A telha

Repensando o meu tempo de infância, chegam-me à memória a imagem de casas antigas, onde o que mais me chamou a atenção foi a ausência de forros escondendo as telhas. Quando nos deitávamos à noite, por entre as frestas que se formavam, podíamos ver a lua, as estrelas, o céu azul manchado de nuvens brancas. No inverno então… nem se fala! O barulho da água batendo nas telhas transformava-se em música. Os respingos obrigavam-nos a nos mantermos cada vez mais enrolados, porque poderíamos “gripar”. Pela manhã, então, éramos despertados por algum raio de sol mais atrevido, que insistia em permanecer sobre as nossas pálpebras com que avisando: “Está na hora”. E o dia era sucedido com as brincadeiras e algazarras, principalmente em tempo de férias.

Já se foram decênios e esta recordação me chega agora, quando ainda há algum tempo, na madrugada, a chuva escorria pelos telhados e descia pelas “bicas”. O privilégio de ouvir a música da chuva e os seus respingos está na memória. As casas de hoje são “forradas”, o que impossibilita este prazer.

De que tipo é a nossa casa interior, a nossa alma: forrada ou não? Muitas pessoas, à maneira do que fazem exteriormente em seu lar, parecem querer empregar o mesmo modelo, interiormente. Cercas elétricas, grades, cadeados, portões de segurança, correntes… E além da casa forrada, destituída dos privilégios das casas da minha infância, grudam-se a estes artifícios da modernidade, e perdem o mais belo das noites e das estações. Almas feridas, chagadas, doídas, ressentidas, magoadas, com forro de concreto ou de gesso ou pré-moldado, não importa: almas estatualizadas. Vivem na escuridão. Pelo teto não entra uma réstia de sol. Almas sombrias. E o que fazer?

Cauteriza as feridas do teu coração; cuida das chagas da tua vida; deixa que cicatrizem as dores doídas; perdoa quem te ressentiu e quem te magoou. Depois retira estes recursos não naturais de pseudo-segurança. Por fim, destrói o forro, utilizando a alavanca da fé, a picareta da esperança e a força do amor. E se ainda com este trabalho no âmago do teu ser, tendo a oportunidade novamente de ver o céu, a lua e as estrelas, através das fendas das telhas, porque tua alma continua nas sombras, tenho algo a te dizer: “Jesus te ama, assim como tu és, assim como estás. Confia!” Tenho um conselho a te dar: se já não existe o teto forrado, “põe uma telha de vidro em tua vida!”

#PazNoCoração

Antonio Luiz Macêdo

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Antonio Luiz Macêdo

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