A aurora da Páscoa

A aurora da Páscoa

Dentre os escárnios que Jesus recebeu na Cruz, o mais horrível foi este: “Ele confiou em Deus, vamos ver se Ele o liberta” (Mateus 27, 43). No início da manhã do primeiro dia da semana, uma pecadora convertida é encontrada andando em um cemitério. Estava em busca de um túmulo e um corpo morto que esperava poder ungir com perfumes. Embora um dia ela mesma tivesse sido retirada do sepulcro dos seus pecados, trancafiado por 7 demônios, ela ainda não acreditava na ressurreição.

Ninguém que chora olha para cima. Com os olhos abaixados como o brilho do amanhecer que varre a grama coberta pelo orvalho, ela percebe vagamente a presença de alguém, que pergunta: “Mulher, por que choras?” (João 20,15).

Ainda cabisbaixa, achando que se tratava do jardineiro, responde: “Levaram o meu Senhor, e eu não sei onde o puseram”

A figura à sua frente só fala uma palavra, só pronuncia um nome, e em um tom tão doce e inefável, que jamais poderia ser esquecido. Diz apenas: “Maria”. Ninguém seria capaz de dizer “Maria” daquela maneira senão Ele. Nesse momento, ela levanta a cabeça e o reconhece. Diz apenas uma palavra, em aramaico: “Rabboni!”, “Mestre”! Aquela que antes da paixão ungiu o Senhor, a que esteve em pé junto à sua cruz, agora está de joelhos diante d’Ele na gloriosa manhã da Páscoa da Ressurreição.

A cruz tinha levantado algumas perguntas. A ressurreição traz as respostas. A cruz tinha indagado: Até que ponto pode chegar o poder do mundo? Até onde vai a maldade humana? O mal é a potência mais forte deste mundo? Ele não tem limites? Por que Deus o permite? Por que Deus se cala quando o Justo sofre, quando o Santo é pregado na Cruz? A Ressurreição faz emergir a resposta: o pecado, o mal, pode levar a melhor por algum tempo. O mal não é brincadeira, mas ele tem um limite. Ele pode chegar até o extremo da morte, daí ele não pode passar. Aí ele se esgota. Não pode ir além. Existe uma única realidade que ultrapassa o limite da morte e a vence.

“O amor é mais forte do que a morte”. O amor de Deus crucificado é mais forte do que o pecado, o mal e a morte, e os venceu. Onde estava o Pai no momento da crucifixão do seu Filho? “Aguardava que terminássemos nossa maldade para que pudesse começar sua ação”. Esperava enquanto deitávamos seu Filho no sepulcro, para que pudesse reerguê-lo com a Ressurreição. O mal tem seu limite.  O amor de Deus na cruz é o limite para a maldade humana.  O mal pode chegar até a matar, Deus ressuscita. Assim, surge a grande lição de Páscoa: o mal existe, mas tem limite. O sofrimento tem limite. O poder de Deus dá à maldade deste mundo uma ferida mortal: um túmulo vazio, uma tumba aberta, um sepulcro escancarado.

Se a história de Cristo terminasse com o grito de dor e abandono na Cruz, então não teríamos porque ter esperança. Se o Santo de Deus, ferido e crucificado o Justo, não tivesse se levantado do sepulcro, poderíamos cair no desespero. Se aquele que morreu para nos dar a liberdade da glória dos filhos de Deus não pudesse quebrar as cadeias da morte, então tudo estava perdido. Se Deus não conseguisse remover a pedra do sepulcro, não haveria mais o que fazer.

Se o poder de Deus não pudesse levantar da morte aquele que disse: “Eu sou a luz do mundo”, então, com o coração partido, deveríamos dizer: apague as velas, não haverá mais luz.

Se Deus não tivesse poder para trazer de volta à vida o Redentor de nossos pecados, o Mestre de nossa existência, o sofrimento da morte se agigantaria e o enigma da existência humana escurecida para sempre, com as portas da prisão da morte então fechadas para sempre pelo carcereiro escuro, cujo nome é desespero.

Muitos dizem que a ressurreição contradiz a ciência e a experiência humana. Eu digo que contradição muitas vezes maior seria se o Justo, a Verdade suprema, apodrecesse no sepulcro. Posso aceitar um universo onde o bem é crucificado pelo poder, mas não posso aceitar um mundo onde não haja um poder maior capaz de fazê-lo ressurgir. Posso aceitar um mundo onde o mal tenha sua hora, mas eu não posso aceitar um mundo onde a Bondade não tenha seu dia de Páscoa para cantar triunfante o Aleluia da ressurreição.

Posso aceitar tudo isso, toda essa sujeira, toda essa maldade. Mas não posso aceitar que tudo isso seja a última palavra, que não haja uma força mais poderosa do que essa imundície. Posso aceitar que o mal tenha seu momento neste mundo, desde que o bem, triunfe para toda eternidade. Aplique a lição nesta Páscoa a hora escura em que vivemos. De onde virá a nossa esperança de vitória? De onde virá a nossa esperança para a paz? De onde virá a nossa esperança para a Igreja?

Nossa esperança de vitória nesta guerra não está no poder de armas. Contra o inimigo, que tem o Diabo a seu lado, as armas, aviões, tanques e reservatórios não são páreo. Como Isaías advertiu: “Ai dos que descem ao Egito para buscar socorro, confiando em cavalos, e colocando a sua confiança em carros, porque são muitos, e nos cavaleiros, porque são muito fortes, e não confiam no Santo de Israel, e não procuram o Senhor “(Isaías 31:1-2).

Desejo a todos os melhores e mais especiais votos de uma Santa e abençoada Páscoa! Jesus Cristo Ressuscitado nos ajude a construirmos a paz e a solidariedade neste mundo que tanto precisa de sua misericórdia e testemunho.

Não tenhamos medo. Em nenhum momento. Diante de nenhum sofrimento ou dificuldade.  O sepulcro está vazio e Ele está vivo entre nós. Aleluia!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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