Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos

evangelho das parábolas dos talentos
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Celebramos neste domingo o Trigésimo Terceiro desse Tempo Comum e o VII Dia Mundial dos Pobres. Estamos próximos do fim do ano litúrgico com a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei no próximo Domingo. Somos convidados ao longo de todo o ano litúrgico escutar o que o Senhor tem a nos dizer e comungar de seu Corpo e Sangue.

A cada ano litúrgico as leituras proclamadas na Missa são diferentes, ou seja, quando vamos à missa não é uma “repetição”, mas sempre tem algo novo. O novo ano litúrgico inicia-se no primeiro Domingo do Advento, no qual toda a Igreja se prepara para celebrar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

No último sábado da 34ª semana do tempo comum teremos em nossa Arquidiocese a 11ª Festa da Unidade em nossa Catedral Metropolitana iniciando o ano da oração como nos pede a organização do Jubileu de 2025. Iniciaremos na tarde desse dia o novo ano litúrgico como tempo do Advento e com a obrigatoriedade da utilização da nova tradução da IIIª edição típica do Missal Romano.

Neste Domingo celebremos o VII Dia Mundial do Pobre, data instituída pelo Papa Francisco em 2017. Aqui estaremos concluindo a Semana do Pobre que há mais de 20 anos ocorre em nossa Arquidiocese (antes era na semana que preparava o dia do trabalhador).

Mais do que uma celebração é um dia de reflexão, para que possamos aprender a partilhar aquilo que temos a mais com aqueles que pouco ou nada têm. É um dia também para que os nossos governantes reflitam e promovam políticas públicas para diminuir a pobreza e a miséria em nosso país.

O dia do pobre é todo dia, do mesmo modo que todos os dias celebramos o Dia das Mães, dos Pais e dos Avós. Essa data serve para nos lembrar que nunca devemos desviar o olhar de um pobre como nos diz o tema escolhido para o dia do pobre desse ano: “Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” (Tb 4,7).

A liturgia deste domingo nos fala hoje que devemos multiplicar os talentos que Deus nos dá, ou seja, cada um de nós recebe uma missão dada por Deus, não devemos deixar de cumprir essa missão e esquecê-la, pois lá na frente Deus irá nos cobrar. Sejamos católicos praticantes de fato, que levemos adiante a Palavra de Deus em nosso trabalho, escola, bairro e comunidade. É um tema que no final de ano litúrgico nos ajuda a fazer um exame de consciência sobre os talentos que Deus colocou para que cuidássemos deles.

A primeira leitura da missa desse Domingo é do livro dos Provérbios (Pr 31,10-13.19-20.30-31): primeiro o autor Sagrado refere-se a Israel e que cuidar dessa nação vale muito mais que as joias. O marido ao qual o autor se refere é próprio Deus que não quer ver essa nação com falta de recursos.

Para que essa nação seja próspera é preciso que cada um cuide das necessidades do outro e não deixe com que ninguém passe fome, sede, ou seja, desprovido de outro recurso. Antes de cuidar da beleza externa, sobretudo cuidando da aparência, que possamos cuidar do nosso interior, que toda a nossa vida seja voltada ao Senhor. Essa é a nação que agrada ao Senhor de verdade.

O salmo responsorial é o 127 (128), que diz em seu refrão: “Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos”! O refrão desse salmo responsorial diz que felizes são aqueles que temem o Senhor; O “temer” aqui não no sentido de ter medo do Senhor, mas de respeitá-lo e de se conformar com aquilo que Ele preparou para nós.

A segunda leitura dessa missa é da segunda carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 5,1-6), Paulo diz a comunidade de Tessalônica que a segunda vinda de Cristo não é possível prever quando será. Como dizia o próprio Jesus, nem o Filho e nem os anjos do céu sabem o dia e a hora, mas somente o Pai.

Nós somos filhos da luz, a partir do nosso batismo, somos chamados a ser testemunhas de Jesus Cristo e luz na vida dos outros. Se vivermos como filhos da luz, estaremos prontos para o dia do encontro com o Senhor.

O Evangelho desse Domingo é de Mateus (Mt 25,14-30), Jesus conta mais uma parábola aos seus discípulos, Jesus diz que um homem ia viajar para o estrangeiro e antes de viajar reune os seus empregados e entrega talentos a eles, a um deu cinco, a outro três e a outro um, a cada qual de acordo com a sua capacidade.

Podemos entender que esse homem é o próprio Deus, desde o nosso batismo Ele nos escolheu e entregou a cada um de nós talentos, e temos que saber usar esses talentos. Em nossas orações diárias se ainda não sabemos a qual talento nos identificamos, ou a qual vocação Deus nos chama, devemos pedir a luz do Espírito Santo para que ilumine a nossa mente e nos indique a qual vocação devemos abraçar. Um católico tem que praticar a sua fé, tem que ser luz na vida dos outros como nos aponta Paulo na segunda leitura.

Não podemos enterrar os talentos que Deus nos dá e não os usar, por medo ou por vergonha de algo ou de alguém, temos que utilizar os nossos talentos para o bem e através deles ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus. Através dos talentos que recebemos de Deus somos convidados a edificar o reino de Deus, amando o próximo, praticando a misericórdia e o perdão.

Temos que usar os nossos talentos e multiplicá-los, ou seja, cada vez que eu consigo aproximar alguém de Deus e anuncio o Reino de Deus nós multiplicamos os talentos. Temos que conquistar mais pessoas para Deus, o mundo hoje em dia quer afastar as pessoas de Deus e nós temos que fazer o esforço de aproximar.

Ao falar da Palavra de Deus para o próximo podemos transmitir o nosso talento para aquele que não tem, e ao mesmo tempo multiplicamos os nossos.

Celebremos com alegria esse Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum, tendo em nosso coração a certeza de que Deus nos deu os talentos e nós temos que saber usar esses talentos e multiplicá-los. Ao transmitir talentos para o próximo permitimos que Ele também se salve e não fique sem talento nenhum podendo ir para a condenação eterna. Amém.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ