Fiéis defuntos – Finados

flor de finados

A comemoração dos fiéis defuntos é celebrada um dia após a festa de todos os Santos, para mostrar que as duas festas litúrgicas estão ligadas intimamente pela fé e pela esperança no destino eterno da criatura humana. Através da Solenidade de Todos os Santos, renovamos o nosso compromisso de caminhar para a santidade, nos preparando para a festa do encontro definitivo com Deus. Os santos nos lembram que a meta foi alcançada, e que agora não precisam mais da fé e da esperança, porque tudo agora é amor e caridade, por que “Deus é amor e quem ama permanece em Deus” (1Jo 4,16).

Já a solenidade dos fiéis defuntos nos mostra que a morte é o “último inimigo a ser vencido” (1Cor 15,26), e a vitória sobre a morte é o critério da esperança de todos os batizados. Se Jesus ressuscitou, também para nós iremos. A morte não pode ser o ponto final, mas o início de uma nova jornada, da vida em Deus. Somos unidos com Jesus na vida e somos unidos com Ele na morte. Jesus é a Ressurreição e a Vida: unir-se a Ele significa não morrer, não parar de existir diante de Deus, embora o corpo morra e se decomponha, voltando a ser pó.

A morte, do ponto de vista meramente humano, é considerada como um ponto final, como se tudo tivesse terminado. No entanto, para os que creem em Cristo Ressuscitado, a resposta é totalmente diferente: “A vida não é tirada, mas transformada”. O livro da Sabedoria nos afirma que a morte é o começo do “estar nas mãos de Deus”, Ele que nunca tem fim, pois é eterno. A morte é a ponte entre a vida terrena e passageira para a belíssima vida celeste, divina e eterna.

Com a morte é desfeito o nosso corpo mortal, mas nos é dado, nos céus, um corpo imperecível, incorruptível, eterno, perfeito, porque Ele aceitou morrer na cruz para livrar a todos da morte. Ele entregou de boa vontade a sua vida, para que pudéssemos viver eternamente. Cristo conseguiu a vitória sobre a morte e levou a criatura a participar da vida incorruptível e eterna de Deus. Deus, que nos dá a vida, nos oferece a salvação, nos acolhendo de braços abertos, pelos méritos de nossa caminhada terrena, na comunhão perfeita com Ele, a chamada comunhão dos santos.

A liturgia de finados nos mostra que o céu existe e é eterno, que o inferno existe e é eterno, que o purgatório existe, mas não é eterno. Significa que podemos rezar por todos aqueles que morreram e que ainda se encontrem no purgatório, para que as nossas orações ajudem para que entrem definitivamente no céu, pois quem está no purgatório não pode ir ao inferno, mas somente ao céu.

Hoje rezamos pela Igreja Triunfante, ou seja, por todos aqueles que já estão no céu, mas também pela Igreja Padecente, por aqueles santos estão em fase de acabamento, de polimento, aqueles que estão a caminho da santidade através do purgatório. Queremos fazer memória dos pais que nos deram a vida e a fé cristã; dos irmãos, irmãs e amigos que lembramos com a grata saudade, por tudo o que bem fizeram pela nossa Igreja, pela nossa família e pela nossa sociedade.

Fiéis defuntos foram pessoas que viveram a sua fé e que, portanto, seguiram aquilo que o Senhor os ensinou. Fides – fiéis, vem de fé. Tiveram fé na Palavra, fé na vida do Senhor, entregaram-se a Ele, acreditaram na Escritura, entregaram toda a sua existência para seguir os ensinamentos. São fiéis – cheios de fé!

E defuntos? Defunto é aquele que cumpriu a sua missão. Vem de um verbo bonito do latim que significa cumprir, realizar ao extremo. Pode ser com um ano, com um mês, vinte, quarenta, cem anos. A missão não tem anos.

Ninguém vai colocar um ramalhete de flores sobre o nada. Sobre o nada, nada! Se acreditamos que nos túmulos não existe nada, que quem morreu não significa nada, para que então vamos aos cemitérios? Se vamos e se depositamos uma flor, mesmo sem rezar, mesmo sem fé, o gesto de colocar uma flor já é um vislumbre, pequeno que seja, de que há algo além, de que não queremos que a vida seja arrancada de nós de uma maneira total. Não suportamos a morte como uma separação total. Queremos segurar alguma coisa. Aí vem a fé cristã que traz essa realidade em toda a sua clareza. É o Senhor que nos diz que quem vai para essa luz, não desaparece nunca.

Queremos pedir a Deus que dê o descanso eterno àqueles que morreram na sua paz. Que vivam no teu amor aqueles que amaste, aqueles que te amaram. Não esqueças o bem que fizeram a si e aos outros. Esqueça todo o mal que praticaram, risca os pecados do teu livro da vida e conceda a todos os que adormeceram na Tua paz, a graça de estarem unidos a nós pela Palavra e pela Eucaristia. Jesus terminou a sua vida terrena dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46).

Nesse triste contexto pandêmico da Covid-19, onde nosso país chora os mais de 600 mil mortos, nos solidarizamos e rezamos com cada família neste dia, para que as alegrias eternas se façam presentes no coração daqueles que mais são frágeis e vulneráveis.

Começamos a nossa vida espiritual entregando-nos a Deus no momento do batismo, reafirmamos essa entrega no momento da Crisma e durante toda a nossa vida. No final da nossa vida terrena, também deveríamos ter a coragem de colocar-nos nas mãos do nosso Pai do céu e morrer com a confiança de uma criança que simplesmente dorme nos braços do seu pai para acordar sob a contemplação do olhar amoroso do Eterno Pai. Que nossos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz! Amém!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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