Fonte de amor e de vida

1971

Nada existiria humanamente falando, sem a presença feminina. Desde a origem, essa presença encheu de alegria a solidão do homem. Sem esta, nada seríamos. Não é uma afirmativa poética, nem simplista, que aqui faço para enaltecer a mulher, companheira graciosa, porém essencial a todo e qualquer projeto de vida. Porém, sem sua fecundidade, do corpo e do espírito, nem a solidão no Paraíso seria possível. Tudo se extinguiria ali mesmo.

Falar da mulher, necessariamente, é falar da maternidade. Vocação primeira deste ser que se divide, se multiplica, se doa por completo como fonte profícua de vida e instrumento primeiro das realizações que a história humana tem conseguido alcançar. Então, sem elas, a odisseia da vida sequer teria início.

É dessa fonte que hoje me abasteço, para levar adiante uma reflexão centrada no milagre da vida. Isso mesmo: a maternidade é um braço da Criação, instrumento divino que nos permitiu chegar aonde chegamos, conquistar tudo que conquistamos, louvar e agradecer por sermos nós mesmos, por obra e graça da mulher que nos fez filhos seus. Obrigado, mãe.

Em contrapartida, mulheres existem que rejeitam tão sublime dom. Não há justificativas plausíveis para amenizar (ou mesmo perdoar) qualquer atitude abortiva aceita e consentida por uma mulher. É o mais vil dos procedimentos, a mais torpe das ações contrárias ao santo privilégio da maternidade.

Mesmo quando suas razões apresentam questões de foro íntimo (estrupo, doenças genéticas ou hereditárias, incapacidade moral, financeira ou psicológica), nada, nada mesmo é capaz de apagar uma violência abortiva. A maternidade está acima das sequelas e contradições que só o amor de mãe tem forças para superar. Tudo mais são paliativos dos limitados conceitos humanos, esses que não conseguem avaliar a incondicional fortaleza da mulher em processo de gestação.

Encontra forças onde vemos apenas fragilidade, inconsequência de atos impensados, submissão. Só a graça do amor materno justifica a força que vem da mulher, dona sim do próprio corpo, não da vida que gera dentro de si. As companhas abortivas que por ai proliferam nascem de interesses escusos, saneadores que são de uma espécie de “purificação” social. Já as mães convencidas a abortar (contribuir com o saneamento genético e social), rapidamente são excluídas, esquecidas frente a frente com seus dilemas de consciência, seus conflitos existenciais. Estas que se resolvam diante de Deus.

Por outro lado, há sempre uma referência consoladora. Exemplo de maternidade e determinação frente à missão que lhe foi dada, Maria continua como mãe dos aflitos, consoladora, aquela da qual emanam todas as forças, graças, exemplos e atitudes decisivas frente ao privilégio da maternidade.

Aquela que intercede pelo primeiro milagre do Filho Amado, que clama pelos filhos e filhas enfraquecidos na caminhada, pelas injustiçadas social e culturalmente, pelas aquebrantadas aos quais providência remédios mais eficazes que os da medicina e da ciência humana. A ela recorremos.

Dela exaurimos forças para superar qualquer ação contra a plenitude da vida. Dessa vida que herdamos de mães tão e tanto quanto seu amor maternal, seu companheirismo angelical, seu coração amoroso transpassado pela dor de um Calvário que a insensibilidade humana preparou para seu Filho. “Mãe, eis agora seus filhos”, diria aquele abortado do amor humano, que do alto de sua cruz ainda teve forças para nos dar sua Mãe.

Filha, nunca sentencie um filho seu. Mãe, queira ou não, a vida procede de suas entranhas. Seu coração possui poderes de vida ou morte.