus é proposital, visto que cada um deles pode receber o nome de cada um de nós.

O protagonista é o Pai e os atores, os filhos: sendo o mais novo o ator principal e o mais velho o ator secundário. Cada qual em seu momento desempenhando a realidade de suas vidas.

O mais novo chama o pai e pede a herança que lhe cabe; ou seja, mata antecipadamente aquele que o gerou porque herança é partilhada após a morte do tutor.

Recebe, não agradece e nem sequer se despede. Sem olhar para trás, sonho nos bolsos e mochila às costas, toma o rumo da estrada. O pai o acompanha com os olhos até vê-lo perder-se na curva do caminho.

Bebedeiras. Orgias. Farras. Aventuras amorosas. O sonho dos bolsos, por fim, acabou e com ele os sonhos do coração. Sem dinheiro, sem amigos, sem emprego, sem crédito, sem ninguém… A única alternativa oferecida: cuidar de porcos. Aceitou.

 O pai, em contrapartida, todos os dias à tardinha achegava-se ao alpendre e olhava a estrada, esperando a sua volta. Alguma coisa mais forte dizia no seu coração que um dia… Ele iria voltar. Não poderia matar a esperança. Esperava… Esperava…

O chiqueiro, os porcos, a lama, fizeram do menino um verdadeiro bicho. Magreza indescritível (não podia comer nem a comida dos porcos). Odor insuportável. Aparência repugnante. Cabelos desgrenhados. Roupas rasgadas. Pés descalços. E a pocilga dia e noite exalando o seu odor característico.

Foi neste estado de decadência física, moral e espiritual que naquela manhã sentou-se sobre uma pedra. Silêncio… Olhos perdidos no horizonte, rememora a casa do pai. Bendita reflexão que o impulsiona a descruzar os braços, perder o medo, sepultar o respeito humano e tomar o caminho de volta.

Ainda vinha longe, decorando as palavras que iria dizer ao pai, “Pai, pequei contra o céu e contra ti, não sou digno que me chames teu filho…”, quando os olhos do pai o avistaram. Não se contém. Corre em direção ao filho. O filho caminha lentamente, não tem forças… Enquanto a Misericórdia corre, o perdão caminha.

O pai o acolhe em seus braços. A lama, o odor, a sujeira, a repugnância são purificados no abraço da Compaixão.

 Os servos estão perplexos, boquiabertos, estáticos, mudos… A ordem do pai quebra toda a expectativa:

– Tragam a melhor túnica; as sandálias e o anel; matem o bezerro mais cevado. Hoje é dia de festa. Regozijemo-nos “porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado”.

 Você se encontra neste estado? Atolado ou atolada na lama de um sexualismo desenfreado e sem rédeas? Atolado ou atolada nas bebedeiras que lhe roubam a dignidade de filho ou filha de Deus? Atolado ou atolada na prostituição ou no homossexualismo que devoram e mutilam os seus sentimentos afetivos mais profundos? Deixe-se abraçar por Jesus. É o único remédio! E desse abraço acolhedor e purificante fluirá a força para você cantar vitória. A túnica da Graça revestirá você; as sandálias romperão as algemas de escravo ou escrava; e o anel lhe reconciliará com o Pai, com você mesmo e com os irmãos. O Pai é Deus. O filho ou filha é você. Qual o seu nome? Deixe-se abraçar! O Pai tem pressa. A festa vai começar.

 Paz e Luz

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