3º dia da trezena de São Sebastião

90
São Sebastião, Mártir

Rezamos neste sábado, dia 9 de janeiro, o terceiro dia da trezena de São Sebastião que traz como subtema para refletirmos: “São Sebastião, anunciador do príncipe da paz”. O nosso excelso padroeiro anunciava com grande ardor e coragem o Evangelho da salvação, aquilo que era trazido pelo filho de Deus, o príncipe da paz.

Devemos nós também aprender do nosso padroeiro e anunciar com coragem o Evangelho da salvação trazido por Jesus. Não devemos ter medo de anunciar a Palavra de Deus, o medo nos aprisiona, nos tranca em casa. Devemos ter a coragem que os discípulos tiveram quando Jesus enviou sobre eles o Espírito Santo e os enviou para a missão e assim iniciou a Igreja primitiva.

Peçamos no dia de hoje que o Espírito Santo nos impulsione para a missão e nos dê a coragem necessária para anunciar a Palavra de Deus, seja em qual realidade nós formos chamados para anunciar. Podemos anunciar a Palavra de Deus nos presídios, nos hospitais, asilos, na nossa comunidade ou no nosso trabalho. Anunciar com amor e alegria o Evangelho da salvação, trazido pelo príncipe da paz.

Veremos nesse terceiro dia da trezena de São Sebastião que nosso padroeiro encorajava aqueles que se encontravam desanimados, aos que estavam condenados e ele os animava com palavras de fé. Hoje em dia com um tempo tão difícil em que vivemos precisamos dirigir mais palavras de animo e coragem para as pessoas, palavras que edifiquem o nosso próximo e não palavras que denigram a imagem do outro ou cause algum tipo de constrangimento.

Segundo o dito popular: “as palavras têm grande poder”, elas têm poder de edificar ou de destruir uma pessoa. Cabe a nós cristãos que somos proferir palavras que edifiquem o próximo e que dê coragem aos desanimados.

São Sebastião era soldado do Império Romano, e era cristão mesmo com as proibições oficiais, pois como já mencionamos não podia professar a fé publicamente na época. Um outro soldado que estava junto com Sebastião percebeu que ele encorajava as pessoas e que falava de Jesus aos perseguidos e condenados. O Imperador Diocleciano considerou isso uma traição e interrogou Sebastião e ele respondeu dizendo que não poderia prestar melhor serviço ao Estado e ao Imperador do que adorando ao verdadeiro Deus. O imperador ficou com muita raiva e mandou levar Sebastião a floresta e amarrá-lo numa árvore e pediu aos arqueiros que atirassem flechas em Sebastião, mas que acertassem partes do corpo que não levasse a morte rápida. O Imperador desejava que Sebastião sofresse muito antes de morrer. Mas Sebastião não morreu, os cristãos encontraram Sebastião, tiraram as flechas e cuidaram de suas feridas e o levaram para um local seguro.

Como podemos observar a violência permeia a história da humanidade, desde a antiguidade e chegando até aos nossos dias e essa violência acontece de diversas maneiras. Seja pelo terrorismo, genocídio, infanticídio e tantas outras formas. Nós como cristãos devemos ir na contramão da violência e pregar o amor, o desejo, a bondade, a fé, que é a comunicação com o Transcendente. Dessa forma construiremos um futuro melhor para nós e as gerações vindouras. Ensinar que não devemos “pagar” o ódio com o ódio, mas retribuir o ódio com atitudes de amor.

Em muitas nações a falta do diálogo e o percurso do caminho da paz, levam ao ódio e a guerra. Se não tomarmos cuidado até mesmo em nossa casa, no nosso bairro ou no trabalho, se não buscarmos o caminho do diálogo para solucionar os problemas, se partirá para brigas, conflitos e outros caminhos desagradáveis. Para termos uma cidade ou país melhor para se viver, deve se começar com base no diálogo.

Em nossa vida optemos pelo diálogo e construamos através dele caminhos de paz e de esperança em dias melhores. Vivamos com coragem e alegria a nossa fé e testemunhemos aos outros a alegria de servir a Cristo e aos irmãos.

São Sebastião, rogai por nós junto a Deus. Amém!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ