Alegrai-vos, o Senhor está perto!

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Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosácea, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (cf. Fl 4,4s). O mundo vive carente da verdadeira alegria! Os testos bíblicos do III Domingo do Advento são um convite muito forte a alegria, porque o Senhor, que esperamos, já está conosco e com Ele preparamos o Advento do seu Reino. Este domingo também é o encerramento da Campanha para a Evangelização com a Coleta Nacional nessa intenção.

Na primeira Leitura deste domingo (cf. Is 35,1-6a) – faz-nos reviver a espera que precedeu a primeira vinda de Cristo e as esperanças que a animaram. Isaías deseja despertar e fortalecer a esperança dos exilados. O povo atravessava um dos piores períodos de sua história: Jerusalém e o Templo destruídos, o povo deportado na Babilônia.

Segunda Leitura (cf. Tg 5,7-10): este trecho é parte das exortações finais da carta de São Tiago. O tempo de espera é pouco; logo a melhor maneira de sofrer contradições e perseguições, pelo fato de serem cristãos, é armar-se de paciência e resignação, tomando como exemplo as perseguições dos antigos profetas. O próprio apóstolo sofreu o martírio da parte dos judeus, servindo assim de exemplo e não só de palavras de estímulo que como diz o provérbio verba ducunt, exempla movent [as palavras guiam; os exemplos movem].

O Evangelho (cf. Mt 11, 2-11) contém três seções diferentes: Pergunta do Batista; resposta de Jesus; testemunho deste sobre João. Jesus responde à pergunta do Batista com fatos que confirmam a profecia de Isaías (cap. 29 e 35) sobre a conduta do Messias. E, ao mesmo tempo, não deixa de louvar aquele que foi seu arauto e precursor. Uma questão que estava na mente dos seus contemporâneos, era o poder político do Messias. Jesus aponta a um messias de salvação, em que a cura do corpo é a manifestação da cura interior. Toda doença era produto de um pecado (cf. Jo 9, 2) e a libertação da doença era sinal do perdão do pecado (cf. Jo 5, 14), condição que Jesus impõe a quem curou da cegueira ou, antes de curar, perdoa os pecados (cf. Mt 9, 2); assim ele se acomoda ao pensamento dos seus contemporâneos. Um outro aspecto dessa profecia é a evangelização dos pobres. Finalmente está o louvor do Batista, o maior entre os nascidos de mulher, mas inferior aos nascidos na água e no Espírito (cf. Jo 3, 5), que formam parte do Reino de Deus e não do reino de Israel, ou da descendência de Abraão.

João Batista está preso, por Herodes, por reprovar o seu comportamento. No cárcere ouve falar das obras de Cristo… Perplexo, envia a Jesus dois discípulos com uma pergunta bem concreta: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar por outro?” (cf. Mt 11, 3). Jesus responde-lhes apontando os sinais concretos de libertação, já anunciados por Isaías há muito tempo: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (cf. Mt 11, 4-5).

Na Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco nos lembra que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Os que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (EG, n. 1)

A alegria do Advento e a de cada dia é porque Jesus está muito perto de nós. A alegria cristã não é uma atitude passageira de festas humanas, mas um estado permanente, de quem confia que a vida cristã é uma caminhada ao encontro do Senhor que vem. A alegria é um dos sinais da presença de Deus no coração de uma pessoa. Jesus, após a Ressurreição, aparecerá aos seus discípulos em diversas ocasiões. E o evangelista irá sublinhando repetidas vezes que os Apóstolos “se alegraram vendo o Senhor” (cf. Jo 20,20). Eles não esquecerão nunca esses encontros em que as suas almas experimentaram uma alegria indescritível.

Contudo, o cristão deve ser um homem essencialmente alegre. Mas a sua alegria não é uma alegria qualquer, é a alegria de Cristo, que traz a justiça e a paz, e que só Ele pode dar e conservar, porque o mundo não possui o seu segredo.

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ