Cristo, Bom Pastor!

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Cristo, Bom Pastor!

O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe, neste domingo, um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”. É, portanto, este o tema central que a Palavra de Deus põe, hoje, à nossa reflexão.

O Evangelho(cf. Jo 10,11-18) apresenta Cristo como “o Pastor modelo”, que ama de forma gratuita e desinteressada as suas ovelhas, até ser capaz de dar a vida por elas. As ovelhas sabem que podem confiar n’Ele de forma incondicional, pois Ele não busca o próprio bem, mas o bem do seu rebanho. O que é decisivo para pertencer ao rebanho de Jesus é a disponibilidade para “escutar” as propostas que Ele faz e segui-l’O no caminho do amor e da entrega.

Jesus, no Santo Evangelho, se autoproclama o Bom Pastor(cf. Jo 10,11). O Senhor Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, pode assumir este título que é dado ao próprio Deus nos salmos, nos profetas: O Pastor de Israel(Ez 34,12). Entretanto, o nosso Pastor é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo(cf. Jo 1,36), participando da nossa condição: é o Cordeiro quem conduz as ovelhas. Ele conhece as nossas debilidades, fraquezas, limitações físicas e psíquicas, nossas inconstâncias etc, pois ele fez-se em tudo igual a nós, exceto no pecado(cf. Hb 4,15). O Bom Pastor conhece as suas ovelhas, ou seja, se importa com elas e está em comunhão com elas. A característica do Bom Pastor é a de que dá a vida por suas ovelhas(cf. Jo 10,11.14). Jesus entregou a sua vida por nós, a fim de que, por seu sacrifício redentor, tenhamos nele a vida eterna. É atualizada em cada santa missa, que temos a possibilidade de nos entregar por ele em nossa vida exterior(testemunho) e interior(íntima comunhão na oração, no desejo).

Ao ouvirmos a Palavra de Deus, ao participarmos de modo adorante da Oração Eucarística, e ao comungarmos Seu Corpo e Seu Sangue, nós podemos experimentar a intensidade do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus(Rm 8,39).

As ovelhas devem estar em comunhão íntima, afetiva e efetiva com Jesus, o Bom Pastor.

A primeira leitura(cf. At 4,8-12) afirma que Jesus é o único Salvador, já que “não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (neste “Domingo do Bom Pastor” dizer que Jesus é o “único salvador” equivale a dizer que Ele é o único pastor que nos conduz em direção à vida verdadeira). Lucas avisa-nos para não nos deixarmos iludir por outras figuras, por outros caminhos, por outras sugestões que nos apresentam propostas falsas de salvação. Jesus é a Pedra Angular da Igreja e da vida de cada batizado. Nas construções romanas, na antiguidade, a pedra angular tinha a função de equilibrar a queda dos semicírculos opostos que se apoiavam sobre as colunas que compunham um arco. Em sentido metafórico, designa algo que seja fundamental, que seja central. Jesus é o nosso Bom Pastor que realiza a unidade de todos os povos, raças, nações, em seu Sangue, em sua entrega salvífica.

Na segunda leitura(cf. 1Jo 3,1-2), o autor da primeira Carta de João convida-nos a contemplar o amor de Deus pelo homem. É porque nos ama com um “amor admirável” que Deus está apostado em levar-nos a superar a nossa condição de debilidade e de fragilidade. O objetivo de Deus é integrar-nos na sua família e tornar-nos “semelhantes” a Ele.

No Domingo do Bom Pastor são atuais as palavras proféticas do Papa Francisco: “o Santo Padre convidou a Associação dos Padres do Prado a pôr em prática a experiência espiritual do seu fundador: ter uma imensa compaixão pelos pobres, compreender e compartilhar os seus sofrimentos, para um maior dinamismo do ardor missionário e apostólico”. (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-04/papa-francisco-audiencia-associacao-dos-padres-do-prado-italia.html, último acesso em 17 de abril de 2018).

Neste domingo do Bom Pastor vamos rezar pela Igreja e pelos seus ministros ordenados, pelo Papa Francisco, pelo Colégio Universal dos Bispos, pelos presbíteros. Em comunhão com toda a Igreja vamos oferecer orações e sacrifícios pelas vocações sacerdotais e religiosas, a fim de que o Senhor nos conceda sacerdotes e religiosos segundo o Coração de Jesus.