Eu sou o pão da vida

Eu sou o pão da vida
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Celebramos neste final de semana, o 18º desse Tempo Comum. Com esse domingo, iniciamos o mês de agosto e com ele, o Mês Vocacional. Nesse primeiro domingo de agosto, recordamos a vocação aos ministérios ordenados e somos convidados a rezar por todos os diáconos, padres e bispos. No segundo domingo desse mês, recordamos a vocação dos pais e iniciaremos a Semana Nacional da Família, no terceiro, a vocação a vida religiosa e consagrada, depois, a vocação aos ministérios leigos e, no últio domingo o dia nacional dos catequistas.

O mês de agosto é um mês especial para a Igreja, pois além de celebrarmos santos que foram marcantes para a história da Igreja, celebramos o mês vocacional e convidados a refletir em qual vocação nós nos encaixamos, ou seja, em qual vocação Deus nos chama. Todos nós, a partir do nosso batismo, somos chamados por Deus à vocação no mundo, podendo ser o sacerdócio, a vida consagrada e religiosa ou membro ativo de nossa comunidade, como catequista e evangelizador. O tema deste mês é “Cristo nos salva e nos envia”, e o lema: “Quem escuta a minha palavra possui da vida eterna” (cfr. Jo 5,24).

Neste mês de agosto, somos convidados a rezar e refletir sobre a missão da Igreja no mundo e como podemos contribuir para que essa missão continue. Nesta primeira semana teremos uma semana especial de reflexão e orações pelas vocações ao ministério ordenado. Rezemos para que nunca faltem diáconos e padres para levar adiante o anúncio do Reino de Deus. Rezemos nesse domingo pelos padres de sua comunidade e que tenhamos padres santos e dispostos para atenderem ao povo de Deus. Rezemos, ainda, pelos seminaristas e vocacionados para que tenham perseverança e coragem na caminhada rumo ao sacerdócio.

No próximo dia 4 de agosto, celebraremos São João Maria Vianey, que é o padroeiro de todos os padres. Rezemos a ele para que nunca faltem sacerdotes que nos trazem a Eucaristia. Peçamos, ainda, que a Virgem Maria interceda junto a Deus por todos os padres. Nesse domingo especial, nos reunamos como comunidade e, em torno do altar da Eucaristia, rezemos por todos os sacerdotes e vocacionados.

Lemos na Primeira Leitura desse domingo (Ex 16, 2-4.12-15), que o povo de Deus, que era um povo “cabeça dura” e que por vezes não compreendiam os planos de Deus para as suas vidas, começaram a murmurar contra Moisés e Aarão, por estarem no deserto. Eles não compreendiam que para chegar à “glória”, as alegrias, era necessário passar pelo deserto. Assim é na nossa vida, também. Temos os momentos de deserto, de desespero, mas logo vêm a alegria e a felicidade.

Mesmo assim, Deus ouve a murmuração do povo e faz descer do céu o “pão do céu”, que era o maná. Dessa forma, o povo saberia que Ele era Deus. Deus escuta sempre o nosso clamor, como ouviu o do povo de Deus. É necessário passar pelo deserto, mas depois do deserto, vem sempre a “terra prometida”.

O Salmo Responsorial 77(78) é um salmo de “ação de graças”, agradecendo ao Senhor que deu de comer ao povo que estava no deserto. O Senhor lhes deu de comer o pão do céu. Hoje, esse pão para nós é a Eucaristia, que sacia a nossa fome e a nossa sede, o verdadeiro alimento.

Na Segunda Leitura Efésios (Ef 4, 17.20-24), Paulo alerta a comunidade a não viver como os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. Paulo convida a comunidade a rejeitar o “homem velho” e que eles passem a viver uma vida nova em Cristo. Devem viver essa vida nova revestidos da imagem e semelhança de Deus, numa vida de verdadeira santidade.

No Evangelho deste domingo (Jo 6, 24-35), continuamos a ler o capítulo sexto do evangelho de São João que é o discurso de Jesus sobre o “pão da vida”. Nesse trecho, vemos que a multidão vai ao encontro de Jesus, mas eles não procuram Jesus por causa da pessoa dele e o que ele representa, mas o procuram por causa dos milagres que ele realiza e por ele ter multiplicado os pães.

Jesus ainda diz a eles que devem se esforçar pelo alimento que não se perde e não pelo que se perde, ou seja, devem procurar o alimento que garante a vida eterna, que quem proporciona é Jesus.

O mesmo serve para nós nos dias de hoje. Devemos procurar Jesus em todos os momentos de nossa vida, seja nos momentos bons e naqueles não tão bons. Devemos procura-lo sempre, não somente quando ele realiza milagres em nossa vida. Assim, temos que procurar o alimento que ele nos proporciona e garante para nós a vida eterna. Não podemos nos contentar com o alimento que perece, mas com aquele que nos garante a vida eterna, que só ele pode oferecer.

Jesus é o pão da vida e devemos sempre desejar esse pão que ele nos proporciona e nos garante a vida eterna. Para receber esse pão, devemos estar preparados, ou seja, comungar sem estar em pecado, estar devidamente preparados e, é claro, o principal: comungar com “fé” e acreditar que aquele “pão” que estamos comungando é o corpo e sangue de Cristo, que revigora as nossas forças e fortalece nossa esperança.

Rezemos ainda nesse domingo por todos os diáconos, padres, bispos e vocacionados, para que nunca faltem os ministros sagrados que nos proporcionem o “pão” da vida oferecido por Cristo. Que esse mês de agosto seja um mês especial para todos nós.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ